Capítulo 25

945 Words
Horas mais tarde... Eu estava preocupado. Samanta ainda não havia acordado. Já liguei umas dez vezes para saber de alguma informação, mas nada. Será que aconteceu alguma coisa? Já era para ela ter despertado. Por que ainda continua dormindo? Pelo amor de Deus, por que meu pai ainda não colocou esse hospital abaixo? Me aproximei da sacada, observando a pequena movimentação de entra e sai do hospital. A chuva continuava. Era a primeira vez que chovia tanto assim. De longe, avistei um carro preto, um que não estava ali antes. Franzi a testa. Geralmente, não é permitido que estacionem naquele local. A pessoa dentro do carro jogou um cigarro fora. Não dava para ver quem era, mas aquilo despertou uma certa curiosidade em mim. Quem poderia estar ali? De repente, uma sensação estranha me invadiu. E se fossem os bandidos mencionados por Samanta? Tenho certeza de que é alguém do nosso meio. Estranhos não entrariam na festa da Alessa. E tenho certeza de que ela reconheceu algum deles lá. Meu coração começou a palpitar. E se eles souberem que ela está no hospital? Meus olhos se arregalaram ao ver um homem, vestido todo de preto, saindo do hospital e entrando no carro. Se antes eu tinha alguma dúvida, agora tenho certeza. É alguém próximo. Alguém que sabe cada um dos nossos passos. Mas quem é Samanta? Quem são seus familiares? Algo nela me parece familiar. De repente, um pensamento cruzou minha mente… Não, não pode ser. Neguei veementemente. Coloquei meu casaco e desci. Eu não conseguiria dormir de qualquer forma. Eu precisava vê-la. Olhei o relógio. Era uma da manhã. Atravessei a rua correndo, mas, do nada, um carro surgiu de algum lugar e veio direto para cima de mim. Me joguei para o lado, mas ainda assim senti o impacto na perna. Meus seguranças correram até mim. Segurança — O senhor está bem? Perguntou um deles. — Anotaram a placa do carro? Filho da p**a… Eu estou bem. Se tivesse me pegado em cheio, eu estaria aleijado agora. Segurança — Sim, já estamos verificando. Disse ele, me ajudando a levantar. Ajeitei minhas roupas e entrei no hospital. Eu precisava ver Samanta. A cada passo que eu dava, meu coração batia acelerado. Mas antes que eu me aproximasse, a gargalhada do maldito Raul ecoou às minhas costas. Raul — Sabia que você viria. Admita de uma vez, Maike. Para de tentar enganar a si mesmo, meu amigo. A vida é curta, e ter uma família é maravilhoso. Estou indo para casa agora. Meus bebês estão crescendo tão rápido. Me virei furioso. Tinha acabado de cair em uma p***a de armadilha. Ele fez isso de propósito. Se havia alguma dúvida, agora, na cabeça i****a dele, tinha certeza de que estou apaixonado pela Samanta. Me aproximei com passos firmes e largos. — Armou isso, seu filho da p**a? Me deixou sem notícias o dia todo, sabendo o quanto eu estava preocupado com ela? Gritei, enraivecido. Ele riu, claramente se divertindo. Raul — Se acalma, Maike. Ela está bem. Acordou, se alimentou e dormiu novamente. Só queria que você viesse vê-la com seus próprios olhos. Minha respiração estava pesada, e minha cabeça latejava. Levantei a mão para dar um soco nele, mas o desgraçado desviou. — Você e meu pai armaram isso, não foi? Tem noção do quanto eu estava preocupado, p***a? Raul — Ah, eu tenho, sim. Você nem sequer foi embora. Se hospedou no hotel um pouco mais abaixo do hospital. — Isso não é coisa que se faça, Raul! Gritei, sentindo um zumbido no ouvido. — O que vocês pretendem? Ele estava se deleitando com as minhas reações. Eu estava fora de controle e nem sabia o porquê. Raul — Se acalma, Maike. Ela está bem. Samanta está bem, cara. Ele me olhou, negou com a cabeça, se virou e disse: — Espero que seja inteligente o suficiente para assumir o que sente por ela antes de perdê-la. E foi embora, me deixando ali com suas palavras. Respirei profundamente e me virei para entrar no quarto. Girei a maçaneta devagar, e a primeira pessoa que vi foi meu pai, sentado ao lado da cama, dormindo. Meus olhos pousaram em Samanta. Ela estava um pouco mais corada, e sua feição parecia melhor. Me aproximei devagar e a observei um pouco mais de perto. Ela realmente parecia estar melhor. Olhei para meu pai, que agora tinha os olhos abertos. Ele sorriu. Bufei. Rodolfo — Quando vai admitir? Ele sussurrou baixinho para não acordá-la. — Nessa idade, fazendo esse tipo de brincadeira, pai? Por favor. Ele gargalhou, mas logo ficou sério. Rodolfo — Eduardo me contou sobre o ocorrido na festa. Alessandro veio me pedir desculpas. Disse que você não permitiu que ele visse Samanta e que ainda deu um soco nele. — Precisamos conversar. Há algo muito sério sobre o passado de Samanta. Naquele dia, eu a encontrei assustada demais. Não foi uma simples ofensa. E o senhor conhece o temperamento dela, ela não se deixa intimidar por ninguém. Ele balançou a cabeça.— Depois conversamos com calma. Acabaram de tentar me atropelar, papai. Ele arregalou os olhos e perguntou: Rodolfo — Você está bem? Acenei com a cabeça, confirmando. — Depois conversamos. Aqui não é um lugar confiável. E não podemos deixá-la sozinha em hipótese nenhuma. Rodolfo — Sim, concordo. Quando eu não puder ficar, pedirei ao Eduardo. Estreitei os olhos e bufei irritado. Ele riu, vitorioso. — Não precisa. Eu fico com ela. O senhor pode ir descansar. Ele balançou a cabeça, se levantou, deu um beijo na testa de Samanta e saiu. Me sentei na poltrona e sussurrei: " Infeliz nenhum chegará perto dela."
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