A semana passou lentamente dentro do Hospital Central.
Para quem observava de fora, parecia apenas mais um caso clínico sendo acompanhado pela equipe médica. Mas para aqueles que esperavam no corredor todos os dias, o tempo parecia pesado, arrastado, quase c***l.
Emily Carter permanecia inconsciente havia sete dias.
Os médicos diziam que isso podia acontecer após um trauma forte. Seu corpo precisava de tempo para se recuperar. Não havia lesões internas graves, nenhum dano cerebral detectado nos exames, mas a pancada na cabeça havia sido suficiente para mergulhá-la naquele estado silencioso.
Alexander quase não saía do hospital.
A princípio ele mesmo não entendia por quê.
Talvez fosse culpa.
Talvez fosse responsabilidade.
Talvez fosse simplesmente porque, de alguma forma, ele não conseguia ir embora.
Naquela manhã, o sol já havia nascido quando ele ainda estava sentado na cadeira ao lado da cama dela.
Os cabelos estavam levemente desalinhados e a barba começava a aparecer no rosto. A gravata havia sido abandonada horas antes sobre uma pequena mesa no canto do quarto, e o paletó permanecia dobrado sobre o encosto da cadeira.
Ele havia adormecido ali mesmo.
O quarto estava silencioso.
O monitor cardíaco emitia o som constante que já havia se tornado familiar durante aqueles dias.
O rosto de Emily estava mais corado agora do que no dia do acidente. Os médicos diziam que isso era um bom sinal.
Ainda assim, ela permanecia imóvel.
Como se estivesse presa em algum lugar distante.
Do lado de fora do quarto, algumas pessoas aguardavam.
Clara estava sentada em uma das cadeiras do corredor, segurando um copo de café frio entre as mãos.
Ela parecia cansada.
Seus olhos estavam vermelhos de noites m*l dormidas.
Desde o acidente, Clara havia se tornado uma presença constante ali. Não apenas por ser secretária de Emily, mas porque também era uma das poucas pessoas que realmente se importavam com ela.
Mais adiante, perto da grande janela do corredor, Vincent conversava em voz baixa com Malena.
Malena parecia entediada.
Seu olhar vagava pelo corredor com um ar de falsa preocupação.
— Já faz uma semana — murmurou ela. — Quanto tempo mais vamos ter que ficar vindo aqui?
Vincent respondeu com impaciência:
— Enquanto for necessário.
— Não vejo por quê — retrucou ela, ajeitando o cabelo perfeitamente arrumado. — Não somos médicos.
Vincent lançou um olhar rápido na direção do quarto.
— Aparência, Malena. Apenas aparência.
Malena suspirou.
Mais alguns passos adiante estava Catherine.
Ela não conversava com ninguém.
Estava encostada na parede, olhando para a porta de vidro do quarto com um olhar difícil de interpretar.
Frio.
Observador.
Quase impaciente.
E perto dela estava a mãe de Alexander.
Helena Laurent mantinha uma postura elegante mesmo naquela situação.
Ela havia criado Alexander com disciplina e valores fortes, e desde o início tinha aceitado o casamento com Emily — mesmo sabendo que era um acordo.
Helena, ao contrário da maioria ali, parecia realmente preocupada.
Foi então que algo mudou.
Dentro do quarto.
Emily se mexeu.
Primeiro foi apenas um movimento pequeno dos dedos.
Quase imperceptível.
Mas Alexander percebeu.
Seus olhos ainda estavam pesados de sono quando ele levantou a cabeça.
— Emily…?
Ela respirou fundo.
As pálpebras tremeram levemente.
E então…
Se abriram.
A luz do quarto a fez piscar várias vezes.
Tudo parecia confuso.
As imagens ao redor estavam desfocadas.
O teto branco.
A luz suave.
O som estranho de um monitor ao lado.
Ela tentou se mover, mas seu corpo parecia pesado demais.
Foi então que seu olhar encontrou alguém.
Alexander.
Ele estava sentado ao lado da cama, inclinando-se para frente.
Os olhos dele estavam cansados, mas havia algo mais ali.
Algo intenso.
— Emily… você consegue me ouvir?
A voz dele parecia distante para ela no início.
Mas aos poucos os sons começaram a fazer sentido.
Emily piscou novamente.
— A… Alexander…?
Ele soltou um pequeno suspiro.
Quase um riso de alívio.
— Sim. Sou eu.
A notícia se espalhou rapidamente pelo corredor.
— Ela acordou! — disse uma enfermeira.
Clara levantou-se imediatamente da cadeira.
— O quê?!
Vincent e Malena também se aproximaram da porta de vidro.
Catherine permaneceu onde estava por alguns segundos antes de caminhar lentamente até lá.
Todos agora observavam através do vidro.
Emily podia vê-los.
Seus olhos ainda estavam confusos, mas ela reconheceu os rostos.
Vincent.
Malena.
Catherine.
Clara.
E a mãe de Alexander.
Eles não entraram.
Os médicos haviam deixado claro que ela precisava de calma naquele momento.
Mas todos podiam vê-la.
E ela podia vê-los.
Clara levou as mãos à boca, emocionada.
Malena colocou um sorriso ensaiado no rosto.
Vincent apenas cruzou os braços.
Mas Catherine…
Catherine observava Emily de uma maneira diferente.
Seu olhar era duro.
Frio.
E intenso.
Emily sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Mesmo estando fraca naquela cama, havia algo naquele olhar que a fez sentir um desconforto profundo.
Como se estivesse sendo julgada.
Ou pior.
Como se estivesse sendo ameaçada.
Pouco a pouco, as pessoas começaram a se afastar da porta.
Primeiro Malena, que parecia perder o interesse rapidamente.
Depois Vincent, que murmurou algo para o médico.
Clara foi a última a sair… mas antes disso colocou a mão sobre o vidro e sorriu suavemente para Emily.
Emily tentou retribuir o sorriso.
Mesmo que de forma fraca.
A mãe de Alexander também se afastou depois de alguns minutos.
Mas Catherine permaneceu.
Sozinha.
Ela olhava diretamente para Emily.
E o olhar que lançou naquele momento era tão frio… tão carregado de algo que Emily não conseguiu definir… que um arrepio percorreu todo o seu corpo.
Era quase…
Um olhar de ódio.
Catherine permaneceu ali por alguns segundos.
Então virou-se lentamente.
E foi embora.
Quando a porta do corredor finalmente se fechou atrás dela, o silêncio voltou ao quarto.
Agora só restavam dois ali.
Emily.
E Alexander.
Ele puxou a cadeira um pouco mais perto da cama.
— Você nos deu um susto enorme.
A voz dele era baixa.
Emily tentou falar, mas sua garganta estava seca.
Alexander pegou um copo de água e ajudou-a a beber um pouco.
— O que… aconteceu…? — ela perguntou com dificuldade.
Alexander ficou em silêncio por um momento.
Seus olhos ficaram sérios.
— Houve um acidente.
Emily franziu levemente a testa.
As imagens começaram a voltar em fragmentos.
A estrada.
O carro.
O impacto.
Ela respirou fundo.
— O motorista…
Alexander abaixou o olhar.
— Não sobreviveu.
O silêncio caiu entre eles.
Emily fechou os olhos por um momento.
Sentindo o peso daquilo.
Um homem havia morrido.
E ela estava ali.
Viva.
Quando abriu os olhos novamente, Alexander ainda a observava.
Mas havia algo diferente na expressão dele.
Algo mais duro.
Mais tenso.
— Emily… — disse ele finalmente.
Ela olhou para ele.
— O acidente não foi um acidente.
O coração dela acelerou.
— O que…?
Alexander inclinou-se um pouco mais perto.
— O carro que bateu no táxi… não tentou frear. Não tentou desviar.
Emily sentiu o estômago se apertar.
— Foi… proposital?
Alexander assentiu lentamente.
— A polícia está investigando. Mas tudo indica que alguém tentou te matar.
O quarto ficou silencioso.
Emily ficou olhando para ele.
Sentindo o peso daquelas palavras.
Então algo lhe veio à mente.
A mensagem.
O número privado.
A ameaça.
Seu corpo gelou.
— Alexander…
Ele percebeu a mudança na expressão dela.
— O que foi?
Emily respirou fundo.
— Antes do acidente… eu recebi uma mensagem.
Os olhos dele se estreitaram.
— Que mensagem?
— Uma ameaça.
Alexander ficou completamente imóvel.
— O que dizia?
Emily engoliu em seco.
— Que eu deveria ter morrido com meus pais… e que acidentes acontecem.
O olhar de Alexander escureceu imediatamente.
Por um momento ele não disse nada.
Apenas ficou ali.
Processando.
Então se levantou lentamente da cadeira.
E caminhou até a janela.
A cidade brilhava lá fora.
Mas sua mente estava em outro lugar.
Porque agora não restava dúvida.
Aquilo não tinha sido apenas um acidente.
Alguém havia planejado aquilo.
Alguém queria Emily morta.
E pela primeira vez desde que esse casamento começou…
Alexander percebeu que faria qualquer coisa para descobrir quem havia feito aquilo.