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1311 Words
O clima no escritório ainda estava pesado. Mesmo depois da saída de Alexander, a presença dele parecia ter ficado impregnada no ambiente. Emily permanecia de pé por alguns segundos, olhando para a porta fechada, como se ainda pudesse vê-lo ali. Respirou fundo. Uma vez. Duas. Três. — Concentre-se — murmurou para si mesma. Mas antes que pudesse realmente retomar o controle, a porta foi aberta novamente. Sem bater. Sem aviso. Emily franziu imediatamente a testa. — Eu já disse que— Parou. Catherine. Elegante como sempre. Impecável. Fria. E com aquele sorriso que nunca chegava aos olhos. — Que recepção calorosa — disse ela, entrando como se fosse dona do lugar. Emily endireitou a postura imediatamente. — Isto é uma empresa, Catherine. Não um salão de visitas. Catherine ignorou completamente o comentário. Caminhou lentamente pelo escritório, observando tudo ao redor, como se estivesse avaliando o espaço. — Bonito — comentou. — Realmente bonito. Emily cruzou os braços. — O que você quer? Catherine parou. Virou-se para ela. E o sorriso mudou. Agora havia intenção ali. — Quero um cargo. Silêncio. Por um segundo, Emily achou que tinha ouvido errado. — Como? — Um cargo na empresa — repetiu Catherine, com total naturalidade. — Acho que já está na hora de você começar a dividir o poder. Emily soltou uma pequena risada seca. — Isso não é uma brincadeira. — Eu também não estou brincando. O silêncio caiu novamente. Emily deu alguns passos até sua mesa. — Você não tem qualificação para isso. Catherine ergueu uma sobrancelha. — Qualificação é algo que se aprende. — Não neste nível. — Não subestime minha capacidade. Emily apoiou as mãos na mesa. — Eu não estou subestimando. Estou sendo realista. Catherine aproximou-se lentamente. — Ou está com medo? Emily a encarou diretamente. — Medo de quê? Catherine inclinou levemente a cabeça. — De perder o controle. Emily sorriu. Mas não havia humor naquele sorriso. — Você nunca teve controle aqui, Catherine. O ar ficou tenso. — Ainda — respondeu Catherine, fria. Silêncio. — Isso não vai acontecer — disse Emily, firme. Catherine suspirou, como se estivesse perdendo a paciência. — Vamos poupar tempo, Emily. Ela deu mais um passo. — Você sabe muito bem que esse casamento foi a única coisa que te manteve no topo. Emily sentiu o sangue ferver. — Cuidado com o que diz. — Ou o quê? Catherine cruzou os braços. — Você vai me expulsar? Emily manteve o olhar firme. Mas por dentro… Ela sabia. Sabia que Catherine tinha poder. Sabia que, se aquilo escalasse, poderia virar um problema muito maior. — Eu não tenho tempo para isso — disse Emily. Catherine sorriu. — Vai ter que arranjar. Silêncio. — Eu quero um cargo. — Não. — Eu não estou pedindo. Emily fechou os olhos por um segundo. Droga. Catherine inclinou-se levemente sobre a mesa. — Ou você me dá um lugar aqui dentro… ou eu começo a fazer perguntas. Emily abriu os olhos imediatamente. — Que tipo de perguntas? O sorriso de Catherine voltou. Lento. Perigoso. — Sobre o seu casamento. O coração de Emily falhou uma batida. — O que tem o meu casamento? Catherine deu de ombros. — Nada ainda. Silêncio. Pesado. — Mas pode passar a ter. Emily a encarava agora. Com total atenção. — Isso é uma ameaça? Catherine sorriu. — É um aviso. O silêncio durou vários segundos. Emily pensava rápido. Muito rápido. Se Catherine começasse a levantar suspeitas… Se alguém começasse a investigar… O acordo com Alexander poderia vir à tona. E isso… Destruiria tudo. A empresa. A sua posição. Tudo. Ela respirou fundo. — Que tipo de cargo você quer? Catherine abriu um sorriso vitorioso. — Sabia que você era inteligente. Emily apertou os dedos contra a mesa. — Responda. — Algo relevante — disse Catherine. — Nada simbólico. Quero acesso. — Você não vai ter poder de decisão. — Vamos negociar isso depois. Emily a encarou por mais alguns segundos. Depois desviou o olhar. — Clara vai te integrar em um setor. Catherine sorriu. — Excelente. Ela virou-se para sair. Mas parou na porta. E olhou para Emily por cima do ombro. — Ah… e mais uma coisa. Emily não respondeu. — Eu espero ser bem recebida… afinal… Um pequeno sorriso surgiu. — Somos uma família. E saiu. A porta se fechou. E o silêncio voltou. Emily permaneceu imóvel por alguns segundos. Depois soltou o ar de uma vez. — Isto não está a acontecer… Passou as mãos pelo rosto. Uma dor de cabeça começava a surgir. E ela sabia. Aquilo era só o começo. --- O restante do dia foi um desastre silencioso. Emily tentou trabalhar. Tentou manter o foco. Tentou ignorar o fato de que Catherine agora fazia parte da empresa. Mas era impossível. Cada vez que pensava nisso, sentia um aperto no peito. E como se não bastasse… Ela ainda tinha Alexander na cabeça. No corpo. Na memória. No olhar. — Perfeito… — murmurou, irônica. --- Quando finalmente chegou em casa… Tudo o que Emily queria era silêncio. Paz. Um momento para respirar. Mas assim que entrou na sala… Alexander estava lá. Sentado. Esperando. Ela parou. — Isso está a tornar-se um hábito? Ele ergueu os olhos. — Você fugir? Sim. Ela revirou os olhos. — O que foi agora? Alexander levantou-se. — Minha mãe ligou. Emily congelou. — E? — Vamos jantar na casa dela amanhã. Silêncio. — O quê? — Um jantar. — Eu ouvi. Ela passou a mão pelos cabelos. — Por quê? — Minha irmã mais nova chegou de viagem. Emily franziu a testa. — Eu não sabia que você tinha uma irmã. — Porque você nunca perguntou. Ela ignorou. — E isso significa…? Alexander a observou. — Que vamos como um casal. O coração dela apertou. — Claro… um casal. A ironia na voz dela era evidente. Alexander continuou: — Há um detalhe. — Qual? — Ela não sabe do acordo. Silêncio. Total. Emily ficou completamente imóvel. — Não… — Sim. Ela começou a andar de um lado para o outro. — Não, não, não… — Emily— — Isso é um desastre! Alexander cruzou os braços. — Não é. — Como não é?! Ela parou na frente dele. — Uma pessoa que não sabe… é uma pessoa que observa. — Então finja. Emily soltou uma risada nervosa. — Fingir? — É o que temos feito. — Não neste nível! Ela passou as mãos pelo rosto. — Eu m*l estou conseguindo lidar com você… e agora tenho que convencer outra pessoa de que somos um casal perfeito? Alexander aproximou-se. — Nós podemos lidar com isso. Emily olhou para ele. — Você não entende. — Então me explica. Ela hesitou. Mas disse: — Se ela desconfiar… se alguém desconfiar… acabou. Silêncio. Alexander a observava com mais atenção agora. — Você está com medo. Emily não respondeu. Porque estava. E muito. — Emily… Ele aproximou-se mais. — Eu não vou deixar nada acontecer. Ela soltou uma pequena risada. — Você não pode controlar tudo, Alexander. — Posso tentar. Ela o encarou. — Isso não é um jogo. — Eu sei. — É a minha vida. — E agora… também é a minha. Silêncio. As palavras dele ficaram no ar. Pesadas. Reais. Emily desviou o olhar. — Eu preciso pensar. — Pense rápido. Ela respirou fundo. — Que horas é o jantar? — Amanhã à noite. Ela fechou os olhos. — Perfeito… Quando abriu novamente, havia algo diferente ali. Determinação. — Então vamos fazer isso direito. Alexander inclinou a cabeça. — Como? Ela o encarou. — Se vamos fingir… vamos ser perfeitos. Um leve sorriso surgiu nos lábios dele. — Finalmente. Mas Emily ainda não estava tranquila. Porque no fundo… Ela sabia. Que quanto mais real aquele casamento parecesse… Mais difícil seria quando tudo acabasse. E pela primeira vez… Essa ideia começou a doer de verdade.
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