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1253 Words
O domingo amanheceu com uma tranquilidade rara na casa de Alexander. A luz do sol entrava suavemente pelas enormes janelas do quarto de Emily, espalhando reflexos dourados pelo chão de madeira clara. O silêncio da manhã era tão profundo que parecia quase estranho para alguém como ela, acostumada ao ritmo constante de decisões, reuniões e pressões empresariais. Emily abriu os olhos lentamente. Por alguns segundos, permaneceu deitada, apenas observando o teto alto do quarto. Era um espaço elegante, amplo, cuidadosamente decorado, mas ainda assim impessoal para ela. Afinal, aquela ainda não era sua casa de verdade. Era apenas o lugar onde agora vivia por causa de um acordo. Um acordo que havia mudado sua vida em poucas semanas. Ela se sentou na cama e passou a mão pelos cabelos, ainda um pouco bagunçados pelo sono. Pegou o celular na mesa de cabeceira. O relógio marcava pouco depois das oito da manhã. Um domingo. Algo dentro dela estranhava o fato de não ter uma agenda cheia naquele dia. Emily suspirou, levantou-se e caminhou até o grande guarda-roupa do quarto. Vestiu um robe leve de seda cor creme que havia trazido de seu antigo apartamento e amarrou o cinto na cintura. A casa estava silenciosa. Provavelmente Alexander também estava dormindo. Ela caminhou lentamente até a enorme janela do quarto e afastou a cortina. O jardim dos fundos da casa era impressionante. A propriedade de Alexander era muito maior do que parecia quando ela chegou na noite do casamento. Durante o dia era possível perceber melhor os detalhes: o gramado perfeitamente cuidado, árvores ornamentais bem posicionadas e um caminho de pedras claras que levava até a área de lazer. No centro dessa área havia uma piscina grande, de água azul cristalina. Emily estava observando distraidamente o espaço quando percebeu movimento perto da água. Ela franziu levemente a testa. Alexander estava ali. Ele estava nadando. Emily ficou parada por um instante, observando. Alexander cortava a água com movimentos firmes e seguros. Seus braços se moviam com força e precisão, enquanto seu corpo atravessava a piscina com facilidade. Ele parecia completamente concentrado. Quando chegou à borda, apoiou as mãos na pedra clara e saiu da água. Foi nesse momento que Emily realmente percebeu. Ele usava apenas uma bermuda de banho escura. A água escorria lentamente por seus ombros largos e pelo peito definido. Seus músculos eram bem desenhados, firmes, resultado claro de disciplina física. Emily se apoiou levemente no parapeito da janela, quase sem perceber. Ela estava acostumada a ver Alexander em ternos elegantes, sempre impecável, sempre controlado. No ambiente profissional ele parecia praticamente intocável. Mas ali, sob o sol da manhã de domingo, havia algo diferente. Ele parecia… mais real. Mais humano. Alexander passou a mão pelos cabelos molhados, afastando as mechas escuras da testa. Depois pegou uma toalha branca que estava sobre uma espreguiçadeira. Emily percebeu que estava observando há mais tempo do que deveria. Mesmo assim, continuou. Ele caminhou lentamente ao redor da piscina, alongando os braços e os ombros. Emily sentiu algo estranho dentro do peito. Talvez fosse apenas curiosidade. Ou talvez fosse o fato de que, apesar de todo o acordo, aquele homem agora era oficialmente seu marido. Ela ainda estava observando quando Alexander levantou os olhos. Diretamente para a janela. Diretamente para ela. Emily congelou. Por um segundo, nenhum dos dois desviou o olhar. Então Alexander ergueu uma sobrancelha. E começou a rir. Não era uma risada alta. Era suave, divertida, como alguém que acabou de descobrir algo inesperado. Emily sentiu o rosto esquentar imediatamente. — Meu Deus… — murmurou. Ela se afastou da janela tão rápido que quase tropeçou no tapete. Levou a mão ao rosto, tentando recuperar a compostura. Aquilo era extremamente constrangedor. Ela havia sido pega observando o próprio marido. Alguns minutos depois, ouviu uma batida na porta. Emily respirou fundo. — Entre. A porta se abriu. Alexander apareceu. Ele já havia colocado uma camiseta simples e uma calça leve, mas o cabelo ainda estava levemente molhado. Havia um brilho divertido em seus olhos. Ele encostou no batente da porta. — Bom dia. Emily cruzou os braços. — Bom dia. O silêncio entre os dois durou alguns segundos. Então Alexander inclinou levemente a cabeça. — A vista do quarto é boa? Emily estreitou os olhos. — O que quer dizer? Ele entrou alguns passos no quarto. — A vista. Emily suspirou. — É agradável. Alexander cruzou os braços. — Especialmente para quem gosta de observar pessoas nadando. Emily sentiu o rosto esquentar novamente. — Eu estava olhando o jardim. Ele sorriu. — Claro. Ela tentou parecer indiferente. — Não se acostume. — Com o quê? — Com a ideia de que estou interessada em observar você. Alexander riu novamente. — Eu não disse isso. Ela levantou o queixo. — Mas pensou. Ele deu de ombros. — Talvez. Emily decidiu mudar de assunto. — Você sempre nada aos domingos? — Sempre que posso. — Disciplina? — Hábito. Ela o observou por alguns segundos. — Faz sentido. Alexander inclinou a cabeça. — E você? — O que tem? — O que costuma fazer aos domingos? Emily respondeu quase automaticamente. — Trabalhar. Ele riu suavemente. — Isso explica muita coisa. Ela franziu a testa. — Como assim? — Você parece alguém que esqueceu como descansar. Emily não respondeu. Talvez porque ele estivesse certo. Antes que ela pudesse dizer algo, um funcionário apareceu no corredor. — Senhor Laurent? Alexander virou-se. — Sim? — Sua mãe chegou. Emily levantou os olhos imediatamente. — Sua mãe? Alexander assentiu com tranquilidade. — Ela disse que passaria hoje. Emily respirou fundo. — Pelo menos ela sabe da situação. Alexander sorriu levemente. — Sim, minha mãe está bem informada sobre o nosso… acordo. Emily relaxou um pouco. — Isso facilita as coisas. Alexander inclinou a cabeça. — De certa forma. Alguns minutos depois, os dois desceram juntos para a sala principal. Helena Laurent já estava ali. Ela observava uma escultura moderna próxima à janela quando ouviu os passos deles. Quando se virou, seu sorriso apareceu imediatamente. — Alexander. Ela o abraçou com carinho. — Estava com saudades. — Eu também — respondeu ele. Depois Helena voltou os olhos para Emily. — Emily, querida. Emily sorriu educadamente. — Senhora Laurent. Helena segurou as mãos dela com carinho. — Já nos vimos no casamento, mas naquela noite foi tudo tão rápido. Emily assentiu. — Foi um dia bastante intenso. Helena observou os dois por um momento. Havia algo curioso em seu olhar. Mas também havia compreensão. Ela sabia exatamente que tipo de casamento eles tinham feito. — Então — disse Helena com um leve sorriso — como está sendo o primeiro domingo de casados? Emily trocou um rápido olhar com Alexander. — Surpreendentemente tranquilo. Alexander respondeu: — Até agora. Helena riu suavemente. — Imagino que a convivência leve algum tempo para se ajustar. Emily concordou. — Estamos nos organizando. Helena caminhou até o sofá e sentou-se. — Bem, eu trouxe algo para vocês. Alexander levantou uma sobrancelha. — Algo? Helena abriu a bolsa elegante que carregava. — Um pequeno conselho. Emily sentou-se diante dela. — Estou ouvindo. Helena olhou primeiro para o filho, depois para Emily. — Acordos podem começar como negócios. Ela sorriu suavemente. — Mas às vezes a convivência muda as regras. Alexander cruzou os braços. — Mãe… Ela apenas riu. — Relaxem, eu não vou interferir. Emily percebeu algo interessante naquele momento. Helena não parecia preocupada. Nem desconfiada. Na verdade… parecia divertida. E aquilo deixou Emily com uma sensação curiosa. Talvez aquele domingo ainda reservasse algumas surpresas.
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