A viela engoliu a luz. O cheiro de pólvora mordeu meu nariz. A arma tremia na minha mão. O peito batia no pescoço. A menina agarrada na minha perna. ** Foi quando o primeiro apareceu. ** Camiseta rasgada. O olhar sujo. O sorriso rasgado. O fuzil pendurado no ombro. A voz fedorenta. ** — “Aí… olha só o que sobrou aqui…” Ele apontou o fuzil. — “Entrega essa arma, boneca. Nem sabe atirar, porra.” ** O dedo dele veio no gatilho. O passo veio perto. O olhar descendo no meu corpo. ** Eu respirei fundo. A mão suando. O olho molhando. ** — “ENTREGA LOGO, GORDA!” — ele gritou. A arma balançou. ** Eu apertei o gatilho. Sem pensar. Sem mirar. ** PAH! ** O tiro comeu o peito dele. O corpo esticou. O olho vidrou. A boca abriu. ** Ele caiu. Seco. Rápido. Morto.

