NARRADO POR KEVÃO Ela saiu batendo a porta. Mas antes de girar o trinco, ainda lançou: — “Se encostar em mim de novo, eu te destruo, Kevão.” A porta bateu. Seco. Eu fiquei ali, parado, o sangue roncando no peito. Depois fui até a cadeira. Sentei devagar, rindo sozinho. Baixo. Sujo. O cigarro entre os dedos, tremendo de t***o contido. — “Gordinha gostosa da p***a…” — murmurei, encarando o chão. Passei a mão na cara. O cheiro dela ainda grudado na camisa. O gosto da raiva dela ainda na boca. — “Me xinga, me empurra, me odeia… mas volta.” Ela volta. Sempre volta. ** O rádio chiava do lado. Os moleques lá fora se movimentando, mas minha cabeça só girando nela. Rebeca. Com aquela boca suja e aquele corpo que desafia padrão e lógica. Rebeca com aquela fúria bonita no olhar

