Narrado por Rebeca Um mês. Trinta dias de hospital, chá de cadeira e noites maldormidas no banco duro da recepção. Mas agora, finalmente… Minha mãe ia ter alta. Ela tava ótima. Comendo bem, rindo de novo, reclamando da comida sem sal e me chamando de mandona cada vez que eu tentava regular o açúcar. A mulher quase morreu… e mesmo assim, fazia piada com a própria doença. A minha mãe era f**a. E eu… eu tava exausta. Mas viva. ** — “Mais dois dias e ela vai poder ir pra casa, professora.” — o médico falou, sorrindo de leve, mexendo na prancheta. Eu assenti, o corpo meio anestesiado pela notícia. — “Graças a Deus.” Ele anotou mais algumas coisas. Ajeitou os óculos. E soltou: — “Se essa mulher morresse aqui, aquele cara ia voltar e me matar.” Eu travei. — “Como é?” Ele piscou.

