NARRADO POR VANESSINHA A música subia pela ladeira como incêndio. Estourada, quente, pulsando no chão de barro. Fiquei parada no alto, encostada no muro da igreja abandonada, onde dava pra ver tudo sem ser vista. Sozinha. Sem Cacau, sem Kelly, sem Talita. Sem plateia. Porque hoje… era ela que tinha o palco. ** Lá embaixo, a quadra fervia. Gritaria, molecada correndo, papel colorido, caixa de som raspando o grave. E ela. A p***a da Rebeca. Molhada. Com a blusa colada na barriga, o cabelo grudado no rosto, e aquele sorrisinho de quem se acha. “Profeeeeeee!” “Voltou, caralhô!” Até cartaz tinha. Escrito torto, manchado de suor. “Bem-vinda de volta, profe.” Quase vomitei. ** Ela andava no meio da quadra como se fosse rainha. A gorda. A fodida que eu arranquei da prefeitu

