Não foi grito. Foi o contrário de grito. Os três saíram tão rápido que quase levaram a porta junto. E aí ficamos só nós dois, um estranho gigante e eu, separados por uma mesa de reunião barata, na clínica onde nossas vidas tinham sido trocadas de gaveta. — Ana Oliveira. — Ele disse meu nome devagar, como quem já tinha dito antes. — Meu nome é Kaleb. — Isso é nome de verdade ou é outro "senhor Almeida"? Foi mais forte que eu. O medo, em mim, sempre saiu vestido de insolência — herança da minha avó, que enfrentou a vida inteira de queixo erguido porque tremer, ela dizia, a gente treme por dentro. Alguma coisa mínima se mexeu no canto da boca dele. Não chegou a ser um sorriso. Foi a lembrança de um. — É nome de verdade. O Almeida era proteção. — Ele apoiou as mãos na mesa, entrelaçadas

