CAPÍTULO VINTE E CINCO.
Laurent Duvall
Uma cidade pequena, todo mundo conhece todo o mundo, nada ao que eu cresci habituado.
Eu cresci bem longe daqui, literalmente, por proteção.
A inimizade entre o meu pai e o Garrett Moreau não é um "eu não gosto de você", envolve sangue.
Sangue esse que durante todo esse tempo fora, eu aprendi a lidar, até que o meu pai decidiu que agora seria um bom momento para revelar que tem um filho para todos.
— Eu estou repensando a sua vinda para cá — Anakin, meu pai diz, sentado de frente para mim. Estamos no seu escritório. — O nosso nome não deve estar associado com o daquele canalha do Garrett — ele diz, e eu me encosto a poltrona, terminando o whisky que eu estava tomando.
— Ou... — falo, pousando o copo na mesa de madeira. — Ele quis comprar para expandir o negócio clandestino que estamos tentando decifrar para os entregar — falo. — Integrados lá, mais difícil fica para eles esconderem o que queremos saber, e mais fácil de revelar os seus esquemas para nós — falo, e ele me observa.
Convencido ele está, só não quer admitir.
— Bem, eu vou sair — falo, levantando-me.
— E para onde? — ele pergunta, fazendo-me sorrir.
— Conhecer a vizinhança, e depois vou para a minha casa — falo, e ele se levanta.
— Você é um alvo, tenha noção disso — ele diz.
— Eu treinei a vida toda por causa disso, não se preocupe — falo.
— Eu vou ter com o Duliner — ele diz, saindo do escritório comigo.
— E porquê? — pergunto.
— Provavelmente porque você me fez fazer um acordo com ele, para depois despachar o noivado com a filha dele, Laurent — ele diz, casualmente. — De raiva, ele pode se juntar ao Moreau, e você será alvo dele também — afirma.
— Aqui são todos muito vingativos — comento. — Não aceitam um não como resposta — digo, sarcástica.
— Teria outra razão para eu te mandar para o outro lado do mundo, se assim não fosse? — questiona retoricamente, enquanto saímos de casa.
Vejo no mesmo instante o Apollo entrar com o carro, ele tinha saído para dar uma volta.
— Se quiser eu vou com o senhor — falo.
— Desnecessário — responde. — Apenas se cuidem! — ele diz, já entrando no carro e o motorista fecha a porta.
— O que está rolando? — o Apollo pergunta, enquanto caminho para o carro.
— Leila — falo, entrando no carro e ele faz o mesmo.
Aceleramos para fora dali.
— O que tem aqui? — pergunto-lhe.
— Nada demais — ele diz. — Cafés, restaurantes e montanhas — ele fala, e como eu disse, totalmente diferente ao que eu cresci habituado.
— Ontem fomos para aquele restaurante, podemos ir outra vez, eu estou com fome — comento, e ele assente.
— Parece que a Selene irá se casar amanhã — conta, e a minha calmaria acaba.
— O que está dizendo? Onde escutou isso? — pergunto, sentindo o meu sangue ferver.
— A pouco, quando eu estava num café — responde. — Aparentemente, as notícias aqui correm rapidamente — ele diz, e eu estou perdendo a cabeça.
Pego no meu celular e tento ligar para ela novamente, mas o número cai na caixa postal.
Ela quer me deixar maluco.
— Que droga... — atiro o celular para o centro do carro.
— Vamos para a casa do Moreau — falo, e o Apollo me encara.
— Só se você quiser morrer — ele diz. — Nem pensar — fala.
— Essa alguma vez foi uma preocupação? — pergunto, indignado, por não ter pego o volante antes dele.
— Devia — ele diz. — Se acalme, até amanhã nós iremos pensar em alguma coisa, não cause um ataque cardíaco no senhor Anakin
— ele diz, e eu reviro os olhos, vendo o restaurante em que estivemos ontem.
Maldição.
Minutos se passaram, e a minha cabeça está nela, como sempre esteve, mesmo quando eu não queria.
— O filho do Bennett, sobrinho do pai da Selene está vindo — Apollo fala, discretamente, e eu o encaro.
— Boa tarde! — o moço que vi aqui ontem saúda, aproximando-se e nós nos levantamos.
Ele aperta a mão do Apollo e depois a minha.
— Lion Moreau — ele diz, com a mão ainda na minha.
— Laurent... — ele completa por mim.
— Duvall — diz. — Todos sabem quem é. Seja bem-vindo a cidade — ele diz, e eu sorrio.
Bem-vindo?
— Agradeço, mas não me parece que a sua família me ache tão bem vindo — respondo irônico, e ele sorri minimamente.
— Verdade — responde, e eu sorrio. — Podemos conversar? A sós — ele frisa, olhando para o Apollo, que obviamente está desconfiado.
Olho para ele, que suspira impaciente.
— Eu vou lá fazer uma chamada — ele diz, saindo a contragosto.
Faço sinal para ele sentar-se a mesa, e assim que ele o faz, eu me sento.
— Eu serei direto — diz, e eu mantenho o meu olhar nele. — Eu podia perguntar quais as suas intenções são com a minha prima, porque feliz ou infelizmente, pela coincidência mais ferrada do mundo, ela esbarrou com o único filho do Duvall — ele diz, e suspira.
— Eu quero ajudá-la — eu não tinha certeza, mas eu estou começando a gostar dele.
— Eu só preciso que me diga como entrar naquela casa — falo, e ele suspira, encostando-se a cadeira.
— O quarto dela tem uma varanda... — conta o necessário, era só disso que eu precisava.
— Espero que já tenha acabado com seja lá o que é precisava falar — Apollo diz, chegando. Eu diria que ele está mais enciumado do que frustrado.
O Lion levanta-se.
— Faça o que fizer, não me obrigue a tornar você o meu alvo também — diz.
— Ameaças não funcionam comigo — falo. — E se tem alguém que se importe com ela, esse sou eu — deixo claro.
— Eu espero que sim — responde, e se retira.
Volto a sentar-me um pouco mais tranquilo.
— O que foi isso? — o Apollo pergunta, sentando-se, e eu faço o mesmo.
— Eu vou precisar de uma pequena montaria amanhã, prepare as armas — falo, e ele me observa.
— Que droga está acontecendo, Ren? — ele pergunta. — Menos de um dia aqui, e já quer armas? — questiona. — Do que ele estava falando? — pergunta, e eu suspiro.
Peço a conta.
— Eu conto mais tarde, precisamos ir — já ficamos horas aqui.
— Eu não estou gostando disso. Desde quando você guarda segredos de mim? — pergunta, saindo comigo do restaurante.
— Agora não, Apollo — falo, entrando no carro.
— Para onde estamos indo? — pergunta.
— Para casa, o meu carro já chegou — falo.
Eu podia o contar agora, mas ele anda um pouco neurótico desde que chegamos.
Até ele se acalmar, eu irei resolver sozinho essa questão.