Sexto ato: Casamento

1043 Words
Era tanto amor envolvido com esse cara que resolvemos nos casar. Foi uma cerimonia com toda pompa e circunstância que o nosso dinheiro podia pagar, foi de longe um dos dias mais felizes da minha vida, finalmente eu era amada e seria feliz. Ele chegou a me fazer feliz por um curto espaço de tempo, seria hipocrisia de minha parte negar. Ele sumia algumas vezes e sempre vinha com uma desculpa esfarrapada, mas fazer o que? Eu o amava e acreditava fielmente em cada palavra quando ele dizia que mudaria. Ele vivia enfiado na casa de uma ex sogra dele. Meu problema não era a ex dele porque ela não quereria nem mesmo se ele fosse o milionário mais cobiçado de Seattle, o sádico Christian Grey. O meu problema era com a idosa de coração r**m. Ela me detestava e fazia questão de deixar isso claro, ele a tinha como mãe e por isso eu nem tentava medir forças com ela. Brigávamos por conta dela pois ela sempre fazia de tudo pra separar a gente. Acho que ela não foi com a minha cara a toa porque todos nós temos um passado e eu respeito isso. Sempre fui gentil e respeitosa com ela, poderíamos ser amigas se ela não fosse propositalmente tão detestável e amarga. Ainda tinha amizade com a mãe do meu primeiro namorado, mesmo tantos anos se passando. Os meses foram se passando e eu descobri que estava grávida. Honestamente não fiquei totalmente feliz porque a velha fazia questão de infernizar minha vida, todo santo dia era uma maldade nova e diferente e também porque não era um bom momento no nosso relacionamento. Já ele se dizia o homem mais feliz do mundo, que era o sonho da vida dele realizado. E do nada parece que uma chave virou dentro dele, foi aí que tudo piorou. Antes da gente se casar ele saia com uma mulher casada. Ele voltou a se encontrar com ela e tinha vezes que passava a noite fora de casa, no fundo eu sabia que ele estava com ela, o que eu faria? Eu me sentia muito triste e não tinha com quem contar, meu pai não tinha saúde para isso. A velha maldita começou a me humilhar em público e ele não estava nem aí e falava que ela não fazia nada de mais que eu quem era dramática, tinha vezes que eu poderia jurar que ele estava começando a se divertir com isso. Quase completando três meses de gestação perdi o meu filho. Tudo graças aquela velha m*l amada que fazia cena dia, tarde e noite comigo. Tive um aborto espontâneo, nem tive chances de me esforçar para manter meu bebê comigo, ele escorreu pelos vãos da minha perna. Eu fiquei bastante triste pois já amava o meu filho e não tive nem a oportunidade de saber se era menino ou menina. Ele não teve um pingo de compaixão por mim e começou a cada vez piorar mais. Ele m*l vinha pra casa e quando vinha chegava bêbado. E um belo dia, onde depois de três dias fora ele chegou e eu o questionei, ele já não me ajudava mais com as contas de casa, ele trabalhava e eu não sabia o que ele fazia com o dinheiro. Havia feito economias quando recebi o teste positivo mas como estou tendo que dar conta do tudo sozinha já não tenho mais nada. Foi a primeira de muitas das vezes em que ele me bateu. Eu não podia arrumar o cabelo ou passar um batom, roupa justa então nem nos meus melhores sonhos. Apanhava pelos motivos que ele inventava e quando ele estava sem criatividade ele me espancava sem motivo algum. Ele era esperto, sabia onde bater para não deixar marcas visíveis. Eu não tinha força para ir embora. De alguma forma ele me fez acreditar que eu realmente merecia isso. Eu já tinha andado por muitos e muitos vales duvidosos, quem sabe era meu inferno na terra, a forma de pagar por tudo o que eu fiz de errado. Ao mesmo tempo eu sentia tanta vergonha, por passar por esses espancamentos, por não ser forte o suficiente para sair, com que cara eu voltaria para o meu pai? Ele chegou a me estuprar, o que pra mim foi a gota d'água. Claro que sexo entre a gente já não existia a algum tempo, eu não tinha a menor vontade de me deitar com ele. Saí mais cedo do trabalho e fui pra casa, arrumei tudo o que era meu e fui pra casa do meu pai. Não precisei explicar muito ao meu pai, ele nem pediu na verdade, me acolheu de braços abertos e seu amor, carinho e conforto me fez sentir um bem que eu não sentia a bastante tempo. Quando ele chegou em casa do trabalho e não encontrou nem a mim e nem as minhas coisas meu ex surtou. Foi atrás de mim, implorou de tudo quanto foi jeito, chorou disse que nunca mais seria aquele tipo de homem para mim, disse que me amava e que não sabia o que acontecia com ele, o porquê de fazer o que me fazia. Quando ele tentou de tudo e finalmente percebeu que não daria certo ele mudou a tática. Começou a me ameaçar e a ameaçar quem estava perto de mim. Foram meses com medo de andar na rua. Vivia às sombras. Não me lembro de outra vez alguma ter chorado o quanto chorei nessa determinada época da minha vida. Meus colegas de trabalho sempre me perguntavam se estava tudo bem, que eu já não era a mesma, eu sempre inventava algo ou dizia que eu não tinha superado o aborto, eu não conseguia ser honesta nem mesmo com os que eram mais próximos a mim, eu sofri tudo sozinha e calada. Com o tempo ele acabou arrumando outra mulher e finalmente desencarnou quanto a mim. Eu fiquei com sequelas incuráveis. Vivia em luto! Pelo meu filho, pela minha mãe e pelas minhas escolhas erradas da vida inteira. Eu acreditei que nunca ia passar, mas um dia passou. E por um tempo eu até acreditava que tinha superado e voltado a viver normalmente, santa inocência mais uma vez. Até que chegamos ao Gran finale.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD