Capítulo 9 – A Mansão Fala

1277 Words

Valentina A mansão tem som próprio. De dia, o barulho do ar-condicionado fingindo que aqui não existe calor. De noite, madeira que estala, passos medidos, rádio sussurrando código no corredor. E no meio de tudo, a minha cabeça faz mais barulho que o resto: “foge”, “fica”, “bate”, “beija”, “esmurra”, “respira”. Eu passei a manhã ajudando na cozinha porque fazer alguma coisa com a mão evita que eu arrebente alguém na palavra. A Jurema, cozinheira antiga, mexia o feijão e olhava de canto pra mim como quem olha raio prestes a cair. — Come isso aqui, menina. — ela empurrou um prato — Tu tá branca de raiva. — Tô é viva de raiva, Jurema. — Peguei o garfo — E viva é melhor que branca. A outra funcionária, a Nëga Dôra, secava os copos com mais fofoca que pano. — Cês sabiam que o Dante derrubo

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