Valentina Lá embaixo, o Luar fazia barulho de sempre: funk estourado num barraco, moto roncando na viela, criança gritando “gol” numa pelada improvisada. Vida normal. A minha, não. — Dante… — respirei. — Não me transforma num enfeite. — Eu não uso enfeite. — Ele colou o corpo no meu, os dedos passeando de leve pelas minhas costas. — Eu uso armas. E você é a mais bonita delas. — Frase cafona. — Verdade bem falada. — Você é impossível. — Eu sou seu. — Vai se fërrar. Ele riu, de canto. Eu também, contra a vontade. Tava cansada de brigar e, ao mesmo tempo, com energia de sobra pra continuar brigando. Essa é a praga Dante: esgota e alimenta ao mesmo tempo. Mais tarde, liguei pro Yuri de novo. Fui mais calma. — Escuta, cabeção. O Dante sugeriu você ficar com o pai por enquanto. Eu vo

