Capítulo 31 – A Verdade Enterrada

938 Words
O galpão mergulhou na escuridão. O som dos disparos ecoava entre os contêineres enquanto Aurora se ajoelhava ao lado de Helena. O sangue escorria rapidamente por entre seus dedos, formando uma pequena poça no chão de concreto. Aurora: — Helena! Fica comigo! Por favor! Helena respirava com dificuldade. Seus olhos, antes cheios de determinação, começavam a perder o brilho. Ravi permaneceu à frente das duas, usando um contêiner como proteção. Com uma arma em cada mão, respondia aos tiros dos homens de Marcelo. Ravi: — Caio! Leva elas para um lugar seguro! Caio recarregou a arma. Caio: — Não consigo! Eles estão fechando todas as saídas! Uma granada de fumaça caiu a poucos metros. Em segundos, o galpão foi tomado por uma névoa espessa. Os homens mascarados avançavam lentamente. Sabiam exatamente onde Ravi estava. Como se alguém tivesse informado sua posição. Do outro lado do galpão, Marcelo observava tudo de uma passarela metálica. Seu rosto permanecia impassível. Ao seu lado, Vinícius — o antigo traidor — segurava um rádio comunicador. Vinícius: — Eles estão encurralados. Marcelo sorriu. Marcelo: — Ravi sempre protege primeiro. É isso que o torna previsível. Ele pegou um microfone. Sua voz ecoou pelos alto-falantes. Marcelo: — Ravi! Olhe para cima. Ravi levantou os olhos. Marcelo apareceu na passarela, iluminado apenas pelos refletores de emergência. Vestia um longo sobretudo preto. Parecia completamente tranquilo. Como se controlasse cada detalhe daquela noite. Marcelo: — Ainda acredita que pode vencer? Ravi respondeu sem baixar a arma. Ravi: — Eu não preciso vencer. Só preciso acabar com você. Marcelo deu uma risada. Marcelo: — Você continua igual ao seu pai. Impulsivo. Aurora conseguiu estancar parte do sangramento de Helena usando o próprio casaco. Ela segurava firme sua mão. Aurora: — Você disse que minha mãe estava infiltrada... O que isso significa? Helena tentou falar. A dor dificultava cada palavra. Helena: — Clara... Nunca trabalhou... Para Marcelo... Ela trabalhava... Contra ele. Aurora ficou imóvel. Sua respiração falhou. Durante todos aqueles anos acreditou que a mãe era apenas uma vítima. Agora descobria que Clara havia se infiltrado na Coroa n***a para destruir a organização por dentro. Helena continuou. Helena: — Seu pai... E Augusto... Criaram essa missão... Muito antes... De vocês nascerem. As lágrimas escorreram pelo rosto de Aurora. Tudo fazia sentido. As mentiras. Os desaparecimentos. O silêncio da mãe. Ela nunca contou a verdade porque estava protegendo a própria filha. Enquanto isso, Ravi encontrou uma escada lateral que levava até a passarela. Olhou para Caio. Os dois se entenderam sem dizer uma palavra. Caio faria a cobertura. Ravi enfrentaria Marcelo. Ele começou a subir. Cada degrau aumentava a tensão. Marcelo não se moveu. Esperava calmamente. Quando Ravi chegou ao topo, os dois ficaram frente a frente pela primeira vez desde o início da guerra. Separados apenas por alguns metros. Marcelo: — Você demorou. Ravi: — Acabou. Marcelo sorriu. Marcelo: — Tem certeza? Ele estalou os dedos. Várias luzes se acenderam ao redor da passarela. Ravi arregalou os olhos. Mais de vinte homens armados surgiram apontando rifles para ele. Marcelo abriu os braços. Marcelo: — Bem-vindo ao fim da linha. Lá embaixo, Aurora ouviu a voz de Marcelo pelos alto-falantes. Ela levantou a cabeça. Ao ver Ravi cercado, levantou-se imediatamente. Caio: — Aurora! Ela ignorou. Correu em direção à escada. Caio: — Volta! É perigoso! Mas Aurora já havia tomado sua decisão. Ela jamais assistiria Ravi morrer sem fazer nada. Na passarela, Marcelo caminhou lentamente até Ravi. Retirou uma arma da cintura. Apontou diretamente para seu peito. Marcelo: — Seu pai destruiu minha família. Agora vou destruir a dele. Ravi permaneceu imóvel. Ravi: — Meu pai nunca traiu você. Marcelo apertou os dentes. Pela primeira vez, perdeu o sorriso. Marcelo: — Você não sabe a verdade. Ravi: — Então conta. Marcelo respirou profundamente. Durante anos guardou aquele segredo. Talvez tivesse chegado a hora de revelá-lo. Marcelo: — Augusto não roubou apenas documentos da Coroa n***a. Ele roubou algo muito mais importante. Ravi franziu a testa. Ravi: — O quê? Marcelo olhou diretamente em seus olhos. Sua voz saiu carregada de ódio. Marcelo: — Minha irmã. O silêncio dominou o galpão. Aurora, que acabava de chegar ao fim da escada, ouviu tudo. Marcelo continuou. Marcelo: — Ela se apaixonou por Augusto. Queria abandonar a organização. Meu pai jamais permitiria. Então Augusto ajudou minha irmã a fugir. Mas ela nunca chegou ao destino. Foi encontrada morta três dias depois. Desde então... Eu prometi que Augusto perderia tudo o que amava. Ravi permaneceu em silêncio. Havia dor na voz de Marcelo. Mas também havia algo estranho. Como se aquela história estivesse incompleta. Foi então que Helena, reunindo as últimas forças, gritou do outro lado do galpão: Helena: — Não acredita nele! Marcelo virou imediatamente. Helena tossia sangue. Mesmo assim, continuou. Helena: — A irmã dele... Não morreu... Ela foi assassinada... Pelo próprio pai! Marcelo congelou. Pela primeira vez desde que a guerra começou... O medo apareceu em seu rosto. Ele lentamente virou-se para Helena. Marcelo: — Cala a boca... Mas ela sorriu. Mesmo à beira da morte. Helena: — Você dedicou sua vida inteira... À mentira de um homem... Que destruiu... A própria família. Marcelo abaixou a arma. Sua respiração ficou acelerada. Tudo em que acreditou durante anos começava a desmoronar. E Ravi percebeu. A guerra estava prestes a mudar completamente de rumo. Continua... 💜 Apoie esta história! ❤️ Curta o capítulo • 📚 Adicione à biblioteca • ⭐ Siga meu perfil. 🌙 Tem Bilhete Lunar? Vote na história e me ajude a subir no ranking! 💬 Seu comentário e 🎁 seu presente fazem toda a diferença. 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