A chuva caía forte sobre o Rio de Janeiro.
As gotas batiam contra os vidros do carro blindado enquanto o comboio seguia pelas ruas quase desertas. O limpador de para-brisa trabalhava sem parar, mas a tensão dentro do veículo era muito maior que a tempestade lá fora.
Aurora observava as luzes da cidade passarem pela janela.
Seu coração parecia querer escapar do peito.
À sua frente, Ravi mantinha o olhar fixo na estrada.
Calmo.
Concentrado.
Como se aquela fosse apenas mais uma noite de trabalho.
Mas não era.
Ele sabia que estava entrando em uma armadilha.
E, mesmo assim, iria até o fim.
Caio (pelo rádio): — Comboio em posição. Faltam cinco minutos para o destino.
Ravi: — Ninguém atira sem a minha ordem.
— Entendido, chefe.
Aurora respirou fundo.
Aurora: — Você já pensou que pode ser tarde demais?
Ravi virou o rosto apenas o suficiente para olhá-la.
Ravi: — Enquanto houver tempo para respirar, ainda existe chance.
Ela segurou o pingente que ele havia colocado em seu pescoço.
Pela primeira vez desde que tudo começou, aquele pequeno objeto lhe dava uma sensação de segurança.
O comboio parou a cerca de trezentos metros do galpão.
As luzes estavam apagadas.
O lugar parecia abandonado.
Bom demais para ser verdade.
Caio desceu primeiro.
Analisou a área com um binóculo de visão noturna.
Caio: — Não vejo movimentação.
Ravi franziu a testa.
Ravi: — É isso que me preocupa.
Ele desceu do carro.
Os homens se espalharam silenciosamente.
Aurora permaneceu dentro do veículo.
Seu coração acelerava a cada segundo.
Do outro lado...
Marcelo Falcão observava tudo através das câmeras instaladas no galpão.
Ao seu lado, um homem sorriu.
Homem: — Eles vieram.
Marcelo levou o copo de uísque aos lábios.
Marcelo: — Ravi nunca abandona quem protege.
Era exatamente isso que eu esperava.
Ele apertou um botão sobre a mesa.
Um cronômetro começou a contar.
Cinco minutos.
Ravi entrou no galpão com Caio.
O lugar estava vazio.
Caixas antigas.
Ferramentas enferrujadas.
Poeira.
Nenhum sinal de Clara.
Aurora decidiu sair do carro.
Mesmo contra as ordens.
Ela caminhou lentamente até a entrada.
Caio: — Aurora!
Ela ignorou.
Precisava encontrar sua mãe.
No centro do galpão havia uma cadeira.
Sobre ela...
O colar de Clara.
Aurora correu.
Aurora: — Mãe...
Quando pegou o colar, ouviu um pequeno clique.
Ravi arregalou os olhos.
Ravi: — Aurora!
Sai daí!
Antes que ela pudesse entender...
Uma explosão sacudiu o galpão.
O impacto lançou Aurora para trás.
Vidros estilhaçaram.
A fumaça tomou conta do ambiente.
Os homens começaram a gritar.
Disparos ecoaram de todos os lados.
A emboscada havia começado.
Ravi levantou-se rapidamente, ignorando a dor no ombro.
Seu primeiro pensamento foi Aurora.
Ele correu em meio à fumaça.
Ravi: — Aurora!
Nenhuma resposta.
Outro disparo.
Uma bala atingiu uma coluna de concreto ao lado dele.
Caio apareceu protegendo a retaguarda.
Caio: — É uma cilada!
Eles cercaram o galpão!
Ravi continuou procurando.
Até que a encontrou.
Aurora estava caída entre os escombros.
Consciente.
Mas com um corte profundo na testa.
Ele ajoelhou imediatamente.
Ravi: — Aurora!
Ela abriu os olhos lentamente.
Aurora: — Minha mãe...
Ravi segurou sua mão.
Ravi: — Primeiro eu tiro você daqui.
Do lado de fora...
Mais de vinte homens armados cercavam o local.
Marcelo apareceu entre eles.
Vestido completamente de preto.
Ele observava Ravi carregando Aurora nos braços.
Sorriu.
Depois pegou um megafone.
Marcelo: — Ravi!
A voz ecoou pelo galpão.
Todos ficaram em silêncio.
Marcelo: — Você sempre foi previsível.
Ravi caminhou até a saída sem tirar os olhos do rival.
Ravi: — Onde está a Clara?
Marcelo deu uma risada.
Marcelo: — Você ainda acha que veio aqui para salvá-la?
Ele fez um sinal.
Dois homens trouxeram Clara.
Ela estava machucada, mas viva.
Aurora tentou se levantar.
Aurora: — Mãe!
Clara começou a chorar ao ver a filha.
Clara: — Aurora... vai embora!
Marcelo apontou uma arma para a cabeça de Clara.
O sorriso desapareceu de seu rosto.
Marcelo: — Agora vamos fazer um acordo.
Ravi permaneceu imóvel.
Cada músculo de seu corpo estava tenso.
Marcelo: — A garota... em troca da mãe.
Aurora olhou para Ravi.
Depois para Clara.
Lentamente, deu um passo à frente.
Aurora: — Eu vou.
Ravi: — Nem pense nisso.
Ela segurou a mão dele.
Os olhos dos dois se encontraram.
Pela primeira vez, Ravi viu o medo... mas também a coragem que existia dentro dela.
Aurora falou em voz baixa, apenas para ele ouvir.
Aurora: — Não posso perder a única família que me resta.
Ravi apertou sua mão com força.
Naquele instante, percebeu que já não conseguiria imaginar a própria vida sem ela.
E jurou, em silêncio, que ninguém levaria Aurora enquanto ele ainda estivesse respirando.
Continua...
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