O estampido do tiro ainda ecoava pelo escritório.
Aurora abriu os olhos lentamente.
Sua respiração estava acelerada.
À sua frente, Ravi permanecia de joelhos, a mão pressionada contra o lado esquerdo do peito. O sangue escorria entre seus dedos, manchando a camisa preta.
Aurora: — Ravi!
Ela correu até ele antes que seu corpo tombasse completamente no chão.
O líder da facção respirava com dificuldade, mas seus olhos continuavam fixos no homem que segurava o diário.
O traidor sorriu.
Traidor: — Sempre foi esse o seu problema, Ravi.
Você protege todo mundo...
Menos a si mesmo.
Antes que pudesse escapar, Caio invadiu o escritório acompanhado por dois seguranças.
Caio: — Abaixa a arma!
O homem empurrou uma estante contra eles e correu pelo corredor.
Caio: — Atrás dele!
Os seguranças dispararam em perseguição.
Enquanto isso, Aurora tentava conter o sangramento de Ravi.
Suas mãos tremiam.
Ela rasgou um pedaço da própria blusa e pressionou o tecido contra o ferimento.
Aurora: — Você prometeu que ia me proteger...
Não prometeu que ia morrer por mim.
Ravi sorriu com dificuldade.
Mesmo ferido, ainda conseguia encontrar forças para tranquilizá-la.
Ravi: — Ainda... não chegou minha hora.
Aurora sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
Ela segurou o rosto dele com delicadeza.
Pela primeira vez, não havia medo entre os dois.
Apenas a certeza de que não queriam mais se perder.
Do lado de fora da mansão, a perseguição continuava.
O traidor conhecia cada corredor, cada saída secreta.
Saltou um muro e correu em direção ao bosque.
Caio não desistia.
Caio: — Cerquem a mata!
Ele não pode escapar!
Os homens se dividiram.
Lanternas iluminavam a escuridão enquanto a chuva dificultava a visão.
De repente...
Um disparo.
Depois outro.
Quando Caio chegou ao local, encontrou um dos seguranças caído.
Mas o traidor havia desaparecido.
No chão, apenas um pequeno rádio comunicador permanecia ligado.
Uma voz saiu do aparelho.
Era Marcelo.
Marcelo: — Você sempre chega atrasado, Caio.
O homem desligou a transmissão.
Caio fechou os punhos.
Marcelo estava brincando com eles.
Na mansão, o médico da organização finalmente conseguiu estabilizar Ravi.
A bala havia atravessado seu ombro, muito próxima ao peito.
Por poucos centímetros, não atingira o coração.
Aurora permaneceu ao lado da cama durante todo o procedimento.
Quando o médico terminou, sorriu discretamente.
Médico: — Ele vai sobreviver.
Aurora fechou os olhos, aliviada.
Sem perceber, segurava a mão de Ravi desde o momento em que ele fora deitado na cama.
Mesmo inconsciente, seus dedos apertaram levemente os dela.
Horas depois...
Caio voltou da perseguição.
Seu rosto demonstrava frustração.
Caio: — Perdemos ele.
Mas encontramos isto.
Ele colocou sobre a mesa um pingente de prata.
Aurora arregalou os olhos.
Reconhecia aquele objeto.
Aurora: — Esse pingente...
Era do motorista da minha mãe.
O mesmo homem que apareceu nas câmeras.
Caio respirou fundo.
Caio: — Então o motorista e o traidor são a mesma pessoa.
Nesse instante, Ravi abriu lentamente os olhos.
Ainda muito fraco, fez sinal para que Caio se aproximasse.
Ravi: — O diário...
Caio abaixou a cabeça.
Caio: — Ele levou.
Ravi fechou os olhos por alguns segundos.
Parecia decepcionado consigo mesmo.
Então falou algo que fez todos se entreolharem.
Ravi: — Não...
Ele levou uma cópia.
Aurora franziu a testa.
Aurora: — Como assim?
Ravi sorriu pela primeira vez desde o ataque.
Ravi: — Meu pai nunca deixaria o original em um lugar tão fácil de encontrar.
Aquele diário...
Era apenas uma armadilha.
O verdadeiro diário continua escondido.
Caio abriu um sorriso.
Pela primeira vez, eles estavam um passo à frente de Marcelo.
Mas a tranquilidade durou poucos segundos.
Um dos computadores da sala ligou sozinho.
A tela ficou preta.
Então uma transmissão começou.
Marcelo apareceu sentado em uma cadeira, olhando diretamente para a câmera.
Ao lado dele...
Clara.
E Helena.
As duas estavam vivas.
Marcadas pelos dias de cativeiro, mas vivas.
Marcelo sorriu lentamente.
Marcelo: — Boa noite, Ravi.
Vejo que sobreviveu novamente.
Mas não terá a mesma sorte da próxima vez.
Ele caminhou até Clara e segurou seu rosto com força.
Marcelo: — Vocês têm quarenta e oito horas para me entregar a chave verdadeira.
Caso contrário...
Aurora assistiu, horrorizada, quando Marcelo puxou uma terceira pessoa para o centro da câmera.
Ela prendeu a respiração.
Era um homem de cabelos grisalhos, preso por correntes.
Ravi empalideceu.
Sua voz saiu em um sussurro.
Ravi: — Isso... não é possível...
Aurora olhou para ele.
Aurora: — Você conhece esse homem?
Ravi não conseguiu desviar os olhos da tela.
Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.
Ravi: — É meu pai...
Todos acreditavam que ele estava morto.
Mas, durante todos aqueles anos...
Ele havia permanecido vivo.
Continua...
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