Capítulo 19 – O Nome do Traidor

878 Words
O estampido do tiro ainda ecoava pelo escritório. Aurora abriu os olhos lentamente. Sua respiração estava acelerada. À sua frente, Ravi permanecia de joelhos, a mão pressionada contra o lado esquerdo do peito. O sangue escorria entre seus dedos, manchando a camisa preta. Aurora: — Ravi! Ela correu até ele antes que seu corpo tombasse completamente no chão. O líder da facção respirava com dificuldade, mas seus olhos continuavam fixos no homem que segurava o diário. O traidor sorriu. Traidor: — Sempre foi esse o seu problema, Ravi. Você protege todo mundo... Menos a si mesmo. Antes que pudesse escapar, Caio invadiu o escritório acompanhado por dois seguranças. Caio: — Abaixa a arma! O homem empurrou uma estante contra eles e correu pelo corredor. Caio: — Atrás dele! Os seguranças dispararam em perseguição. Enquanto isso, Aurora tentava conter o sangramento de Ravi. Suas mãos tremiam. Ela rasgou um pedaço da própria blusa e pressionou o tecido contra o ferimento. Aurora: — Você prometeu que ia me proteger... Não prometeu que ia morrer por mim. Ravi sorriu com dificuldade. Mesmo ferido, ainda conseguia encontrar forças para tranquilizá-la. Ravi: — Ainda... não chegou minha hora. Aurora sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Ela segurou o rosto dele com delicadeza. Pela primeira vez, não havia medo entre os dois. Apenas a certeza de que não queriam mais se perder. Do lado de fora da mansão, a perseguição continuava. O traidor conhecia cada corredor, cada saída secreta. Saltou um muro e correu em direção ao bosque. Caio não desistia. Caio: — Cerquem a mata! Ele não pode escapar! Os homens se dividiram. Lanternas iluminavam a escuridão enquanto a chuva dificultava a visão. De repente... Um disparo. Depois outro. Quando Caio chegou ao local, encontrou um dos seguranças caído. Mas o traidor havia desaparecido. No chão, apenas um pequeno rádio comunicador permanecia ligado. Uma voz saiu do aparelho. Era Marcelo. Marcelo: — Você sempre chega atrasado, Caio. O homem desligou a transmissão. Caio fechou os punhos. Marcelo estava brincando com eles. Na mansão, o médico da organização finalmente conseguiu estabilizar Ravi. A bala havia atravessado seu ombro, muito próxima ao peito. Por poucos centímetros, não atingira o coração. Aurora permaneceu ao lado da cama durante todo o procedimento. Quando o médico terminou, sorriu discretamente. Médico: — Ele vai sobreviver. Aurora fechou os olhos, aliviada. Sem perceber, segurava a mão de Ravi desde o momento em que ele fora deitado na cama. Mesmo inconsciente, seus dedos apertaram levemente os dela. Horas depois... Caio voltou da perseguição. Seu rosto demonstrava frustração. Caio: — Perdemos ele. Mas encontramos isto. Ele colocou sobre a mesa um pingente de prata. Aurora arregalou os olhos. Reconhecia aquele objeto. Aurora: — Esse pingente... Era do motorista da minha mãe. O mesmo homem que apareceu nas câmeras. Caio respirou fundo. Caio: — Então o motorista e o traidor são a mesma pessoa. Nesse instante, Ravi abriu lentamente os olhos. Ainda muito fraco, fez sinal para que Caio se aproximasse. Ravi: — O diário... Caio abaixou a cabeça. Caio: — Ele levou. Ravi fechou os olhos por alguns segundos. Parecia decepcionado consigo mesmo. Então falou algo que fez todos se entreolharem. Ravi: — Não... Ele levou uma cópia. Aurora franziu a testa. Aurora: — Como assim? Ravi sorriu pela primeira vez desde o ataque. Ravi: — Meu pai nunca deixaria o original em um lugar tão fácil de encontrar. Aquele diário... Era apenas uma armadilha. O verdadeiro diário continua escondido. Caio abriu um sorriso. Pela primeira vez, eles estavam um passo à frente de Marcelo. Mas a tranquilidade durou poucos segundos. Um dos computadores da sala ligou sozinho. A tela ficou preta. Então uma transmissão começou. Marcelo apareceu sentado em uma cadeira, olhando diretamente para a câmera. Ao lado dele... Clara. E Helena. As duas estavam vivas. Marcadas pelos dias de cativeiro, mas vivas. Marcelo sorriu lentamente. Marcelo: — Boa noite, Ravi. Vejo que sobreviveu novamente. Mas não terá a mesma sorte da próxima vez. Ele caminhou até Clara e segurou seu rosto com força. Marcelo: — Vocês têm quarenta e oito horas para me entregar a chave verdadeira. Caso contrário... Aurora assistiu, horrorizada, quando Marcelo puxou uma terceira pessoa para o centro da câmera. Ela prendeu a respiração. Era um homem de cabelos grisalhos, preso por correntes. Ravi empalideceu. Sua voz saiu em um sussurro. Ravi: — Isso... não é possível... Aurora olhou para ele. Aurora: — Você conhece esse homem? Ravi não conseguiu desviar os olhos da tela. Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Ravi: — É meu pai... Todos acreditavam que ele estava morto. Mas, durante todos aqueles anos... Ele havia permanecido vivo. Continua... 💜 Gostou do capítulo? Então me ajude a continuar essa história! 💜 Seu apoio faz toda a diferença! 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