O estrondo da porta de aço ecoou por todo o corredor subterrâneo.
BUM!
Aurora virou-se instintivamente.
Correu até a escada e tentou empurrar a porta.
Era inútil.
Ela nem sequer se movia.
Aurora: — Está trancada!
Caio subiu alguns degraus e golpeou a estrutura com a coronha da arma.
O som metálico confirmou o pior.
Caio: — Não vamos conseguir abrir por aqui.
Ravi permaneceu imóvel.
Seu olhar percorria cada detalhe do corredor.
Marcelo jamais faria algo tão simples.
Se os prendera ali...
Era porque queria que seguissem em frente.
E isso significava apenas uma coisa.
A resposta estava naquele lugar.
Ou a morte.
As lanternas iluminaram as paredes.
Fotografias antigas cobriam quase todo o corredor.
Algumas mostravam reuniões entre empresários.
Outras retratavam homens armados.
Havia imagens de festas luxuosas, políticos sorrindo para câmeras e empresários apertando mãos.
Todos tinham algo em comum.
No canto inferior direito aparecia o mesmo símbolo.
A coroa.
Aurora parou diante de uma fotografia em especial.
Nela, Clara aparecia muito jovem ao lado de Augusto, Helena e outro homem de cabelos escuros.
Ela franziu a testa.
Aurora: — Esse homem...
Ravi aproximou a lanterna.
Seu coração disparou.
Ravi: — É o pai do Marcelo.
Caio arregalou os olhos.
Caio: — Então as famílias realmente trabalhavam juntas.
Ravi permaneceu em silêncio.
Durante anos acreditou que Marcelo fosse apenas um inimigo.
Agora descobria que seus pais dividiram a mesma mesa.
Mais adiante, encontraram uma enorme porta de madeira.
Acima dela havia uma inscrição gravada em latim.
Caio passou a mão pela poeira.
Caio: — O que está escrito?
Ravi observou por alguns segundos.
Lembrava-se daquela frase.
Seu pai costumava repeti-la quando era criança.
Ravi: — "A verdade exige sacrifício."
Aurora sentiu um arrepio.
Nenhuma daquelas palavras parecia escolhida por acaso.
No centro da porta havia uma fechadura.
A mesma coroa.
Ravi retirou a chave dourada do bolso.
Antes de encaixá-la, Aurora segurou seu braço.
Aurora: — Espera.
Ele a olhou.
Aurora: — Desde que tudo começou, cada pista nos levou exatamente onde Marcelo queria.
E se essa também fizer parte do plano?
Ravi respirou fundo.
Ela tinha razão.
Mas também não havia outro caminho.
Ravi: — Se voltarmos...
Continuaremos sem respostas.
Se entrarmos...
Talvez consigamos salvar nossos pais.
Aurora soltou lentamente seu braço.
Ele girou a chave.
Um mecanismo antigo começou a funcionar.
As engrenagens rangeram.
A porta abriu lentamente.
Do outro lado havia uma enorme sala circular.
As paredes eram tomadas por estantes de madeira.
Centenas de caixas metálicas.
Pastas.
Livros.
Documentos.
No centro da sala havia uma mesa de pedra.
Sobre ela descansava um diário antigo.
Coberto por poeira.
Ravi aproximou-se.
Seu coração acelerava.
Caio: — Será que...
Ravi pegou o diário com cuidado.
Na capa havia apenas duas palavras.
"Coroa Negra."
Aurora observou o ambiente.
Tudo parecia silencioso demais.
Bonito demais.
Perfeito demais.
Ela deu mais alguns passos.
Foi quando percebeu um fio quase invisível atravessando o corredor.
Aurora: — Ravi!
Mas era tarde.
Assim que ele levantou o diário...
O chão inteiro tremeu.
Alarmes começaram a soar.
Luzes vermelhas acenderam.
Uma voz eletrônica ecoou pelo subterrâneo.
"Sistema de segurança ativado."
"Protocolo de destruição iniciado."
Caio arregalou os olhos.
Caio: — Isso vai explodir!
As estantes começaram a se mover.
Portas de aço desciam lentamente, bloqueando as saídas.
O teto vibrava.
Poeira caía sobre eles.
Ravi segurou o diário contra o peito.
Não podia deixá-lo para trás.
Era a única prova capaz de destruir a Coroa n***a.
Aurora correu até outra porta.
Estava fechando rapidamente.
Aurora: — Depressa!
Os três correram.
Caio conseguiu passar.
Aurora também.
Mas Ravi ficou preso.
A pesada porta desceu exatamente sobre seu braço.
Ele segurava o diário do lado de dentro.
Aurora tentou puxá-lo.
Sem sucesso.
Aurora: — Ravi!
Solta o diário!
Ele olhou para ela.
Depois para o caderno.
Naquele momento precisava fazer uma escolha.
Salvar a própria vida...
Ou proteger o segredo que seu pai escondeu durante vinte e cinco anos.
Enquanto isso, do outro lado das câmeras de segurança, Marcelo assistia a tudo.
Seu sorriso voltou.
Marcelo: — Agora vamos descobrir...
O que vale mais para você, Ravi.
A verdade...
Ou o amor.
Continua...
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