O silêncio dominava a sala.
A frase na tela parecia ecoar na mente de todos.
"O verdadeiro inimigo nunca esteve do lado de fora."
Ravi desviou os olhos do monitor e encarou Caio.
Pela primeira vez em muitos anos, havia desconfiança entre os dois.
Ravi: — Você vai me explicar esse vídeo.
Caio respirou fundo.
Seu rosto estava pálido.
Caio: — Eu juro que não me lembro disso. Eu era muito novo quando fui levado pelo seu pai. Antes disso... minha memória é cheia de falhas.
Aurora percebeu que Ravi estava lutando contra os próprios sentimentos.
Ela se aproximou dele.
Aurora: — Não tome nenhuma decisão agora. Marcelo quer exatamente isso: que vocês desconfiem um do outro.
Ravi fechou os olhos por alguns segundos.
Ela tinha razão.
Marcelo sempre manipulava as situações para destruir seus inimigos por dentro.
Nesse instante, o técnico voltou a falar.
Técnico: — Senhor... ainda existe outro arquivo escondido.
Ele digitou alguns comandos.
Uma pasta criptografada apareceu.
A pequena chave de prata encaixava perfeitamente no dispositivo conectado ao computador.
Assim que Ravi a inseriu, o sistema desbloqueou automaticamente.
Surgiu um mapa detalhado do Rio de Janeiro.
Vários pontos vermelhos piscavam.
Caio arregalou os olhos.
Caio: — Esses são os depósitos da Coroa n***a.
Aurora observou outro detalhe.
Havia um único ponto azul.
Diferente de todos os outros.
Aurora: — E esse?
Ravi ampliou a imagem.
No centro do mapa apareceu um nome.
Projeto Fênix.
Junto dele havia uma mensagem gravada por seu pai.
"Se encontrarem este arquivo, significa que Marcelo iniciou o Projeto Fênix. Não permitam que ele seja concluído."
Aurora franziu a testa.
Aurora: — O que é esse projeto?
Ravi balançou a cabeça.
Ravi: — Nunca ouvi esse nome.
Antes que pudessem investigar mais, um dos rádios da segurança começou a chiar.
Segurança: — Chefe! Temos movimentação no portão!
Todos correram até a sala de monitoramento.
Nas câmeras, dezenas de carros pretos cercavam o esconderijo.
Homens fortemente armados desciam dos veículos.
Na frente deles...
Marcelo.
Vestido de preto, ele caminhava lentamente até o portão principal.
Nas mãos, segurava uma caixa de madeira.
Ele levantou os olhos para uma das câmeras de segurança.
Sorriu.
E fez um gesto para que Ravi observasse.
Os portões se abriram lentamente.
Um dos homens deixou a caixa bem no centro da entrada.
Logo depois, todos recuaram.
Caio estranhou.
Caio: — Isso é uma armadilha.
Ravi concordou.
Mesmo assim, decidiu verificar.
Dois seguranças se aproximaram com extremo cuidado.
Após analisarem a caixa, fizeram sinal de que não havia explosivos.
Aurora foi até lá.
Dentro havia apenas uma fotografia antiga.
Ela pegou a imagem.
Suas mãos começaram a tremer.
Na fotografia apareciam o pai de Ravi, Marcelo... e uma mulher sorrindo.
Aurora empalideceu.
Aurora: — Não...
Ravi tomou a foto de suas mãos.
Seu coração acelerou.
A mulher da fotografia era exatamente igual à mãe de Aurora.
No verso da imagem havia uma frase escrita à mão.
"Ela nunca foi apenas uma vítima. Descubra quem ela realmente era."
Aurora sentiu as pernas fraquejarem.
Tudo o que acreditava sobre sua família começava a desmoronar.
Do lado de fora, os carros de Marcelo já haviam desaparecido.
Mas a mensagem era clara.
A guerra estava prestes a revelar verdades muito mais perigosas do que qualquer arma.
Continua...
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