As luzes da mansão se apagaram completamente.
Por um instante, o único som era o da chuva batendo contra as janelas.
Depois vieram os motores.
Um.
Dois.
Cinco.
Dez.
O ronco de vários veículos cercando a propriedade fez todos entenderem que Marcelo não estava mais escondido.
Ele havia declarado guerra.
Caio: — Gerador desligado!
Não foi uma pane... alguém cortou a energia!
Ravi fechou o diário do pai e o guardou dentro da jaqueta.
Aquele caderno era importante demais para cair nas mãos erradas.
Ravi: — Ativem o gerador auxiliar.
Um dos seguranças correu até a casa de máquinas.
Menos de um minuto depois voltou ofegante.
Segurança: — Chefe... destruíram tudo.
Não tem como religar.
Caio respirou fundo.
Caio: — Eles planejaram isso.
Do lado de fora, os portões da mansão começaram a tremer.
Um caminhão avançou contra eles.
CRASH!
O ferro entortou, mas resistiu.
Logo em seguida, outro impacto.
Aurora: — Eles vão entrar...
Ravi olhou para todos os homens reunidos na sala.
Ravi: — Escutem com atenção.
Hoje ninguém luta por mim.
Lutamos por nossas famílias.
Por Helena.
Por Clara.
E por um futuro onde Marcelo nunca mais possa machucar ninguém.
Os homens assentiram.
Mesmo diante do medo, ninguém recuou.
No esconderijo de Marcelo...
Ele observava as imagens da mansão através de um tablet.
Ao seu lado, Clara permanecia presa a uma cadeira.
Clara: — Você nunca vai conseguir a chave.
Marcelo sorriu.
Marcelo: — Não preciso da chave.
Preciso apenas que Ravi acredite que ainda a possui.
Clara franziu a testa.
Pela primeira vez, Marcelo parecia estar vários passos à frente.
Ele fez um sinal para um dos capangas.
O homem colocou sobre a mesa uma pequena caixa de madeira.
Dentro dela havia uma segunda chave.
Idêntica à primeira.
Clara empalideceu.
Clara: — Não...
Marcelo sorriu.
Marcelo: — Você achou mesmo que existia apenas uma?
Na mansão...
Um terceiro impacto destruiu o portão principal.
Os veículos invadiram o pátio.
Disparos começaram imediatamente.
Os seguranças responderam ao fogo.
Aurora se abaixou atrás de uma parede enquanto o som dos tiros tomava conta da casa.
Caio coordenava os homens pelo rádio.
Caio: — Equipe Alfa pela direita!
Bravo cobre os fundos!
Ninguém deixa eles entrarem!
Ravi permaneceu ao lado de Aurora.
Aurora: — Você devia estar descansando.
Seu ombro ainda está machucado.
Ele sorriu discretamente.
Ravi: — Descanso quando essa guerra acabar.
Antes que ela respondesse, uma explosão sacudiu a mansão.
Os vidros da sala estilhaçaram.
A fumaça tomou conta do ambiente.
No meio da confusão, um dos seguranças aproximou-se de Ravi.
Seu rosto estava coberto de poeira.
Segurança: — Chefe...
Encontramos uma passagem pelos fundos.
Eles já estão dentro da propriedade.
Ravi arregalou os olhos.
Era impossível.
Apenas poucas pessoas conheciam aquele acesso.
Caio chegou correndo.
Caio: — O traidor abriu a passagem.
Ravi compreendeu imediatamente.
Marcelo nunca precisou invadir.
Alguém abriu a porta para ele.
Enquanto os tiros continuavam do lado de fora, Aurora percebeu uma movimentação estranha no corredor.
Um dos seguranças caminhava discretamente em direção ao escritório de Ravi.
O mesmo escritório onde o diário estava escondido.
Ela o observou.
O homem olhou para os lados.
Certificou-se de que ninguém prestava atenção.
Depois entrou na sala.
Aurora sentiu o coração acelerar.
Sem avisar ninguém, seguiu atrás dele.
Ao abrir a porta lentamente, viu o segurança revirando gavetas.
Ele encontrou o diário.
Sorriu.
Naquele instante, Aurora entendeu.
Era ele.
O traidor.
Ela deu um passo para trás.
Mas uma tábua antiga rangeu sob seu pé.
O homem virou imediatamente.
Os dois ficaram frente a frente.
Ele apontou a arma para ela.
Traidor: — Você viu demais.
Aurora levantou lentamente as mãos.
Tentava ganhar tempo.
Aurora: — Marcelo prometeu o quê?
Dinheiro?
Poder?
O homem riu.
Traidor: — Prometeu que eu sobreviveria.
E isso é mais do que Ravi pode oferecer.
Ele segurou o diário com uma das mãos.
Na outra, mantinha a arma apontada para Aurora.
Traidor: — Agora dê um passo para o lado.
Ela permaneceu imóvel.
Aurora: — Não.
O homem perdeu a paciência.
Quando começou a apertar o gatilho...
A porta foi arrombada.
Ravi: — Larga a arma!
O disparo aconteceu no mesmo instante.
BANG!
Aurora fechou os olhos por reflexo.
Por alguns segundos, ninguém se moveu.
O diário caiu no chão.
Uma gota de sangue escorreu lentamente pelo piso de madeira.
Mas não era de Aurora.
Era de Ravi.
Ele havia se colocado na frente dela mais uma vez.
Enquanto caía de joelhos, seus olhos continuavam fixos no traidor.
E, antes de perder as forças, conseguiu dizer apenas uma frase:
Ravi: — Descubram... quem ele realmente é...
Continua...
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