O relógio marcava oito horas da manhã quando Aurora afastou a cortina da sala.
A cidade já estava desperta. O trânsito intenso, as buzinas e o barulho dos vendedores ambulantes tomavam conta da avenida. Tudo parecia normal... até seus olhos encontrarem um sedã preto estacionado do outro lado da rua.
Ela estreitou os olhos.
O carro estava ali desde a noite anterior?
Não fazia ideia.
Balançou a cabeça, convencendo-se de que estava ficando paranoica.
— É só um carro... — murmurou para si mesma.
Tentou esquecer aquilo e seguiu sua rotina.
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No Complexo do Alemão, a realidade era outra.
O rádio comunicador chiava sem parar.
Homens armados circulavam pelos becos enquanto Ravi caminhava calmamente entre eles. Sua presença era suficiente para silenciar qualquer conversa.
Todos o respeitavam.
Alguns por admiração.
A maioria por medo.
Caio apareceu ao seu lado.
Caio: — A movimentação aumentou.
Ravi: — Da polícia?
Caio: — Também... mas não só deles.
Ravi parou de andar.
Ravi: — Fala.
Caio entregou um celular.
Na tela havia uma fotografia.
Aurora.
Entrando em uma cafeteria.
Caio: — Descobrimos que não somos os únicos observando ela.
Os olhos de Ravi escureceram.
Ravi: — Quem?
Caio: — Ainda não sabemos.
O silêncio tomou conta do lugar.
Aquilo não era coincidência.
Se alguém estava seguindo Aurora antes mesmo da festa, significava que ela já fazia parte de um plano.
E Ravi odiava quando jogavam um jogo sem avisá-lo.
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Aurora passou a manhã reunida com Bianca.
O escritório da empresária era moderno, cercado por discos de ouro e fotografias de artistas famosos.
Bianca fechou a porta.
Bianca: — Precisamos conversar.
Aurora percebeu o tom sério.
Aurora: — O que aconteceu?
Bianca respirou fundo.
Bianca: — Descobri quem está organizando a festa.
Aurora se inclinou para frente.
Aurora: — Então fala.
Bianca balançou a cabeça.
Bianca: — Não consegui um nome... mas descobri quem vai estar lá.
Ela deslizou um tablet sobre a mesa.
Aurora começou a ler.
Empresários.
Jogadores de futebol.
Influenciadores.
Deputados.
Cantores.
Juízes.
E diversos nomes cobertos por uma tarja preta.
Aurora: — Por que esconderam esses nomes?
Bianca: — Porque são pessoas que oficialmente nem deveriam estar juntas.
Aurora engoliu em seco.
Quanto mais descobria sobre aquela festa, menos vontade tinha de aceitar o convite.
Mas o cachê...
Era impossível ignorar.
No início da tarde...
Aurora decidiu caminhar até uma cafeteria próxima.
Precisava respirar.
Assim que entrou, pediu um cappuccino e escolheu uma mesa perto da janela.
Enquanto respondia mensagens no celular, não percebeu que dois homens ocupavam uma mesa nos fundos.
— É ela.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Um deles tirou discretamente uma fotografia.
No mesmo instante, a imagem foi enviada.
Destino:
Contato Salvo: Fantasma.
Do outro lado da cidade...
O celular de Ravi vibrou.
Uma nova mensagem.
"Encontramos outro grupo acompanhando a DJ."
A mandíbula dele travou.
Ravi: — Caio.
O braço direito apareceu imediatamente.
Caio: — Chefe?
Ravi: — Descobre quem está atrás dela.
Caio: — E se forem os homens do Falcão?
Ravi sorriu sem humor.
Ravi: — Então eles acabaram de cometer o maior erro da vida deles.
Aurora saiu da cafeteria sem imaginar que estava sendo observada.
Ela caminhava distraída quando ouviu pneus cantando.
Um carro preto parou bruscamente ao seu lado.
A porta traseira se abriu.
Dois homens desceram.
— Aurora?
Ela deu um passo para trás.
Aurora: — Quem são vocês?
O mais alto sorriu.
— O patrão quer conversar.
Ela recuou novamente.
Aurora: — Eu não conheço patrão nenhum.
Sem aviso, um deles segurou seu braço.
Aurora reagiu no impulso.
Acertou uma cotovelada no peito do homem e tentou correr.
— Segura ela!
Antes que conseguissem alcançá-la, uma caminhonete preta surgiu em alta velocidade e atravessou a frente do carro.
Os freios gritaram.
Quatro homens armados desceram.
O primeiro usava boné preto e mantinha o rosto parcialmente escondido.
— Solta ela.
A voz era firme.
Fria.
Os sequestradores riram.
— E quem vai fazer a gente soltar?
O desconhecido deu apenas um passo à frente.
Foi suficiente.
Os quatro homens atrás dele ergueram as armas ao mesmo tempo.
O sorriso dos criminosos desapareceu.
O líder deles soltou lentamente o braço de Aurora.
— Vamos embora.
Em segundos, o carro arrancou.
Aurora respirava ofegante.
O coração parecia querer sair pela boca.
Ela olhou para o homem que havia acabado de salvá-la.
Aurora: — Quem é você?
Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu sem revelar o rosto.
— Alguém que acabou de impedir você de morrer.
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele entrou novamente na caminhonete.
O veículo desapareceu entre os carros.
Aurora ficou parada no meio da calçada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
Ela ainda não sabia.
Mas o homem que acabara de salvar sua vida era justamente aquele que mudaria seu destino para sempre.
Continua...
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