A chuva castigava as janelas da mansão enquanto o mapa permanecia aberto sobre a mesa.
O círculo vermelho marcava a antiga fazenda.
Todos sabiam que aquele lugar era uma armadilha.
Mas também era a única pista que tinham.
Ravi observava o mapa em silêncio.
Seu ombro latejava a cada movimento, porém a dor física era pequena diante da certeza de que seu pai estava vivo.
Durante vinte e cinco anos, ele visitara um túmulo vazio.
Agora descobria que Augusto Ferraz passara todo esse tempo como prisioneiro de Marcelo.
Aurora aproximou-se.
Aurora: — Você não pode ir nesse estado.
Ravi levantou os olhos.
Ravi: — E se eu não for... quem vai trazer meu pai de volta?
Ela não encontrou resposta.
Na sala de monitoramento, Caio analisava as imagens captadas por um drone enviado até a fazenda.
O equipamento sobrevoava o local lentamente.
Casas abandonadas.
Um celeiro destruído.
Dois veículos estacionados.
Nenhum sinal de Clara, Helena ou Augusto.
Caio: — Está limpo demais.
Aurora olhou para a tela.
Aurora: — Você acha que eles já foram embora?
Caio cruzou os braços.
Caio: — Marcelo nunca deixa um lugar tão vazio.
Se não há homens à vista...
É porque eles querem que entremos.
Na fazenda...
Marcelo observava vários monitores.
Um sorriso surgiu quando viu o drone.
Marcelo: — Eles morderam a isca.
O capanga ao seu lado riu.
Capanga: — Derrubamos?
Marcelo balançou a cabeça.
Marcelo: — Não.
Deixe que vejam exatamente o que eu quero mostrar.
O drone entrou no antigo celeiro.
No centro havia três cadeiras.
Correntes.
Marcas de sangue.
Mas estavam vazias.
Aurora sentiu um aperto no peito.
Aurora: — Eles estiveram aí.
Caio aumentou a imagem.
Havia algo preso à parede.
Uma fotografia.
Quando o drone aproximou a câmera, Ravi congelou.
Era uma foto dele ainda criança.
Nos ombros de Augusto.
Os dois sorriam.
Na fotografia havia uma frase escrita com tinta vermelha.
"Você está sempre um passo atrás."
Caio desligou o monitor.
Caio: — Ele está brincando com a nossa cabeça.
Ravi permaneceu em silêncio.
Marcelo conhecia detalhes da sua infância.
Detalhes que só alguém muito próximo poderia conhecer.
Enquanto isso, no verdadeiro cativeiro...
Augusto estava sentado no chão, apoiado contra uma parede de concreto.
Helena limpava discretamente o sangue em seu rosto.
Helena: — Você não devia ter falado.
Augusto sorriu com dificuldade.
Augusto: — Ravi precisava saber que eu estava vivo.
Clara aproximou-se.
Clara: — Ele nunca desistiu de você.
Os olhos de Augusto se encheram de lágrimas.
Augusto: — Eu sei.
E isso é o que mais me dói.
Na mansão, Ravi pediu que todos saíssem da sala.
Queria ficar sozinho.
Aurora hesitou.
Mas respeitou seu pedido.
Assim que a porta se fechou, Ravi retirou do bolso a pequena chave da Coroa.
Observou-a por alguns segundos.
Depois abriu a gaveta da escrivaninha.
Ali havia uma fotografia antiga.
Ele criança.
Ao lado do pai.
No verso da foto havia uma frase escrita por Augusto anos antes.
"A maior força de um homem não está na arma que carrega, mas nas pessoas que escolhe proteger."
Ravi fechou os olhos.
Durante muito tempo acreditou que seu pai havia morrido como um criminoso.
Agora começava a entender que talvez Augusto tivesse sacrificado a própria liberdade para proteger algo muito maior.
Pouco depois, Aurora entrou novamente no escritório.
Encontrou Ravi olhando pela janela.
Sem dizer uma palavra, aproximou-se.
Aurora: — Quando tudo isso acabar...
O que você pretende fazer?
Ele demorou alguns segundos para responder.
Ravi: — Nunca pensei que existiria um depois.
Ela sorriu de leve.
Aurora: — Então começa a pensar.
Porque eu pretendo estar nele.
Ravi virou lentamente.
Os olhos dos dois se encontraram.
Pela primeira vez, ele permitiu que a armadura que carregava desaparecesse.
Segurou delicadamente a mão dela.
Ravi: — Você me deu um motivo para acreditar que ainda existe um futuro.
Aurora aproximou-se.
Os rostos ficaram a poucos centímetros.
Mas antes que seus lábios se encontrassem...
O celular de Caio tocou.
Ele entrou correndo no escritório.
Seu rosto estava completamente pálido.
Caio: — Chefe...
Acabaram de invadir o jazigo da família Ferraz.
Ravi franziu a testa.
Ravi: — O quê?
Caio: — O túmulo do seu pai...
Foi aberto.
Os três seguiram imediatamente para o cemitério.
Quando chegaram, encontraram a polícia isolando a área.
O caixão estava aberto.
Completamente vazio.
Dentro havia apenas um envelope preto.
Ravi o abriu com as mãos trêmulas.
Dentro havia uma única folha.
Com a letra de Marcelo.
"Agora você finalmente acredita que seu pai nunca esteve morto.
Mas existe uma pergunta que você ainda não fez...
Se Augusto estava vivo esse tempo todo...
Quem foi enterrado no lugar dele?"
Ravi sentiu um calafrio percorrer seu corpo.
Se havia outro corpo naquele túmulo...
Então havia mais uma vítima esquecida.
Mais um segredo enterrado por vinte e cinco anos.
E Marcelo acabara de desenterrá-lo.
Continua...
💜 Gostou do capítulo? Então me ajude a continuar essa história! 💜
Seu apoio faz toda a diferença! Se você está apaixonada por essa fanfic:
❤️ Curta este capítulo.
📚 Adicione a história à sua biblioteca para não perder nenhuma atualização.
⭐ Siga o meu perfil para acompanhar todas as novidades e novas histórias.
💬 Deixe um comentário dizendo o que você achou ou quais são suas teorias. Eu adoro ler cada mensagem!
Cada curtida, comentário, seguidor e história salva na biblioteca me incentiva a escrever capítulos ainda melhores.
Obrigada por fazer parte dessa jornada. Nos vemos no próximo capítulo! 💖✨