O cheiro de fumaça ainda dominava o ar.
Aurora, Ravi e Caio observavam, em silêncio, os escombros da antiga base da Coroa n***a. O fogo consumia o que restava do esconderijo, levando consigo anos de segredos.
Ravi levou a mão ao bolso da jaqueta.
O pen drive e a carta permaneciam intactos.
Ele respirou fundo.
Aurora: — Vamos descobrir o que seu pai deixou para você.
Caio olhou ao redor antes de responder.
Caio: — Não aqui. Marcelo pode estar nos observando.
Os três entraram no carro e seguiram para um dos esconderijos da organização. O local era discreto, protegido por homens de confiança de Ravi.
Assim que chegaram, Ravi fechou a porta do escritório.
Com cuidado, abriu a carta.
O silêncio tomou conta da sala.
Ele começou a ler em voz alta.
Ravi: — "Filho, se estas palavras chegaram até você, significa que eu falhei em protegê-lo pessoalmente. Mas consegui esconder a única prova capaz de destruir a Coroa Negra."
Aurora aproximou-se.
Caio cruzou os braços.
A carta continuava.
Ravi: — "Nunca confie em Marcelo. Mas também não confie em todos que estão ao seu lado. Existe um segundo traidor dentro da organização."
Os três se entreolharam.
Aurora: — Outro traidor?
Ravi continuou.
Ravi: — "Ele esteve presente em todas as reuniões importantes. Sempre fingiu lealdade. Quando descobrir quem é, não hesite."
Caio fechou os punhos.
Caio: — Isso explica como Marcelo sempre descobria nossos planos.
Ravi virou a última página.
No fim da carta havia apenas uma frase.
"Confie apenas na chave de prata."
Aurora franziu a testa.
Aurora: — Chave de prata?
Ravi retirou do bolso o pequeno pingente encontrado dias antes.
Ele o observou atentamente.
Havia um detalhe que nunca tinha percebido.
No verso existia uma pequena f***a.
Com a ponta de uma faca, conseguiu abri-la.
Dentro havia uma minúscula chave prateada.
Caio: — Meu Deus...
Aurora sorriu.
Aurora: — Era isso que seu pai queria dizer.
Ravi segurou a pequena chave entre os dedos.
Naquele momento, o computador da sala emitiu um som.
Um dos homens da segurança entrou apressado.
Segurança: — Senhor...
Encontramos um dispositivo escondido no pen drive.
Ravi aproximou-se.
O técnico conectou o arquivo.
Na tela surgiu um vídeo.
A imagem estava antiga.
Mas era impossível não reconhecer.
Era o pai de Ravi.
Mais jovem.
Ao lado dele estava...
Marcelo.
Os dois sorriam como irmãos.
Aurora levou a mão à boca.
Aurora: — Eles trabalhavam juntos...
O vídeo continuou.
Então uma terceira pessoa entrou na sala.
Ravi arregalou os olhos.
Era Caio.
Ainda adolescente.
Caio ficou completamente pálido.
Caio: — Eu... não me lembro disso.
Ravi olhou para o amigo.
Pela primeira vez desde que se conheceram, uma dúvida surgiu em seu coração.
Antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa, o vídeo foi interrompido.
A tela ficou preta.
Em seguida apareceu uma única mensagem.
"O verdadeiro inimigo nunca esteve do lado de fora."
O silêncio tornou-se pesado.
Aurora observava Ravi.
Ravi observava Caio.
E Caio... não conseguia explicar o próprio passado.
Continua...
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