Aurora deixou o camarim ainda pensando no convite misterioso.
Meio milhão de reais por uma única apresentação.
Aquilo não fazia sentido.
Ela entrou em seu carro e ligou o motor. A cidade continuava acordada. O relógio marcava duas e quarenta e sete da manhã, mas o Rio parecia respirar mais forte durante a madrugada.
Seu celular vibrou.
Bianca: Já decidiu?
Aurora respondeu rapidamente.
Aurora: Ainda não. Tem alguma informação sobre quem contratou?
Os três pontinhos apareceram na tela.
Bianca: Nada. Só sei que o pagamento já caiu na conta da agência.
Aurora franziu a testa.
— Eles pagaram antes?
Ela desligou o celular e acelerou.
Alguma coisa estava errada.
Enquanto isso...
No alto do morro, Ravi observava a cidade da varanda de sua cobertura.
As luzes pareciam pequenas diante da imensidão da noite.
Um homem entrou sem bater.
Era Caio, seu braço direito.
Caio: — A DJ aceitou conversar sobre o evento.
Ravi permaneceu em silêncio.
Caio: — Quer que eu aumente a segurança?
Ravi: — Dobre os homens.
Caio: — Está esperando problema?
Ravi sorriu de lado.
Ravi: — Eu nunca espero. Eu me preparo.
Caio assentiu.
Era exatamente por isso que Ravi continuava vivo.
Na manhã seguinte...
Aurora acordou com o som insistente da campainha.
Ainda sonolenta, caminhou até a porta.
Quando abriu, encontrou um entregador.
— Senhora Aurora?
— Sim.
— Assine aqui.
Ela pegou uma caixa preta envolvida por uma fita dourada.
Assim que fechou a porta, colocou a embalagem sobre a mesa.
Dentro havia um vestido longo, vermelho, elegante e extremamente sofisticado.
Ao lado dele...
Uma pequena caixa de veludo.
Aurora abriu.
Um colar de diamantes.
E um cartão.
"Vista-se para uma noite inesquecível."
Sem assinatura.
Sem nome.
Ela respirou fundo.
— Quem é você...?
No mesmo instante...
Ravi recebia a visita de um velho aliado.
— A polícia está se movimentando.
Ravi: — Eu já esperava.
— Tem outra coisa...
O homem colocou uma fotografia sobre a mesa.
Era Aurora.
Ravi pegou a foto entre os dedos.
Por alguns segundos, ficou em silêncio.
Ela era ainda mais bonita do que nas imagens da internet.
Olhos claros.
Sorriso marcante.
Uma mulher que parecia não pertencer ao mundo em que ele vivia.
Caio: — Tem certeza de que quer envolvê-la nisso?
Ravi continuou olhando a fotografia.
Ravi: — Não fui eu quem colocou ela no meu caminho.
Ele apoiou a foto sobre a mesa.
Ravi: — Mas agora... ninguém mais encosta nela.
Do lado de fora, um carro preto estacionava lentamente em frente ao prédio de Aurora.
Dentro dele, dois homens observavam a entrada.
— É ela?
— Sim.
— Espera sair.
Sem perceber, Aurora já estava sendo seguida.
E aquela era apenas a primeira peça de um jogo muito maior do que ela imaginava.
Continua...
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