A sala de interrogatório era simples.
Uma mesa de madeira.
Duas cadeiras.
Uma única lâmpada iluminava o ambiente.
O homem capturado mantinha a cabeça baixa. Seu rosto estava machucado, e uma das mãos tremia sobre a mesa.
Ravi entrou acompanhado de Caio.
O silêncio se instalou.
Ele puxou a cadeira e sentou-se de frente para o prisioneiro.
Ravi: — Você pediu para falar.
O homem ergueu o olhar lentamente.
Havia medo estampado em seu rosto.
Homem: — Se eu contar... ele me mata.
Ravi apoiou os cotovelos sobre a mesa.
Ravi: — Se você não contar, eu mesmo faço isso.
O homem engoliu em seco.
Sabia que Ravi nunca repetia uma ameaça.
Homem: — A garota... ela nunca foi o alvo principal.
Caio trocou um olhar rápido com Ravi.
Caio: — Então por que tentaram sequestrá-la?
O homem respirou fundo.
Homem: — Porque ela é a chave.
Ravi franziu a testa.
Ravi: — Chave para quê?
O homem sorriu sem humor.
Homem: — Isso... só o Marcelo sabe.
Antes que pudesse continuar, um estampido ecoou do lado de fora.
BANG!
Outro disparo.
BANG! BANG!
Os homens de Ravi correram pelos corredores.
Caio sacou a arma imediatamente.
Caio: — Estão invadindo!
Ravi levantou da cadeira em um único movimento.
Seu olhar endureceu.
Ravi: — Tirem esse homem daqui.
Na mansão...
Aurora caminhava inquieta pela varanda do segundo andar.
Desde que Ravi saíra, um aperto estranho ocupava seu peito.
Ela não conseguia explicar.
Talvez fosse medo.
Talvez fosse preocupação.
Ou talvez estivesse começando a perceber que sua vida jamais voltaria a ser a mesma.
Helena apareceu com duas xícaras de chá.
Helena: — Não consegue dormir?
Aurora sorriu de leve.
Aurora: — Acho que esqueci como faz isso.
Helena sentou ao seu lado.
Durante alguns minutos, apenas observaram a lua iluminando o jardim.
Helena: — Você gosta dele.
Aurora quase derrubou a xícara.
Aurora: — O quê?
Helena riu.
Helena: — Não precisa esconder de mim.
Aurora desviou o olhar.
Aurora: — Eu m*l conheço o Ravi.
Helena: — O coração nunca espera conhecer alguém direito para começar a sentir.
Aurora permaneceu em silêncio.
Gostava da companhia dele.
Sentia-se segura quando Ravi estava por perto.
Mas aceitar aquilo significava entrar em um mundo do qual sempre quis ficar distante.
Enquanto isso...
A troca de tiros aumentava.
Os invasores tentavam resgatar o homem preso.
Ravi caminhava pelo galpão com a arma em punho.
Cada passo era calculado.
Um disparo atingiu a parede ao seu lado.
Caio respondeu imediatamente.
Os criminosos começaram a recuar.
Em poucos minutos, o silêncio voltou.
Os homens fizeram uma varredura no local.
Caio: — Acabou.
Ravi caminhou até a sala do interrogatório.
Abriu a porta.
Parou.
O prisioneiro estava caído no chão.
Um tiro certeiro atravessava sua testa.
Na parede, escrito com tinta vermelha, havia apenas uma frase:
"Você está sempre um passo atrás."
Ravi fechou os punhos.
Marcelo havia conseguido eliminar a única pessoa que poderia revelar a verdade.
Já passava das duas da manhã quando Ravi retornou à mansão.
Aurora ainda estava acordada.
Ao ouvir a porta abrir, levantou rapidamente do sofá.
Ela caminhou até ele.
Sem perceber, diminuiu a distância entre os dois.
Aurora: — Você está bem?
Ravi apenas assentiu.
Ela observou um pequeno corte acima de sua sobrancelha.
Instintivamente, levou a mão até o rosto dele.
Os dedos tocaram sua pele com delicadeza.
Os dois ficaram imóveis.
Os olhos de Ravi encontraram os dela.
Por alguns segundos...
Parecia que o mundo inteiro havia desaparecido.
Aurora retirou a mão devagar.
Aurora: — Está sangrando.
Ravi: — É só um arranhão.
Ela respirou fundo.
Aurora: — Espera aqui.
Minutos depois, voltou com uma caixa de primeiros socorros.
Ravi tentou protestar.
Ravi: — Não precisa...
Aurora: — Fica quieto.
Ele obedeceu.
Ela limpou cuidadosamente o pequeno ferimento.
Seus rostos estavam muito próximos.
Ravi podia sentir o perfume suave que vinha dos cabelos dela.
Aurora, por sua vez, percebeu que, por trás da aparência intimidadora, ele carregava um cansaço profundo.
Quando terminou, sorriu discretamente.
Aurora: — Pronto.
Ravi continuou olhando para ela.
Ravi: — Obrigado.
A palavra saiu baixa.
Sincera.
Foi a primeira vez que Aurora o viu baixar a guarda.
Mas aquele momento durou pouco.
O celular de Caio tocou.
Ele atendeu imediatamente e entrou na sala com o semblante tenso.
Caio: — Chefe... acabaram de descobrir quem é o verdadeiro alvo.
Ravi se levantou.
Ravi: — Quem?
Caio respirou fundo antes de responder.
Caio: — Não é a Aurora.
Ela olhou para os dois, confusa.
Aurora: — Então quem é?
Caio encarou Ravi.
Caio: — É a mulher que a criou.
O sangue de Aurora gelou.
Sua mãe.
Ela não fazia ideia de que, naquele exato momento, homens armados já estavam seguindo cada passo da única família que lhe restava.
Continua...
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