Capítulo 6 – A Guerra Começou

807 Words
O silêncio dominou a varanda. Ravi permaneceu imóvel, segurando o celular contra o ouvido enquanto observava Aurora admirar o pôr do sol. Ela ainda não sabia. Ainda acreditava que tudo aquilo fosse apenas uma sequência de acontecimentos infelizes. Mas não era. Ela havia sido colocada no centro de uma guerra. Ravi: — Não mexam no corpo. Caio (telefone): — Já isolei o local. Ravi: — Estou indo. Ele desligou a ligação. Aurora percebeu imediatamente a mudança em sua expressão. Aurora: — Aconteceu alguma coisa? Ravi respirou fundo. Não gostava de mentir. Mas também não podia contar toda a verdade. Ainda não. Ravi: — Preciso sair. Ela cruzou os braços. Aurora: — E eu? Ravi: — Você fica aqui. Aurora soltou uma risada irônica. Aurora: — Isso não foi um pedido. Ravi caminhou até ela. Parou tão perto que Aurora conseguiu sentir o perfume amadeirado que vinha dele. Seu coração acelerou involuntariamente. Ravi: — Também não foi uma escolha. Os olhos dos dois se encontraram. Por alguns segundos... Nenhum deles desviou o olhar. A tensão entre os dois era quase palpável. Foi Helena quem interrompeu o momento. Helena: — O jantar está pronto. Aurora deu um passo para trás. Sentia o rosto quente. Não entendia por que aquele homem a deixava tão nervosa. Uma hora depois... Ravi já estava dentro da caminhonete. Ao seu lado, Caio permanecia em silêncio. O veículo atravessava os becos do Complexo. Assim que chegaram ao local indicado, uma multidão havia se formado. Os homens abriram passagem imediatamente. No chão... Um corpo. As mãos estavam amarradas. O rosto completamente machucado. Caio entregou uma fotografia para Ravi. Era o mesmo homem que havia tentado sequestrar Aurora. Caio: — Encontraram ele assim. Ravi observou o cadáver. Depois percebeu um envelope preso à camisa do homem. Retirou cuidadosamente. Dentro havia apenas uma folha. Escrita à mão. "Hoje foi um aviso. A próxima bala será para quem você está protegendo." Sem assinatura. Mas Ravi sabia exatamente quem havia enviado. Marcelo Falcão. Ele amassou o papel lentamente. Ravi: — Reúna todos. Caio: — Vai começar? Ravi levantou os olhos. O olhar frio havia voltado. Ravi: — Não. Ele guardou o bilhete no bolso. Ravi: — Já começou. Enquanto isso... Na mansão. Aurora caminhava pela biblioteca. Era enorme. As estantes ocupavam quase toda a parede. Livros de economia. Direito. História. Política. Biografias. Ela passou os dedos pelas lombadas. — Você parece surpresa. Aurora virou rapidamente. Helena sorria. Aurora: — Achei que encontraria armas. Helena deu uma pequena risada. Helena: — Também tem. As duas riram. Depois Helena caminhou até uma fotografia antiga. Nela havia um menino de aproximadamente dez anos. Ao lado de uma mulher. Aurora reconheceu imediatamente. Era Ravi. Muito mais novo. Sorrindo. Um sorriso que ela jamais imaginaria ver. Aurora: — Ele era diferente. Helena acariciou a moldura. Helena: — Antes da morte do pai... Era. Aurora permaneceu em silêncio. Helena continuou. Helena: — Ravi cresceu rápido demais. Precisou aprender que, naquele lugar, ou você se torna forte... ou não sobrevive. Aurora voltou a olhar a fotografia. Pela primeira vez... Sentiu pena dele. Já passava das onze da noite quando Ravi retornou. Assim que entrou na mansão, encontrou Aurora sentada na sala assistindo televisão. Ela levantou imediatamente. Aurora: — Você está bem? Ravi apenas assentiu. Mas Aurora percebeu. Havia sangue seco em sua camiseta. Ela arregalou os olhos. Aurora: — Você foi atingido? Ele olhou para a própria roupa. Ravi: — Não é meu sangue. Mesmo assim, Aurora se aproximou. Muito devagar. Ela tocou o braço dele. Foi um gesto simples. Instintivo. Mas Ravi congelou. Fazia anos que ninguém o tocava daquela forma. Sem medo. Sem interesse. Apenas... Preocupação. Aurora percebeu que ainda segurava seu braço e afastou a mão rapidamente. Aurora: — Desculpa... Ele balançou a cabeça. Ravi: — Não precisa pedir desculpas. O silêncio voltou. Até que Caio entrou apressado na sala. Caio: — Chefe... Ravi virou. Ravi: — O que foi? Caio: — Pegamos um dos homens do Marcelo. Ele quer falar. Diz que tem informações sobre a DJ. Aurora sentiu um frio percorrer sua espinha. Ela olhou para Ravi. Aurora: — Sobre mim? Caio confirmou com a cabeça. Caio: — Ele disse que essa história começou muito antes da festa. Muito antes do convite. Muito antes de vocês se conhecerem. Ravi encarou Aurora. Pela primeira vez desde que a trouxe para sua casa... Ele começou a acreditar que ela não era apenas uma vítima. Ela era a peça que faltava naquele quebra-cabeça. E descobrir a verdade poderia custar muito mais do que imaginavam. Continua... 💜 Apoie esta história! ❤️ Curta o capítulo • 📚 Adicione à biblioteca • ⭐ Siga meu perfil. 🌙 Tem Bilhete Lunar? Vote na história e me ajude a subir no ranking! 💬 Seu comentário e 🎁 seu presente fazem toda a diferença. Obrigada por apoiar meu trabalho! ✨
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