Capítulo 5 – Sem Escolha

899 Words
Aurora permaneceu imóvel na calçada. Os carros passavam ao redor, as pessoas seguiam suas vidas normalmente, mas, para ela, o tempo parecia ter parado. À sua frente estava Ravi. O homem que estampava manchetes, que era apontado como um dos criminosos mais perigosos do Rio de Janeiro. E, contraditoriamente, o mesmo homem que havia salvado sua vida. Ela deu um passo para trás. Aurora: — Eu não vou entrar no seu carro. Ravi apoiou um dos braços na janela e a encarou sem alterar a expressão. Ravi: — Você acha que aqueles homens desistiram de você? Aurora permaneceu em silêncio. Ravi: — Eles vão voltar. — Eu posso chamar a polícia. Um sorriso discreto surgiu no rosto dele. Não era de deboche. Era como se já esperasse aquela resposta. Ravi: — Se a polícia pudesse proteger você, eles não teriam tentado te sequestrar em plena luz do dia. As palavras fizeram Aurora lembrar da cena. Do braço sendo puxado. Do medo. Da caminhonete preta surgindo de repente. Ela respirou fundo. Aurora: — O que você quer comigo? Ravi respondeu sem hesitar. Ravi: — Descobrir por que estão tentando chegar até você. — Eu não conheço ninguém. — Talvez você não conheça... mas alguém conhece você. No mesmo instante... No escritório de Marcelo Falcão. Um copo de uísque foi arremessado contra a parede. O vidro se estilhaçou. Os homens presentes abaixaram a cabeça. Marcelo caminhava de um lado para o outro. Sua paciência estava no limite. Marcelo: — Como ele apareceu naquele momento? Ninguém respondeu. Marcelo: — Eu fiz uma pergunta! Um dos capangas criou coragem. Capanga: — Parece que o Ravi já estava seguindo a garota. Marcelo parou. Pensou por alguns segundos. Depois sorriu. Um sorriso frio. Perigoso. Marcelo: — Então ele se interessou por ela. Ele caminhou até a janela. — Ótimo... Agora eu sei exatamente onde atacar. Aurora finalmente entrou no carro. Assim que fechou a porta, percebeu o cheiro suave de couro misturado ao perfume amadeirado de Ravi. O veículo arrancou. O silêncio dominou o ambiente durante vários minutos. Ela observava a cidade pela janela. Ele permanecia atento ao trânsito. Foi Aurora quem resolveu quebrar o silêncio. Aurora: — Você sempre anda com escolta? Ravi olhou rapidamente pelo retrovisor. Dois SUVs pretos os acompanhavam. Ravi: — Sempre. — Tem medo de morrer? Ele soltou um leve riso. Ravi: — Não. Ela arqueou a sobrancelha. Aurora: — Então por quê? Ravi: — Porque existem pessoas que sonham em me matar. Aurora ficou sem resposta. Depois de quase quarenta minutos, o carro entrou por uma estrada estreita cercada por árvores. Aurora olhou pela janela. Não reconhecia aquele lugar. Pouco depois, enormes portões de ferro se abriram. Atrás deles havia uma mansão moderna. Piscina. Jardins. Vidros espelhados. Seguranças espalhados por toda parte. Ela olhou para Ravi. Aurora: — Isso não parece um esconderijo. Ravi: — Não é. — Então o que é? Ele desligou o motor. Ravi: — Minha casa. Aurora arregalou os olhos. Ela esperava encontrar um barraco no alto do morro. Jamais imaginou aquela propriedade luxuosa. Ravi percebeu sua surpresa. Ravi: — Decepcionada? Ela balançou a cabeça. Aurora: — Surpresa. Assim que entrou na mansão, Aurora ficou impressionada. Tudo era sofisticado. Obras de arte decoravam as paredes. O piso de mármore refletia a luz dos enormes lustres. Não havia ostentação exagerada. Havia bom gosto. Uma senhora de aproximadamente sessenta anos apareceu sorrindo. Helena: — Seja bem-vinda. Aurora sorriu de forma educada. Aurora: — Obrigada. Helena lançou um olhar repreensivo para Ravi. Helena: — Você trouxe a menina sem avisar? Ravi apenas deu de ombros. Ravi: — Foi necessário. Helena suspirou. Helena: — Continue sendo grosso desse jeito e vai morrer solteiro. Aurora não conseguiu segurar o riso. Pela primeira vez, viu Ravi desviar o olhar, claramente sem graça. Mais tarde... Aurora estava na varanda do quarto de hóspedes quando Ravi apareceu. Ele segurava duas xícaras de café. Entregou uma para ela. Ravi: — Achei que você pudesse precisar. Ela aceitou. Aurora: — Obrigada. Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes. A vista era incrível. O sol começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados. Aurora: — Posso fazer uma pergunta? Ravi: — Pode. — Por que me salvou? Ravi demorou alguns segundos para responder. Ravi: — Porque pessoas inocentes não deveriam pagar pelas guerras dos outros. Aurora o encarou. Naquele momento, ela viu algo que ninguém mostrava nas notícias. Havia humanidade naquele homem. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o celular de Ravi tocou. Ele atendeu imediatamente. A expressão em seu rosto mudou. Caio (telefone): — Chefe... temos um problema. Ravi: — Fala. Caio: — Encontraram um corpo. O silêncio tomou conta da ligação. Caio: — E deixaram um recado. Ravi fechou os olhos por um instante. Ravi: — Que recado? A resposta fez seu sangue gelar. Caio: — "A próxima é a DJ." Ravi apertou o celular com força. Quando voltou o olhar para Aurora, ela ainda observava o pôr do sol, completamente alheia ao perigo que se aproximava. Naquele instante, ele tomou uma decisão. Custasse o que custasse... Ninguém encostaria nela. Continua... 💜 Apoie esta história! ❤️ Curta o capítulo • 📚 Adicione à biblioteca • ⭐ Siga meu perfil. 🌙 Tem Bilhete Lunar? Vote na história e me ajude a subir no ranking! 💬 Seu comentário e 🎁 seu presente fazem toda a diferença. Obrigada por apoiar meu trabalho! ✨
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