Capítulo 36 – Meia-Noite

836 Words
O relógio começou a funcionar. Tic... Tac... Tic... Cada segundo parecia mais pesado que o anterior. Ravi manteve os olhos fixos no antigo relógio de bolso. O ponteiro dos segundos avançava lentamente em direção à meia-noite. Aurora aproximou-se. Aurora: — Você acha que é uma bomba? Caio pegou o objeto com cuidado e o examinou. Caio: — Não vejo nenhum explosivo. Mas isso não significa que não seja uma armadilha. Ravi estendeu a mão. Ravi: — Me dá. Caio hesitou por um instante, mas entregou o relógio. Na tampa havia um brasão gravado. Uma coroa. A mesma marca da Coroa n***a. Ao abri-lo, Ravi encontrou uma pequena fotografia escondida. Era de uma mulher jovem. Muito bonita. Com cabelos escuros e um sorriso delicado. No verso estava escrito: "Para meu filho Ravi. Nunca esqueça que o amor vale mais que o poder." Os olhos de Ravi marejaram. Ravi: — Minha mãe... Era a primeira fotografia que via dela. Durante toda a vida imaginou seu rosto. Agora finalmente a conhecia. Aurora segurou sua mão. Aurora: — Ela era linda. Ravi apenas sorriu, emocionado. Quando o relógio marcou exatamente 00h00... Um celular desconhecido começou a tocar sobre a mesa. Todos se assustaram. Ninguém havia colocado aquele aparelho ali. Ravi atendeu. Do outro lado, ouviu uma voz calma. Firme. Imponente. Domingos: — Boa noite, meu neto. O ambiente ficou em silêncio. Ravi: — O que você quer? Domingos riu. Domingos: — Conhecer você. Pessoalmente. Ravi apertou o telefone. Ravi: — Depois de destruir minha família? Domingos: — Sua família? Meu rapaz... Sua família sempre foi a minha. Quem roubou você de mim foi Augusto. Aurora observava Ravi atentamente. Ela percebia que Domingos tentava manipulá-lo. Assim como fizera com Marcelo. Ravi: — Augusto me salvou. Domingos suspirou. Domingos: — Foi isso que contaram para você. Mas eu posso provar que está errado. Enquanto falava, uma mensagem chegou ao celular. Era uma localização. Junto dela havia um vídeo. Domingos pediu apenas uma coisa. Domingos: — Assista. A ligação foi encerrada. Caio conectou imediatamente o vídeo ao computador. Na tela apareceu uma gravação antiga. A imagem era r**m. Mas mostrava claramente Augusto correndo com um menino nos braços. Era Ravi. Atrás deles, homens armados disparavam. De repente... Augusto entrou em um carro. Ao lado dele estava uma mulher. A mãe de Ravi. Ela entregou o menino ao marido. Depois fechou a porta. Ficou para trás. Segundos depois... Uma explosão tomou conta do local. Aurora levou a mão à boca. Ravi sentiu as pernas fraquejarem. No vídeo seguinte... Domingos aparecia chegando ao local da explosão. Ele corria desesperado. Gritava o nome da filha. Ajoelhava-se diante dos escombros. Chorava. A gravação terminava ali. O silêncio tomou conta da sala. Caio franziu a testa. Caio: — Isso muda muita coisa. Aurora olhou para Ravi. Ela sabia exatamente o que ele estava pensando. Se o vídeo fosse verdadeiro... Domingos realmente perdera a filha naquela noite. Mas isso não justificava tudo o que fez depois. Na fazenda Valença... Domingos observava a mesma gravação em outro monitor. Um homem entrou na sala. Era o velho advogado da família. Advogado: — O senhor mostrou apenas metade da verdade. Domingos permaneceu olhando para a tela. Domingos: — A outra metade... Ele descobrirá quando chegar aqui. Na mansão... Helena pediu para falar com Ravi. Ele entrou sozinho no quarto. Ela parecia mais fraca. Mas continuava lúcida. Helena: — Você viu o vídeo. Ravi confirmou. Ravi: — Ele realmente amava minha mãe? Helena fechou os olhos. Depois respondeu. Helena: — Sim. Mas amar alguém... Não transforma uma pessoa em boa. Ela segurou a mão dele. Helena: — Domingos amava sua filha. Mas amava ainda mais o poder. Quando ela escolheu fugir com Augusto... Ele decidiu que ninguém mais teria direito à felicidade. Foi naquele dia que nasceu o homem que vocês conhecem hoje. Ravi permaneceu em silêncio. Helena continuou. Helena: — Nunca esqueça... Uma verdade incompleta também pode ser uma mentira. Essas palavras ficaram gravadas na mente dele. Pouco antes do amanhecer... Caio entrou correndo na sala. Seu rosto estava completamente branco. Caio: — Chefe... Conseguimos rastrear a localização enviada por Domingos. Ravi levantou imediatamente. Ravi: — Onde fica? Caio respirou fundo. Caio: — Na Fortaleza Valença. Mas tem um detalhe... Ele ampliou o mapa. A fortaleza estava construída sobre uma pequena ilha particular, cercada por mar e falésias. Havia apenas uma única ponte de acesso. E imagens de satélite mostravam dezenas de homens armados patrulhando a entrada. Aurora observou a tela. Aurora: — É um suicídio entrar por ali. Ravi olhou novamente para a fotografia da mãe. Depois fechou lentamente o relógio de bolso. Ravi: — Talvez... Mas é lá que essa história começou. E é lá... Que ela vai terminar. Continua... 💜 Apoie esta história! ❤️ Curta o capítulo • 📚 Adicione à biblioteca • ⭐ Siga meu perfil. 🌙 Tem Bilhete Lunar? 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