Capítulo 33 – O Verdadeiro Rei

845 Words
O silêncio durou apenas alguns segundos. Ravi ainda segurava o rádio em que a voz havia ecoado. As últimas palavras permaneciam gravadas em sua mente. "Vou terminar o trabalho pessoalmente." Caio foi o primeiro a quebrar o silêncio. Caio: — Precisamos sair daqui. Agora. Ravi voltou a si. Olhou para Helena, que permanecia deitada no chão, respirando com dificuldade. Depois para Marcelo, que continuava imóvel, completamente abalado. Durante anos, acreditou que Marcelo fosse o homem mais perigoso da Coroa n***a. Agora descobria que ele também era uma vítima. Não inocente. Mas manipulada. As sirenes das ambulâncias começaram a ecoar do lado de fora do galpão. Os homens de Ravi rapidamente assumiram o controle do local. Os capangas de Marcelo foram desarmados e algemados. Nenhum deles ofereceu resistência. O choque pela revelação parecia ter destruído a lealdade que sentiam pelo chefe. Dois socorristas correram até Helena. Aurora permaneceu ao lado dela. Segurava sua mão com força. Médico: — Precisamos levá-la imediatamente. Ela perdeu muito sangue. Helena abriu lentamente os olhos. Procurou Ravi. Helena: — Filho... Ravi ajoelhou-se ao lado dela. Ravi: — Eu estou aqui. Helena sorriu com dificuldade. Pela primeira vez em muitos anos, havia paz em seu olhar. Helena: — Seu pai... Nunca deixou... De ter orgulho de você. As lágrimas escorreram pelo rosto de Ravi. Ele segurou delicadamente a mão da mulher que o criou. Ravi: — Você vai dizer isso para ele. Nós vamos tirá-lo de lá. Helena fechou os olhos por alguns segundos. Depois voltou a abri-los. Helena: — Não esqueça... De Isabela. Ela é... A chave. Antes que pudesse continuar, os médicos a colocaram na maca e correram para a ambulância. Aurora observou o veículo desaparecer entre a chuva. Rezava em silêncio para que Helena sobrevivesse. Enquanto isso... Marcelo permanecia sentado na passarela. O olhar perdido. As mãos cobertas de sangue. Ravi caminhou até ele. Parou a poucos metros de distância. Os dois permaneceram em silêncio durante alguns instantes. Foi Marcelo quem falou primeiro. Marcelo: — Passei metade da minha vida tentando matar você. Ravi não respondeu. Marcelo soltou uma risada amarga. Marcelo: — E descobri que lutei pela pessoa errada. Ele levantou lentamente os olhos. Marcelo: — Meu pai matou minha irmã... Não matou? Ravi respirou fundo. Ravi: — Ainda não sabemos toda a verdade. Mas vamos descobrir. Marcelo abaixou a cabeça. Pela primeira vez desde o início daquela guerra... Parecia derrotado. Não por Ravi. Mas pela verdade. Na mansão, horas depois... Caio espalhou vários documentos sobre a mesa. Todos haviam sido encontrados no galpão. Mapas. Contas bancárias. Nomes de empresários. Políticos. Juízes. Policiais. A influência da Coroa n***a era muito maior do que imaginavam. Aurora observava cada folha. Até que encontrou uma fotografia. Era recente. Mostrava um homem de cabelos grisalhos entrando em um helicóptero. No verso havia uma assinatura. D. Valença. Aurora: — Quem é esse? Caio olhou a fotografia. Seu rosto ficou sério. Caio: — Nunca vi esse homem. Mas esse sobrenome... Já apareceu em documentos antigos. Ravi pegou outra pasta. Dentro havia uma lista dos fundadores da Coroa n***a. No topo dos nomes estava escrito: Domingos Valença. Ao lado... Uma única observação. Fundador. O silêncio tomou conta da sala. Aurora respirou fundo. Aurora: — Então... O pai de Marcelo não era o verdadeiro líder. Ravi balançou lentamente a cabeça. Ravi: — Não. Ele apenas respondia a alguém. Na mesma noite... Em uma fazenda isolada, longe da cidade... Um helicóptero pousou lentamente. Um homem elegante desceu da aeronave. Tinha cabelos grisalhos, postura impecável e um olhar frio. Entrou em uma casa antiga sem dizer uma palavra. Dois seguranças abriram caminho. No centro da sala havia um enorme tabuleiro de xadrez. O homem retirou uma peça. O rei preto. Colocou-a sobre a mesa. Depois sorriu. Domingos Valença: — Marcelo perdeu. Mas isso era esperado. Um dos seguranças aproximou-se. Segurança: — Devemos eliminar Ravi? Domingos caminhou até a janela. Observou a chuva cair sobre a plantação. Domingos: — Não. Ainda não. Ele é exatamente a peça que preciso para abrir o Cofre Final. O segurança franziu a testa. Segurança: — E se ele descobrir quem o senhor realmente é? Domingos sorriu. Um sorriso frio. Calculado. Domingos: — Quando isso acontecer... Já será tarde demais. Ele olhou para uma fotografia antiga sobre a lareira. Nela apareciam Augusto. Clara. Helena. E um menino de aproximadamente dez anos. Ravi. Domingos passou os dedos sobre a imagem. Domingos: — Você cresceu exatamente como eu planejei. O homem colocou a fotografia novamente sobre a lareira. Enquanto isso, do outro lado da cidade, Ravi observava a lua pela janela da mansão. Sem saber... O homem que realmente comandava a Coroa n***a já observava cada um de seus passos havia muitos anos. E a guerra estava prestes a entrar em sua fase mais perigosa. Continua.. 💜 Apoie esta história! ❤️ Curta o capítulo • 📚 Adicione à biblioteca • ⭐ Siga meu perfil. 🌙 Tem Bilhete Lunar? Vote na história e me ajude a subir no ranking! 💬 Seu comentário e 🎁 seu presente fazem toda a diferença. Obrigada por apoiar meu trabalho! ✨
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