A chuva caía com força sobre o galpão abandonado.
O cheiro de pólvora dominava o ar.
De um lado, Ravi mantinha Aurora protegida atrás de si.
Do outro, Marcelo segurava a arma apontada para a cabeça de Clara.
Os segundos pareciam intermináveis.
Marcelo abriu um sorriso debochado.
Marcelo: — Então, Ravi... qual vai ser?
Ravi não respondeu.
Seus olhos analisavam cada detalhe.
O posicionamento dos homens.
As saídas.
A distância até Clara.
Qualquer movimento errado significaria uma tragédia.
Aurora apertou discretamente a manga da jaqueta dele.
Aurora (baixinho): — Não deixa minha mãe morrer.
Ele virou o rosto apenas o suficiente para olhá-la.
Havia desespero em seus olhos.
Ravi respirou fundo.
Não podia perder a concentração.
Marcelo deu mais um passo à frente.
Marcelo: — Estou perdendo a paciência.
Ele engatilhou a arma.
O som metálico fez Clara fechar os olhos.
Clara: — Não faz isso, Aurora!
A jovem deu um passo à frente.
Aurora: — Eu vou com você.
Ravi segurou seu braço imediatamente.
Ravi: — Não.
Ela tentou se soltar.
Aurora: — É a única maneira.
Ravi: — Não existe acordo com um homem como ele.
Marcelo riu.
Marcelo: — Finalmente concordamos em alguma coisa.
Enquanto todos discutiam, Caio observava discretamente o telhado do galpão.
Algo chamou sua atenção.
Um pequeno brilho.
Mira de um rifle.
Seu coração acelerou.
Ele levou a mão até o rádio preso ao colete.
Caio (baixo): — Chefe...
Ravi continuava encarando Marcelo.
Caio: — Tem um atirador.
Ravi permaneceu imóvel.
Não podia demonstrar que sabia.
Marcelo continuava falando.
Marcelo: — Você sempre estraga meus planos.
Mas hoje...
Hoje você vai assistir a garota morrer.
Aurora arregalou os olhos.
Clara começou a gritar.
Clara: — Não!
Foi nesse instante que Ravi tomou sua decisão.
Tudo aconteceu em questão de segundos.
Ravi empurrou Aurora para o chão.
No mesmo instante...
BANG!
O disparo ecoou pelo galpão.
Uma bala atravessou o ombro de Ravi.
Ele caiu de joelhos.
Aurora gritou.
Aurora: — Ravi!
Os homens de Marcelo começaram a atirar.
Os seguranças de Ravi responderam imediatamente.
O galpão virou um campo de guerra.
Caio correu até Ravi.
Caio: — Chefe!
Ravi ignorou a dor.
Olhou apenas para Aurora.
Ravi: — Você está bem?
Ela assentiu, chorando.
A bala que seria dela havia atingido Ravi.
Marcelo percebeu que perderia o controle da situação.
Olhou para Clara.
Depois sorriu.
Marcelo: — Isso ainda não acabou.
Ele fez um sinal.
Uma bomba de fumaça foi lançada.
O ambiente ficou completamente branco.
Os disparos cessaram.
Quando a fumaça começou a desaparecer...
Marcelo havia sumido.
E Clara também.
Aurora correu desesperada pelo galpão.
Aurora: — Mãe!
Nenhuma resposta.
Ela caiu de joelhos.
As lágrimas misturavam-se com a água da chuva.
Poucos minutos depois...
As ambulâncias particulares de Ravi chegaram ao local.
Um médico examinava o ferimento.
Médico: — A bala atravessou.
Você teve sorte.
Ravi olhou para Aurora.
Ela permanecia sentada em silêncio, completamente abalada.
As roupas estavam cobertas de poeira.
O corte na testa ainda sangrava.
Ele levantou-se mesmo contra a orientação do médico.
Caminhou lentamente até ela.
Sentou-se ao seu lado.
Durante alguns segundos...
Nenhum dos dois falou.
Então Aurora segurou a mão dele.
Com força.
Aurora: — Você podia ter morrido.
Ravi sorriu discretamente.
Ravi: — Mas não morri.
Ela balançou a cabeça.
Aurora: — Por quê?
Ele a encarou.
A pergunta parecia simples.
Mas a resposta mudaria tudo.
Ravi respirou fundo.
Ravi: — Porque eu não suportaria ver aquela bala atingir você.
Aurora sentiu o coração acelerar.
Os olhos se encheram novamente de lágrimas.
Ela levou a mão até o rosto dele.
Dessa vez, não havia medo.
Apenas carinho.
Os dois permaneceram olhando um para o outro.
A poucos centímetros de distância.
O mundo ao redor parecia desaparecer.
Mas antes que qualquer um dissesse algo...
O celular de Caio tocou.
Ele atendeu e empalideceu.
Caio: — Chefe...
Ravi desviou o olhar de Aurora.
Ravi: — O que foi?
Caio respirou fundo.
Caio: — Acabaram de invadir a mansão.
O silêncio caiu sobre todos.
Caio: — E dona Helena... desapareceu.
Aurora levou a mão à boca.
Ravi fechou os olhos por um segundo.
Marcelo não queria apenas vencer a guerra.
Ele queria destruir tudo o que Ravi amava.
E tinha acabado de dar mais um passo nessa direção.
Continua...
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