Capítulo 32 – A Confissão

928 Words
O silêncio que tomou conta do galpão parecia mais ensurdecedor do que os tiros que haviam sido disparados minutos antes. Marcelo permanecia imóvel. A arma continuava apontada para Ravi, mas sua mão tremia pela primeira vez. As palavras de Helena haviam atingido um lugar que ele mantinha trancado havia décadas. Helena: — Você foi enganado... Marcelo respirava com dificuldade. Seu olhar alternava entre Helena e Ravi. Como se procurasse em seus rostos a resposta que buscara durante toda a vida. Marcelo: — Você está mentindo. Helena sorriu com tristeza. Mesmo ferida, ainda encontrava forças para enfrentá-lo. Helena: — Seu pai precisava de um culpado. E encontrou Augusto. Marcelo deu um passo para trás. Seu coração acelerava. As lembranças da infância começaram a voltar. Fragmentos que ele nunca conseguira compreender. A discussão dos pais. O choro da irmã. Os gritos naquela madrugada. Uma porta batendo. Depois... O silêncio. Ravi abaixou lentamente a arma. Ele percebeu que Marcelo já não estava lutando contra ele. Lutava contra o próprio passado. Ravi: — Meu pai nunca matou sua irmã. Marcelo olhou para ele com os olhos marejados. Marcelo: — Cala a boca! Ravi: — Se ele fosse culpado... Por que passaria vinte e cinco anos preso? Marcelo não respondeu. Nunca havia pensado naquela possibilidade. Sempre acreditara na versão contada pelo pai. Sem questionar. Sem procurar provas. Aurora ajoelhou-se novamente ao lado de Helena. O ferimento piorava a cada minuto. O sangue atravessava o tecido improvisado que ela pressionava contra o abdômen. Aurora: — Você precisa resistir. A ambulância já está vindo. Helena sorriu. Helena: — Não se preocupe comigo. Ela segurou a mão de Aurora. Helena: — Sua mãe... Sempre dizia... Que você herdou... O coração do seu pai. Aurora começou a chorar. Aurora: — Você vai contar isso para ela pessoalmente. Helena fechou os olhos por um instante. Depois voltou a abri-los. Havia urgência em sua voz. Helena: — Escute com atenção... Existe uma pessoa... Que vocês ainda não encontraram. Ela sabe... Toda a verdade. Ao ouvir aquelas palavras, Ravi aproximou-se. Ravi: — Quem? Helena respirou profundamente. Cada palavra parecia exigir um enorme esforço. Helena: — Isabela... Marcelo congelou. Seu corpo inteiro enrijeceu. Ele conhecia aquele nome. Conhecia melhor do que qualquer outra pessoa. Marcelo: — Não... Isso é impossível. Helena voltou os olhos para ele. Helena: — Sua irmã... Está viva. O mundo pareceu parar. Nenhum dos homens armados ousou se mover. Até o vento que atravessava o galpão parecia ter desaparecido. Marcelo deixou a arma cair. O som do metal atingindo a passarela ecoou pelo ambiente. Marcelo: — Você está mentindo... Ela morreu. Eu vi o corpo. Helena balançou a cabeça lentamente. Helena: — Você viu... O corpo errado. Augusto tirou Isabela da cidade antes que seu pai pudesse encontrá-la. Mas seu pai precisava que todos acreditassem na morte dela. Então colocou outra jovem em seu lugar. Marcelo levou as mãos à cabeça. As lembranças voltavam cada vez mais claras. A mãe chorando. O caixão fechado. A ordem para ninguém abrir. Ele nunca viu o rosto da irmã. Apenas acreditou. Durante vinte e cinco anos... Construiu sua vida sobre uma mentira. Caio aproveitou a distração. Fez um sinal discreto para os homens. Um a um, eles começaram a cercar silenciosamente os capangas de Marcelo. Sem disparar um único tiro. Quando os criminosos perceberam, já estavam cercados. Caio: — Larguem as armas. Ninguém precisa morrer hoje. Alguns obedeceram imediatamente. Outros olharam para Marcelo esperando uma ordem. Mas ele permanecia imóvel. Completamente perdido. Aurora observava aquela cena sem acreditar. O homem que aterrorizara tantas pessoas agora parecia apenas um menino destruído pelas próprias lembranças. Mesmo assim, ela não conseguia esquecer tudo o que ele fizera. Os sequestros. As mortes. As mentiras. Ela aproximou-se lentamente. Aurora: — Se sua irmã realmente está viva... Então ainda existe uma chance de acabar com esse ciclo. Marcelo levantou lentamente os olhos. Havia lágrimas escorrendo por seu rosto. Marcelo: — E se vocês estiverem mentindo? Ravi respondeu antes que Aurora pudesse falar. Ravi: — Então eu mesmo entrego minha vida a você. Mas, se estivermos dizendo a verdade... Você vai responder por tudo o que fez. Marcelo permaneceu em silêncio. Nesse instante... O rádio preso ao cinto de um dos capangas começou a chiar. Uma voz grave surgiu do outro lado. Voz: — Marcelo. Todos olharam imediatamente para o aparelho. Marcelo empalideceu. Conhecia aquela voz. Era impossível esquecê-la. O homem que ele acreditava estar morto. Seu pai. Voz: — Você estragou tudo. Eu mandei eliminar Augusto há vinte e cinco anos. E você transformou essa guerra em uma obsessão. Ravi e Caio trocaram um olhar. Então... O verdadeiro líder da Coroa n***a ainda estava vivo. A voz continuou. Voz: — Já que falhou... Vou terminar o trabalho pessoalmente. A transmissão foi encerrada. O galpão mergulhou novamente no silêncio. Marcelo olhava fixamente para o rádio. Compreendia, finalmente, que havia sido apenas uma peça em um jogo muito maior. Ravi apertou os punhos. Durante todos aqueles anos, enfrentaram o homem errado. Marcelo nunca fora o verdadeiro comandante. Ele era apenas o herdeiro manipulado de um império construído sobre sangue. Aurora segurou a mão de Ravi. Os dois compreenderam a mesma coisa ao mesmo tempo. A guerra contra Marcelo havia terminado. Mas a verdadeira batalha... Estava apenas começando. Continua... 💜 Apoie esta história! ❤️ Curta o capítulo • 📚 Adicione à biblioteca • ⭐ Siga meu perfil. 🌙 Tem Bilhete Lunar? Vote na história e me ajude a subir no ranking! 💬 Seu comentário e 🎁 seu presente fazem toda a diferença. Obrigada por apoiar meu trabalho! ✨
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