O pequeno pen drive parecia pesar toneladas na mão de Aurora.
Ela o encarava sem coragem de conectá-lo ao computador.
Ao seu lado, Ravi observava cada reação dela em silêncio.
O bilhete ainda estava sobre a mesa.
"Chegou a hora de conhecer a verdade sobre seu pai."
Aurora respirou fundo.
Aurora: — Isso pode ser uma armadilha.
Ravi: — Também pode ser a resposta que você procura há vinte e cinco anos.
Ela abaixou a cabeça.
Desde criança, perguntava à mãe quem era seu pai.
A resposta sempre era a mesma.
"Ele foi embora antes de você nascer."
Nunca houve fotografias.
Nunca houve cartas.
Nunca houve um nome.
Apenas silêncio.
Caio entrou na sala segurando um notebook.
Caio: — O equipamento está limpo.
Aurora: — Tem certeza?
Caio: — Se houver algum vírus, ele não vai atingir nossos sistemas.
Ravi fez um gesto com a cabeça.
Ravi: — Coloca.
Caio conectou o pen drive.
Durante alguns segundos...
Nada aconteceu.
Até que uma pasta apareceu na tela.
PROJETO AURORA
Aurora arregalou os olhos.
Aurora: — Meu Deus...
Caio abriu o arquivo.
Havia dezenas de documentos.
Fotografias.
Vídeos.
Áudios.
E uma carta digitalizada.
No topo da página estava escrito:
"Se você está lendo isso, significa que eu falhei em proteger vocês."
Aurora sentiu um nó na garganta.
Ela clicou no documento.
A carta começava com uma assinatura.
"Para minha filha, Aurora."
As lágrimas começaram a escorrer antes mesmo que ela terminasse a primeira linha.
*"Filha...
Talvez você passe a vida acreditando que eu abandonei você.
Mas essa foi a mentira que criaram para manter você viva.
Nunca deixei de amar sua mãe.
Nunca deixei de amar você.
Fui obrigado a desaparecer porque descobri algo que homens muito poderosos fariam qualquer coisa para esconder.
Se eu permanecesse ao lado de vocês, os dois morreriam comigo.
Perdoe-me por não acompanhar seus primeiros passos.
Por não ouvir sua primeira palavra.
Por não vê-la crescer.
Espero que um dia entenda que a distância foi a única forma que encontrei de proteger minha família."*
Aurora não conseguiu continuar.
Fechou os olhos enquanto as lágrimas escorriam livremente.
Ravi permaneceu ao seu lado.
Sem dizer uma palavra.
Depois de alguns minutos...
Ela voltou a ler.
*"Existe uma organização formada por empresários, políticos e criminosos.
Eles controlam muito mais do que as pessoas imaginam.
Quando descobri documentos capazes de destruir todos eles, passei a ser caçado.
Esses documentos desapareceram.
E somente duas pessoas sabem onde estão escondidos.
Uma delas é sua mãe.
A outra...
É você."*
Aurora levantou a cabeça rapidamente.
Aurora: — Isso é impossível.
Caio: — Você era um bebê.
Aurora: — Exatamente!
Ravi continuava analisando a carta.
Havia algo estranho.
Muito estranho.
Ravi: — Continua.
Aurora respirou fundo.
*"Você não lembra porque era pequena demais.
Mas existe uma chave.
Ela foi escondida junto com você.
Quando chegar a hora, alguém tentará encontrá-la.
Confie apenas em quem provar que daria a própria vida para salvar a sua."*
A carta terminava ali.
Sem explicações.
Sem nomes.
Sem respostas.
Caio abriu outro arquivo.
Era um vídeo.
A imagem apareceu tremida.
Um homem de aproximadamente trinta anos olhava diretamente para a câmera.
Aurora levou a mão à boca.
Ela nunca tinha visto aquele rosto.
Mas bastou um segundo.
Os olhos.
O sorriso.
Ela enxergava a si mesma naquele homem.
Era seu pai.
Homem do vídeo: — Aurora...
Se você está assistindo isso...
Então eu não consegui voltar para casa.
Saiba que sua mãe nunca mentiu por maldade.
Ela fez o que pedi.
Protegeu você.
Protegeu nosso segredo.
Ele respirou profundamente antes de continuar.
— Nunca procure por mim.
Procure pela verdade.
Ela vale mais do que minha vida.
O vídeo começou a falhar.
Antes de terminar, uma voz surgiu ao fundo.
— Eles chegaram!
O homem olhou assustado para trás.
Depois voltou para a câmera.
— Eu amo você, filha.
A gravação foi interrompida.
A tela ficou preta.
Aurora desabou no sofá.
Chorava sem conseguir controlar as lágrimas.
Durante anos acreditou ter sido rejeitada.
Agora descobria que seu pai havia desaparecido tentando protegê-la.
Ravi aproximou-se lentamente.
Sem dizer nada, colocou uma mão sobre seu ombro.
Aurora levantou os olhos.
Pela primeira vez desde que tudo começou, não tentou esconder sua dor.
Instintivamente, apoiou a cabeça no peito dele.
Ravi permaneceu imóvel.
Não era um homem acostumado a demonstrar carinho.
Mas também não a afastou.
Pela primeira vez em muitos anos...
Sentiu que proteger alguém ia muito além de uma obrigação.
Era um sentimento.
O momento foi interrompido pelo toque insistente do celular de Caio.
Ele atendeu.
Sua expressão mudou imediatamente.
Caio: — Chefe...
Ravi soltou Aurora devagar.
Ravi: — O que aconteceu?
Caio: — Acabaram de invadir a casa da mãe dela.
O coração de Aurora disparou.
Aurora: — Minha mãe!
Caio continuou ouvindo.
Depois desligou lentamente.
O silêncio tomou conta da sala.
Ravi: — Fala.
Caio respirou fundo.
— Ela desapareceu.
Aurora sentiu as pernas perderem a força.
O mundo voltou a desmoronar diante dos seus olhos.
E, naquele instante, ela percebeu que a guerra não era mais apenas por respostas.
Agora era uma corrida contra o tempo para salvar a única pessoa que sempre esteve ao seu lado.
Continua...
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