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938 Words
CAPÍTULO 11 — LILI NARRANDO Eu ainda estava tentando entender como, em menos de vinte e quatro horas naquela cidade, minha vida tinha virado uma completa bagunça. Eu tinha vindo para a Rocinha por causa de um homem que conheci pela internet, tinha finalmente encontrado Jorge pessoalmente e, para completar, descobri que o homem era muito mais gato do que nas fotos. Muito mais. Se nas conversas eu já ficava sorrindo igual uma i****a toda vez que ele mandava mensagem, pessoalmente eu simplesmente perdi qualquer capacidade de raciocinar. Quando acordei naquela manhã, encontrei Juju e Mah na cozinha. Mah estava preparando café enquanto Juju mexia no celular, tentando parecer completamente normal. Só que eu conhecia minhas amigas. Alguma coisa tinha acontecido ali. — Bom dia! As duas olharam para mim ao mesmo tempo. — Bom dia — Mah respondeu. Juju apenas sorriu. Eu estreitei os olhos. — O que vocês estavam conversando? — Nada — Juju respondeu rápido demais. — Sei. Peguei uma xícara de café e me sentei à mesa. — Então, como vocês estão? Mah olhou para Juju. Juju olhou para Mah. Eu bati a mão na mesa. — Agora vocês vão falar! Porque eu também tenho coisa para contar. Mah imediatamente ficou interessada. — Sobre o Jorge? Abri um sorriso. — Sobre o Jorge. — Então começa. Encostei as costas na cadeira e suspirei dramaticamente. — Gente… ele é muito mais bonito pessoalmente. Juju começou a rir. — Eu sabia. — Não, vocês não estão entendendo. Ele é um gato. — Isso você já tinha falado pelas fotos — Mah respondeu. — Foto nenhuma faz justiça àquele homem. Eu tomei um gole de café e continuei: — Ele é alto, forte, tatuado, tem aquele sorriso de homem safado… — Lili! — Mah reclamou, rindo. — É verdade! Juju apoiou o queixo na mão. — E ele foi gentil com você? — Muito. — Educado? — Também. Mah sorriu. — Pelo menos isso. — E ainda por cima beija bem. As duas começaram a rir. — Você está apaixonada? — Juju perguntou. — Ainda não. — Ainda? — Estou avaliando. — Avaliando o quê? — O conjunto da obra. Mah quase engasgou com o café. — Você não presta! Eu comecei a rir. — Estou falando sério. O homem é maravilhoso. Juju me encarou com um sorriso malicioso. — E depois do pagode? Meu sorriso aumentou. — A gente ficou junto. — Só ficou? — Mah perguntou. Olhei para as duas. — Vocês querem mesmo saber? — Queremos — responderam juntas. Eu apoiei os braços na mesa. — Gente… aquele homem tem energia. Mah começou a rir. — Quanta? — Muita. — Define muita. — Muita mesmo. Juju começou a bater a mão na mesa, gargalhando. — Lili! — Estou falando a verdade! Mah balançou a cabeça, divertida. — Então vocês passaram a noite juntos? — Praticamente. — E você ainda está viva? — Por pouco. As três caíram na risada. Eu estava tão feliz contando que nem conseguia esconder. — Mas falando sério, Jorge foi muito carinhoso comigo. Não foi só aquela coisa de atração. Ele conversou comigo, perguntou se eu estava bem, me tratou super bem. Mah assentiu. — Então ele é educado mesmo. — Muito. Juju tomou um gole do café. — Diferente do meu misterioso Tubarão. Eu imediatamente me virei para ela. — Espera. O que é isso de Tubarão? Mah arregalou os olhos. Juju ficou vermelha. — Depois eu conto. — Não! Agora! — Lili… — Você não pode falar “Tubarão” e esperar que eu fique quieta! Mah começou a rir. — Ela ficou com um homem ontem. Eu arregalei os olhos. — O QUÊ? Juju escondeu o rosto. — Eu odeio vocês. — E você não contou nada? — Eu cheguei de madrugada! — Exatamente! — Mah respondeu. — E você acha que eu ia deixar passar? Eu comecei a rir. — Meu Deus, essa casa já começou com segredos. Juju apontou para mim. — Você também não contou que chegou de madrugada! Eu fiz uma careta. — Eu ia contar agora. Mah cruzou os braços. — Você disse que o Jorge te deixou cedo. — Eu disse? — Disse. — Então eu menti. As duas me encararam. Comecei a rir. — Ele não me deixou cedo. — Que horas? — Juju perguntou. — De madrugada. Mah arregalou os olhos. — Lili! — Ué, ele me deixou na porta de casa de madrugada. Juju começou a rir. — Então vocês realmente ficaram a noite toda juntos. — Praticamente. — E você conseguiu entrar sem acordar ninguém? — Consegui. Mah apontou para mim. — Eu sabia que tinha alguma coisa estranha quando ouvi a porta. — Eu fui silenciosa. — Você tropeçou no sofá. — Aquilo foi estratégia. Juju gargalhou. — Estratégia para quê? — Para testar se vocês estavam dormindo. — Ah, claro. Eu terminei meu café e fiquei alguns segundos sorrindo sozinha. A verdade era que eu tinha ido para a Rocinha por causa de uma loucura. Três meses conversando com um homem pela internet e, de repente, eu estava ali, morando em uma casa nova, começando uma vida completamente diferente. E agora eu tinha conhecido Jorge. O problema era que eu ainda não fazia ideia de quem ele realmente era. Para mim, ele continuava sendo apenas o homem lindo, tatuado, educado e extremamente intenso que eu conheci no pagode. Eu só não sabia que, naquela casa, não era apenas eu que tinha encontrado um homem misterioso. Juju também tinha encontrado o dela. E alguma coisa me dizia que aqueles dois encontros ainda iam dar muita confusão.
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