— Esta pronto?
Anthony está sentado na cama, parece ansioso. Ele Sorri para a porta do quarto.
— Você está cheirosa. - Ele guarda uma paixonite por mim.
— Obrigado. Agora vamos descer, fiquei sabendo que seu irmão já está a caminho.
— Ele já chegou. - Anthony fica tenso.—-E não quis me ver.
Pego na mão dele e começamos a caminhar. Como ele, fiquei tensa, mas mantenho o porte de dama, assim como a Princesa me ensinou.
Mal chego na escadaria e me deparo com o salão cheio de pessoas, na grande maioria desconhecidas.
Desço a escadaria de mármore ao som de uma música erudita.
—Você está muito bonita. - Conde Robert aparece atrás de mim.
Eu escolhi um vestido simples. Como o palácio, todos temos que vestir modelos antigos, principalmente em festas. Por essas motivo, peguei um vestido marçala cumprido, com uma calda que me lembra as sereias dos livros infantis do Anthony.
— Obrigado Conde, o Senhor também. - Sorrio para ele.
— Você pode me levar até o piano? -Anthony aperta meu braço.
— Claro querido.- Olho para o Conde que já estava Sorrindo para mim. —-Licença.
— Ele gosta de você. - Anthony diz.
— Quem? - Paro no meio do salão.
— Meu pai. Ele falou muito bem de você para o Mathew, e ele prometeu agradecer você pessoalmente , e quem sabe dançar.- Anthony Sorri.— Agora que já falei vou tocar um pouco.
Deixo Anthony no piano e saio ao encontro da minha amiga. Victória está num canto do salão, esta vestida de preto e tem um olhar engraçado.
— Matou alguém? - Chego perto e ela se assusta.
— Não! Claro que não.- Ela ela começa a cochichar.— Eu estava aqui quando eles chegaram.
— Sim, o que aconteceu?- Chego mais perto.
— O filho do Conde é calado, eu diria tímido. Mas ele tem um amigo, Filliph, ele é um gato.
— E?
— E ele m*l me viu e já me chamou para sair, até me ajudou a acabar de arrumar as coisas.
— Vi, você tem que tirar da sua cabeça esse medo, nem todos os homens são iguais, claro que não pode sair com qualquer um, mas observa ele, e tira suas conclusões com calma, as vezes ele só estava sendo educado.- Pego na mão dela e sinto que está tremendo.
— Vou tentar.- Ela olha para a porta e arregala os olhos. — Eles chegaram.
Todos na sala fazem silêncio, caminho para uma brecha aberta entre a multidão, e vejo entrar três homens.
O primeiro só pode ser o Filliph, sorridente, olhos verdes e uma cabeleira loira quase ruiva. O segundo é um pouco mais alto, deve ter quarenta anos, um pouco sério.
Mas o terceiro, Mathew, tem os olhos azuis, profundos como os da mãe, é mais alto que todos, tem o porte do pai. Forte, reto, cabelos negros, eu não diria tímido. Ele parece introspectivo, não olha para os lados.
Os dois primeiros sorriem para todos, e ele fica para trás carrancudo. Dou um passo para frente, e como se ele sentisse, para e me olha. E fixa o olhar em mim, sem expressão, só não pisca, nem se move, até que Filliph volta e puxa-o pelo braço. Então volto em mim.
— Eu vi.- Victória me assusta.— Vocês dois, rolou uma química.- Ela ri alto e chama a atenção das pessoas.
— Você está vendo coisa.- Disfarço andando na frente.— Agora temos pessoas à cortejar, e você como representante real deveria estar por aí. - Me viro e encaro minha amiga.
— Sério? - Ela cruza os braços,— Então vamos começar.
Victória sai me puxando pelo salão, esbarramos nas pessoas. Ela me puxa com tanta força que nem consigo pensar direito.
O salão é feito de vidro, de forma tão sublime que de longe parece um diamante gigante. Gostava de tocar no piano n***o, quando a princesa ainda tinha forças de tocar, ele ficava no meio do salão. Agora porém, fica escondido no canto mais escuro.
— Boa noite .- Victória para e praticamente me joga na frente.—-Espero que estejam gostando da festa.
Ela me joga bem no meio do covil das cobras, tento me afastar sem ser indelicada, mas ela me empurrava com a mão.
— Esta tudo muito bonito.- Filliph Sorri para ela de forma conspiratória.
— Obrigado.- Sorrio para ele.— Vem de onde?- Quebro o silêncio.
— Inglaterra.- O mais velho praticamente gritou.— Eu sou David, primo do Mathew.- Aponta para ele.--Nós vamos passar uns tempos aqui, e depois....
Todos viramos ao ouvir o Mathew limpar a garganta e olhar sério para o primo.
— Quem quer bebida?- Victória salva a noite.— Nós vamos buscar.
Fui puxada para a cozinha, ou o que seria, se não estivesse tão cheia.
— Eu tinha que sair, quase morro sufocada. O clima ficou tenso.- Victória respira fundo, coisa que ela só faz quando está se sentindo pressionada.
— Não sei, acho ele muito calado. Nem olhou para nós duas.- Não sei porque, mas isso me deixou pasma.
— Seja como for, achei o Filliph um anjo.- Ela pega umas taças e me entrega.— Agora vamos voltar, se não vão desconfiar.
Espero ela sair e saio atrás, mas perco ela de vista e acabo dando a volta. Passo pelo Conde, que está encurralado num canto tentando cumprimentar a todos, e chego por trás. Mathew fala alguma coisa e ri, mas Filliph muda de assunto:
— Viram como é linda? A Victória, tão simpática.
— Sim, linda, mas fala de mais.- Mathew cruza os braços.
— Gostei da amiga dela, como se chama mesmo?- David pergunta.
— Susan.- Filiph Sorri.
— Sim, Susan. Tão nobre, educada, movimentos leves, linda, afeições fortes.- David fala alto de mais.
— Não achei. Já convivi com mulheres mais belas e inteligentes.- Príncipe Mathew ficou tenso.— O que faz dela Meramente Aceitável.
David me vê e sorri, não tenho vontade de ir até lá, mas Victória que já estava atrás de mim, me empurra de novo.
— Bom rapazes, gostaria de passar a noite aqui com vocês, mas estou cansada, passei o dia cuidando dos preparativos da festa para o Príncipe. - Deixo o orgulho falar por mim.
— Achei que talvez aceitasse dançar comigo?- David faz cara de triste.
— Você certamente encontrará moças belas aqui.- Olho para o Príncipe.
— Me defina beleza Senhorita.- Ele me encara fixamente.
— Beleza. - Finjo pensar, quando já sei a resposta.— A beleza é uma questão cultural, e logicamente pessoal ,muitas vezes o que é belo para mim, é meramente aceitável para você. - Sorrio.— Deve saber que existe maneiras de enxergar as diferentes formas de beleza?
Filliph e David ficaram mudos, e minha amiga ri alto, e finge engasgar, ela sabe ser sarcástica.
— Então deve me ensinar, porque até hoje não sei. - Mathew fica sério.
— Conversar, ou até mesmo dançar. Essa é a melhor maneira de se conhecer alguém. Não deve tirar suas conclusões antes.
Me ensinaram que não devemos esperar respostas tolas. Então peço licença para poder ir para casa, e deixo o Príncipe Mathew de boca aberta...