Emília
Tá legal, essa brincadeira conseguiu sim distrair-me, com a barriga doendo de tanto dar risadas das coisas que aqui foram reveladas, eu me levanto para beber um pouco de água. Quando volto todos estão olhando para mim, olho para o centro da roda e a garrafa está virada com a ponta para o lugar em que eu estava sentada, e quem está na outra ponta e irá me perguntar ou me desafiar é a Jéssica. Já posso sentir os calafrios da maldade que essa moça é capaz de fazer comigo, já que não vai muito com a minha cara.
"Senta aí Mili." Ela diz sorrindo sarcasticamente, engulo em seco e me sento.
"É, parece que chegou minha vez não é?" Tento distrair mas todos estão curiosos demais sobre mim, aparentemente.
"Então, verdade ou consequência?" Ela pergunta e eu óbvio escolherei verdade, já que não tenho nada para esconder de ninguém.
"Verdade!" Exclamo e dou de ombros.
"Primeiro, eu irei até você dizer baixinho no seu ouvido, eu acho que é uma pergunta muito indiscreta, depois, se você aceitar responder, nós iremos revelar sua verdade." Ela fala se levantando, já me encontro nervosa e constrangida, sinto minha pele do rosto queimar.
"Não estou entendendo Jéssica..." Falo confusa e a mesma chega perto do meu ouvido.
"O que você acha de todos descobrirem que a mocinha devota é filha de traficantes de bebês?" Meu corpo gela e meu coração quase salta para fora.
Logo, vem a tona na minha cabeça toda a conversa que ouvi dos meus pais antes de sair, eles falaram sobre bebês, sobre dinheiro. Agora tudo faz sentindo, não sei se posso confiar nas palavras de Jéssica, mas não posso arriscar que as pessoas fiquem sabendo disso e assim manchar a reputação da minha família, nesse momento eu não penso nos meus pais, realmente isso explica o comportamento estranho de dias, e eles não merecem meu apoio nem minha defesa, se isso for mesmo verdade eles são uns monstros! Não posso nem acreditar que eles estavam considerando vender a própria filha!
O que eu temo, é pela minha integridade, minha e de meus irmãos. Estou horrorizada, meu coração sangra por isso, fico alguns minutos em silêncio totalmente em choque, se tudo estivesse normal, nada faria sentindo, mas tudo está se encaixando na minha cabeça agora, porque? Por que será eu quem terá que passar por isso? Que culpa tenho eu? Sinto meus olhos arderem pelas lágrimas que eu tento ao máximo segurar, meu coração dói a cada batida, eu m*l posso raciocinar direito, minha visão fica turva e eu tenho uma vontade imensa de vomitar, de nojo dos meus pais.
"Eu escolho consequência." Consigo dizer num fio de voz, percebo que todos estão olhando para mim intrigados.
"Então, sua consequência quem irá escolher será o pessoal num todo." Ela diz e volta ao seu lugar.
"Você não precisa, Emília." Roman fala e o olhar de Jéssica fica ainda mais furioso. "Eu aceito o desafio por ela, seja lá o que for!" Roman exclama e Jéssica quebra um copo longe na parede.
"Não! Ela não é melhor do que ninguém." Ela grita. Eu estou tão chateada que não me importo com nada, se ela mandar eu me jogar de uma ponte eu me jogo de tão m*l que estou.
"Tudo bem Roman, eu aceito o que for. Não me importo, realmente não me importo." Falo e mordo meu lábio inferior para segurar as lágrimas.
"Então pessoal, o que vocês acham? O que seria uma conseqüência épica para a princesa Emília?" Jéssica pergunta e todos começam a falar várias coisas aleatórias.
"Alguém aqui conhece A LENDA JOSEPH?" Uma das pessoas indaga e várias pessoas confirmam.
"Dizem que ninguém entra na casa dele e sai vivo." Outra pessoa fala.
"Ouvi falar que ninguém nunca viu o rosto dele e que ele se parece com um animal selvagem." Outro sussurra.
"Ele mata sem dó quem chegar a mais de dez quilômetros da casa dele." Alguém diz.
"Já decidi pessoal! Emília, eu te desafio a entrar na casa dessa tal Lenda Joseph e ficar lá por duas horas, se cumprir o desafio, seu segredo e seus problemas estarão resolvidos, eu te garanto." Ela fala convicta e sorri para mim, minha vontade nesse momento é avançar em seu lindo rosto e arranha-lo todo com minhas unhas e depois xinga-la de v***a, porém não posso.
Penso e repenso várias vezes, engulo em seco na maioria e sinto minha cabeça latejar, que saída tenho eu? Não posso deixar meus irmãos passarem por mais privação de afeto e carinho sendo eu a única que poderá fazer isso quando meus pais forem para a cadeia, porque se eu sair viva de lá, farei questão de colocá-los lá dentro da prisão. Mas talvez posso não sair viva de lá, o medo está pingando pelo meu suor, estou apavorada droga! Mas eu vou tentar ao menos, eu posso implorar por misericórdia a esse tal assassino, se é que ele existe mesmo já que todos o consideram só uma lenda, sendo que nunca, ninguém o viu ou percebeu algum movimento naquela mansão enorme e escura.
"Eu aceito!" Respiro fundo e falo a contragosto mas em tom firme, bom, ao menos eu tento e vejo todos me olharem assustados. "Mas se eu não sair viva de lá, podem saber, todo mundo irá saber quem me mandou para lá." Afirmo e vejo seu sorriso diabólico morrer.
"Você não precisa, Milliet." Rocco fala e Roman me puxa pelo braço.
"Eu vou com você." Ele diz.
"Amiga, se você disser NÃO, está dito e ninguém vai te obrigar." Malvina fala e sinto sinceridade em suas palavras.
"Gente, de verdade, vai ficar tudo bem." Falo tranquilizando-os. "São causas muito maiores. Enfim, Quando tenho que entrar?" Pergunto querendo que isso acabe logo.
"Agora mesmo. Cada minuto alguém irá vigiar se você entrou mesmo e contaremos o seu tempo lá dentro." Ela fala e eu me esforço para não olhar para o rosto dela, quando eu sair de lá, essa pilantra vai me pagar. Oh se vai.
"Se você não se importar, chefe, eu gostaria de ir sozinha! Sem essa sua platéia aí meu redor!" Exclamo furiosa.
"Claro que não! Todos queremos ver você cumprindo o desafio!" Ela diz autoritária e minha fúria cresce a cada momento.
"Ah mas sua v***a!" Grito com sangue nos olhos.
"Olha mas se não é a santinha se revelando..." Ela abusa.
"Você é um demônio Jéssica!" Rocco fala. "Eu não sei que merda foi que você disse para a Emília entrar nessa p***a de casa, mas você não vai sair impune se alguma coisa acontecer com ela." Ele fala furioso.
"Você não vale o chão que pisa, sua escrota!" Valérie entra no meio. "Onde já se viu fazer um desafio desse? Sorte sua que não é comigo, se fosse, você estaria fodida!" Ela fala em tom alto e Jéssica parte para cima dela mas é contida por um garoto, o qual ela estava aos beijos horas atrás.
Após alguns minutos, eu, Rocco, Roman, Malvina e Jéssica caminhamos em direção a última rua da cidade, não era longe, a todo momento meus amigos, exceto Jéssica, me davam conselhos para voltar atrás e que eu poderia desistir, mas eu jamais faria isso com minha família, por meus irmãos eu faço tudo, é apenas duas horas, o que será que poderia acontecer em duas horas? Apenas entrarei, sou pequena passo por qualquer greta, em seguida ficarei se possível sem respirar muito forte, até que se passe o tempo e depois disso ela me garantiu que meus problemas estarão resolvidos.
"Qualquer coisa você grita que eu já estou lá." Rocco fala e me dá um abraço.
"Eu sabia que você era pequena mas sua coragem era imensa. Boa sorte minha gatinha." Malvina fala em meu ouvido e também me abraça.
"Você sabe que a qualquer momento, já te disse, faço qualquer coisa por você. Qualquer coisa mesmo." Ele assevera e me abraça forte. Jéssica está ao lado olhando tudo com uma cara de quem comeu e não gostou.
Sinto meus olhos marejados por minhas lágrimas, meu coração está acelerado e minhas pernas estão trêmulas, são nessas horas que reconhecemos quem são nossos verdadeiros amigos, sinto uma vontade imensa de gritar, estou com medo, estou realmente com medo, apavorada para ser bem sincera. Quando olho ao longe a grande casa misteriosa da Lenda Joseph, o assassino sem escrúpulos que comentam, sinto que talvez seja minha última vez na terra, ou talvez seja apenas conversa para boi dormir.
Dou um olhar de conforto aos que realmente se importam comigo e começo a andar com passos rápidos em direção ao grande portão. Quando chego já estou bem longe dos meus amigos, é madrugada e ouço o som das cigarras cantando, ouço também a coruja e meus calafrios só aumentam. Encontro uma a******a que cabe-me corretamente, entro por ela e pronto.
Estou do lado de dentro, mas ao invés de desmaiar de medo, apenas penso: Está fácil demais.