Capítulo 2

1134 Words
  Ponto de Vista de Aria   Na manhã seguinte ao incidente com os tiros, acordei com meu celular vibrando cheio de notificações. Com uma dor de cabeça latejante, estendi a mão para pegá-lo e fiquei paralisada ao ver o que estava acontecendo. O incidente havia viralizado. As redes sociais estavam em chamas com comentários criticando Liam por ter priorizado Sophia em vez de mim durante o tiroteio.   "Imagina casar com um homem que se joga na frente de uma bala — mas só se for pra salvar outra pessoa."   "Que tipo de homem abandona sua noiva num momento de vida ou morte?"   "Coitada da Jones... ela merece alguém que realmente lembre com quem está noivo."   Ler esses comentários me deu um nó no estômago.   Meu telefone tocou, e o nome do meu pai apareceu na tela.   "Aria," a voz dele estava firme, carregada de uma raiva contida. "Eu vi as notícias. Esse noivado acabou, Aria. Não vou ficar parado assistindo minha filha casar com um homem que a deixa sangrando enquanto consola outra mulher."   "Pai, por favor," implorei, com a voz trêmula. "Não foi assim. O Liam só... ele não pensou direito. Foi uma decisão de segundos em uma situação caótica."   Mesmo enquanto o defendia, uma pequena voz dentro de mim sussurrava: Mas proteger você não deveria ter sido o instinto dele?   "Uma decisão de segundos que podia ter custado sua vida, Aria! Você entende isso? Se aquela bala tivesse te atingido de verdade em vez de só arranhar seu braço…"   "Mas não atingiu," interrompi, recusando-me a imaginar essa possibilidade. "Pai, eu amo ele. Estamos juntos há doze anos. Um erro não apaga tudo isso."   Houve uma longa pausa até meu pai soltar um suspiro profundo. "Você sempre foi boa demais, perdoa com facilidade, igual sua mãe. Tudo bem. Mas se ele te colocar em perigo de novo…"   "Ele não vai," garanti, mesmo que no fundo da minha alma uma incerteza teimasse em persistir.   Mais tarde naquele dia, Liam veio acompanhado dos pais, William e Elizabeth White. Enquanto o rosto de Elizabeth ostentava uma expressão cuidadosamente educada de preocupação, William parecia genuinamente arrependido.   "Aria, querida," Elizabeth foi a primeira a se aproximar, seus saltos de grife ecoando no chão. "Sentimos muito pelo que aconteceu. Deve ter sido aterrorizante para você."   Liam deu um passo à frente, os olhos dele refletindo um arrependimento sincero. "Aria, não consigo expressar o quanto estou arrependido. Eu não estava pensando direito. No momento em que percebi o que fiz, fiquei horrorizado. Por favor, me perdoe."   Olhei nos olhos azuis dele, os mesmos pelos quais me apaixonei quando éramos adolescentes, e balancei a cabeça. "Eu entendo, Liam. Foi uma situação muito confusa."   Para apaziguar nossas famílias e a opinião pública, divulgamos uma declaração conjunta explicando o episódio como um infeliz m*l-entendido em um momento de pânico. O alvoroço midiático começou a acalmar, e a vida aparentemente voltou ao normal.   Nos dias seguintes, Liam foi carinhoso e atencioso. Ele me acompanhou em cada etapa dos preparativos do casamento, das degustações de bolo às inspeções nos locais. A dedicação dele me fez acreditar que talvez o incidente realmente tivesse sido apenas um lapso momentâneo de julgamento. Com o passar dos dias, minhas dúvidas se dissiparam, substituídas pela empolgação com o nosso casamento iminente.   Finalmente, o dia chegou. O casamento Jones-White era o assunto da cidade, com mais de mil convidados enchendo o salão de festas transformado em um verdadeiro conto de fadas. Lustres de cristal lançavam um brilho suave sobre as rosas brancas e lírios que decoravam cada canto, enquanto um quarteto de cordas tocava suavemente ao fundo.   Eu estava nos bastidores com meu pai, meu coração batendo forte de ansiedade. Meu vestido marfim, com rendas intrincadas e detalhes em pérolas, tinha sido feito sob medida, e eu me sentia como uma princesa.   "Está nervosa, querida?" perguntou meu pai, colocando uma mão reconfortante no meu braço.   Eu estava prestes a responder quando ouvi o mestre de cerimônias anunciar: "E agora, senhoras e senhores, deem boas-vindas ao nosso charmoso noivo, Sr. Liam White!"   A plateia explodiu em aplausos, mas à medida que os segundos passavam, não havia sinal de Liam. Os aplausos gradualmente diminuíram, dando lugar a murmúrios de confusão. O mestre de cerimônias tentou manter a compostura, fazendo piada sobre um "pequeno atraso", mas conforme os minutos passavam, até ele começou a parecer desconfortável.   De repente, uma confusão estourou nos bastidores. Um som seco de tapa ecoou no ar, seguido pela voz estridente de Elizabeth: "Liam White, você volte aqui agora mesmo!"   Antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, Liam passou correndo por mim, o rosto pálido e decidido. Ele havia arrancado sua flor de noivo, e os olhos dele encontraram os meus por um instante.   "Aria, me desculpa," ele disparou, o pânico estampado em seu rosto. "A Sophia caiu — ela tá machucada. Eu não consigo simplesmente deixar ela assim. Vamos... vamos remarcar o casamento, tá? Só uns dias."   Meu mundo desabou naquele momento. Toda a alegria, a expectativa, os sonhos para o nosso futuro... sumiram em um instante. Os sinais estavam lá desde o início, desde o momento em que ele escolheu proteger Sophia durante o tiroteio. Lá no fundo, eu sabia, mas escolhi ignorar.   O rosto do meu pai escureceu de raiva. "Liam, você não pode simplesmente—"   Mas Liam já estava correndo em direção à saída, me deixando ali, no meu vestido de noiva, cercada por convidados confusos e um sonho destruído.   Algo dentro de mim quebrou. Depois de tudo o que passamos, depois de todos os preparativos, depois de eu ter defendido ele para todo mundo... ele ainda estava escolhendo Sophia. Eu não podia deixar ele ir embora assim, sem me encarar.   "Liam!" gritei, reunindo meu volumoso vestido nas mãos e correndo atrás dele. Os saltos altos que eu usava machucavam meus pés, cada passo sendo um lembrete doloroso da extensão que eu estava disposta a ir por alguém que não faria o mesmo por mim.   Quando cheguei ao saguão do hotel, vi ele do lado de fora, prestes a atravessar a rua até um carro que o esperava. Empurrei as portas, minha desesperança crescendo.   "Liam, por favor!" implorei, pisando na rua.   O som de pneus cantando encheu o ar, e eu me virei para ver um carro preto desviando para não me atingir. Na pressa de sair do caminho, perdi o equilíbrio e caí com força no asfalto. O branco imaculado do meu vestido agora manchado de sujeira e sangue das palmas das minhas mãos machucadas.   Através do borrão das minhas lágrimas, vi Liam hesitar. Só por um segundo. Ele virou de volta, seus olhos encontrando os meus à distância — conflituosos, culpados...   Mas mesmo assim, ele entrou no carro.   Ele escolheu ela.   De novo.   E naquele momento, algo dentro de mim morreu silenciosamente.
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