Roberta
O desespero das pessoas correndo era assustador, eu também estava com medo, afinal eu nunca passei por uma situação como essa. De todas as pessoas que estavam no camarote eu era a única que estava nervosa.
Chegamos em uma casa enorme no alto do morro, Leon com os outros homens entraram em uma sala e saíram todos de coletes e armados.
- Eu já volto, faça tudo que a Aylla mandar, ela já passou por isso sabe o que tem que fazer.
- Como assim? - Leon não me responde apenas me dá um beijo e sai da casa com os outros homens. - Pra onde eles estão indo Sheila?
- Amiga eles são bandidos, polícia ou morro rival tá tendo subir eles tem que ir pra guerra.
- O QUE ? - Acho que só agora caiu a ficha de que Leon estava indo trocar tiro com outras pessoas. - E se alguma coisa acontecer com ele?
- Calma! Respira. Bruna pega água pra mim dar a ela por favor. - Aylla fala
A Bruna trás o copo de água pra mim e eu tomo tudo, conforme ia escutando a conversa das meninas eu ia me tranquilizando. O tempo em que ficamos lá esperando os meninos, conhecemos os filhos de Aylla e JC.
Maitê e Aisha são os pais todinhas, as gêmeas tem 4 anos, conheci também o Brian que é a cara do pai e tem 3 anos. Lucas é o filho da Bruna e do Gustavo ele tem 6 anos e Laura é a afilhada de Aylla, filha do Gustavo e tem 10 anos. As crianças são as coisas mais lindas. Quando Leon falou que eles estariam no baile eu pensei que já eram no mínimo adolescentes, acho que nem ele deve saber que são crianças. A única que não conhecemos foi a Pietra, filha da Bia com o Th, pois ela está na casa dos avós.
Fico viajando na estante de fotos, só pensando no momento em que terei meu neném nos meus braços. É algo que nao desejo por agora, mas se vier eu vou amar com todo o amor do mundo. Todo o carinho e cuidado que os meus pais sempre tiveram comigo. Leon é louco para ser pai, mas eu nao me sinto preparada para isso agora. Tenho quase 19 anos e me sinto nova demais para uma responsabilidade tão grande como essa, já basta o Lucas que cuidamos como se fosse nosso filho.
Já se passou 2 horas que os meninos saíram e até agora nada de voltarem, o som de tiros estão estourando lá fora, Aylla disse que as paredes são protegidas para que a bala não ultrapasse, já que a casa é cheia de criança né o cuidado tem que ser redobrado.
- Vamos subir, vou arrumar o quarto pra vocês deitarem, não sabemos que horas eles vão voltar e daqui a pouco amanhece o dia. - Aylla fala mostrando o caminho do quarto. - Querem quarto separado? Ou pode ser juntos?
- Pode ser junto. Vai que uma dessas duas passe m*l de madrugada. - Sheila fala.
- Certo, podem ficar nesse aqui. Querem tomar um banho? Eu devo ter algumas roupas novas aqui.
- Por favor. O cheiro de álcool está gritante aqui. - Falo e rimos.
Aylla trouxe uma bolsa com várias pecas de roupas novas e descobrimos que ela e as amigas tem uma loja de roupa, assim como Leon e Sheila. Escolhemos uma peça de roupa e fomos tomar banho. De banhos tomados, deitamos na cama e não demorou muito para adormecermos. A cama era bem grande e espaçosa então não ficamos grudando umas nas outras.
*** *** *** *** *** ***
Acordo horas depois com as meninas ainda ao meu lado, uma aflição atinge meu coração, a preocupação toma conta de mim. Será que eles não voltaram ainda?
Levanto da cama lentamente para não acordar às meninas e vou na cozinha beber água, a casa toda está quieta não tem ninguém ou se tem estão todos deitados, olho no relógio que tem na parede e vejo que são 10 horas da manhã.
Sinto uma respiração em meu pescoço, viro rapidamente para ver quem é e me deparo com Leon atrás de mim, solto o copo e o abraço com força.
- Graças a Deus! Eu tava com tanto medo.
- Eu tô bem meu amor, fica calma.
- Porque demoraram tanto? - Falo desviando meus olhos de Leon pra Cocada e Ph que estavam bem atrás dele. - Isso aqui é sangue? Leon você tá sangrando? O que aconteceu com você?
Começo a olhar atentamente seu corpo, até que vejo a mancha em sua roupa entre a cintura e o peito, parece que foi um tiro de raspão. Não importa! É um tiro.
- Demoramos porque estávamos resolvendo as coisas. Foi só um tiro de raspão, pegou justamente aonde não pega a proteção do colete.
- Vamos pro médico agora!
- Cadê as meninas? - Cocada pergunta.
- No quarto dormindo, como vocês deixaram isso acontecer? Vamos logo Leon, um médico precisa ver essa ferida.
- Eu tô bem, JC foi chamar o médico aqui do morro.
- Leon ...
- Eu tô bem amor, serio mesmo.
Só consegui me acalmar depois do médico chegar com o JC e falar que te fato foi um tiro de raspão, tinha apenas que fazer o curativo para a ferida cicatrizar certinho. O médico passou os remédios necessários para não infeccionar o machucado e disse que ele não podia fazer muitos esforços com o braço.
Fui pro quarto com Leon assim que as meninas levantaram, ele precisava tirar a roupa suja de sangue e eu o ajudei a tomar banho, Leon me disse que quem invadiu o morro foi um cara que queria ser aliado dele, mas o cara mexe com muitas paradas que não são a praia do Leon. Preferi não perguntar que coisas seriam essas, pois se Leon não compactua é porque boa coisa não deve ser.
Depois que todos estavam acordados, almoçamos e decidimos ir embora pra casa, aproveitei pra chamar todos para a inauguração da loja amanhã. O final de semana aqui foi bem interessante e eu gostei bastante de conhecer as meninas, principalmente as crianças.