O médico sugere que Rocco e Antonella vá pra casa descansar, ao vê-los sentados lado a lado quase dormindo na cadeira.
- Acho bom vocês dois, voltarem amanhã à tarde.
- O senhor tem razão.
Rocco se levanta e olha para Antonella.
- Eu já estava pensando em ir embora mesmo. Obrigada doutor.
No momento que Rocco pensou em se aproximar de Antonella, a porta da sala abre e ambos olham para trás.
- Com licença. Antonella, vim te buscar, já está tarde e seus pais podem estar preocupados.
- Obrigada Luca, eu já liguei para casa e avisei a minha mãe que iria demorar.
- Hum a garota é de família. Que interessante.
Rocco pensa, ao mesmo tempo em que vê Luca, colocar a mão no ombro de Antonella, fato esse que o deixa enciumado.
Antonella olha para Rocco no momento que sai do hospital, como senão fizesse sentido algum sair dali sem ele.
- Até amanhã então.
Rocco responde um tanto sério.
- Até amanhã.
Luca abre a porta do quarto e saem, deixando Rocco mais uma vez incomodado com a proximidade dos dois.
Assim que chegam na porta da casa, Luca se despe de Antonella com um beijo no rosto e ela entra devagar para não acordar seus pais.
Ao vê-los dormindo tranquilamente no quarto, Antonella também entra no seu procurando um pijama em sua gaveta.
- Antonella?
- Mamãe, eu te acordei?
- Não filha. Levantei porque eu estava com sede, vi a luz do seu quarto acesa e vim falar com você. Chegou bem tarde hein?
- Fiquei aguardando os exames do tio Baris.
- Ah sim como é que ele está? Os exames foram bons?
- Não sei ainda mamãe.
- Como não? Se você passou o dia inteiro no hospital com ele, Antonella?
- Os exames serão feitos amanhã de manhã e eu só vou ter o resultado à tarde.
- Tá bom então minha filha, vai dormir que você deve estar cansada.
- Vou tomar um banho primeiro e já vou fazer isso já mamãe. Boa noite.
- Boa noite minha querida.
Antonella toma um banho morno, coloca seu pijama, deita em sua cama e logo seus pensamentos vão de encontro a Rocco.
A segurança com que falava, a maneira de comportar, estava claro para ela que Rocco não pertencia a sua classe social.
- Mas o que isso importaria para ela, se depois que Tio Baris saísse do hospital, ela não o veria mais.
- Por que também esse fato de não vê-lo mais, a estava incomodando tanto assim?
Antonella era uma menina pura que vivia a espera de seu príncipe encantado e com certeza ela achava, que não era aquele homem altivo e arrogante, que havia conhecido naquela manhã.
Um tanto m*l humorado, Rocco também chega em casa e sua mãe o aguardava preocupada.
- Rocco. Graças a Deus que chegou.
- Ainda acordada?
- Estava te esperando pra poder dormir sossegada.
- Eu já passei da idade da senhora me esperar para dormir mamãe.
- Não seja m*l criado Rocco. Filhos não tem idade para suas mães.
- Isso é o que a senhora pensa.
-Onde você estava até agora Rocco?
Rocco sorri olhando para sua mãe.
- Sério isso?
- Não me diga que saiu, com outra vagabunda hoje?
Rocco gargalha e depois fica sério pondo a mão no rosto.
- Mãe, eu gostaria muito que a senhora, mudasse logo para o seu apartamento e parasse de ser tão invasiva.
- Não me considero invasiva, apenas cuido de você.
Chiara alisa o rosto de Rocco que se afasta, para pegar uma garrafa d'água na geladeira.
Rocco bebe e depois a coloca a garrafa largada na mesa.
- Não deixe a garrafa jogada ai.
- A casa é minha mãe esqueceu? Por isso, eu deixo largada onde quiser.
- Não fale desse jeito com sua mãe, está entendendo?
- Está bem mãe, desculpe. Estou um pouco estressado com o dia que tive e acabei descontando na senhora.
- Você precisa ser um pouco mais organizado Rocco.
A mãe guarda a garrafa outra vez.
- Onde a senhora está vendo desorganização?
- Na casa.
- Minha casa? Não vejo nada desorganizado.
- Como não? Essa casa estava uma bagunça, quando eu cheguei da Inglaterra.
- Não tenho tempo de ficar arrumando absolutamente nada é bem verdade, mas para isso contratei uma empresa que presta serviço para mim.
- Empresa que só vem uma vez na semana.
- Pra mim está ótimo. Só entro em casa pra dormir mesmo. Não preciso esquentar minha cabeça, aliás nem a sua.
- Uma vez na semana é muito pouco. Você tinha que ter uma empregada fixa.
- Já disse que não gosto de ninguém estranho na minha casa.
- Mas meu filho, uma empregada fixa, cozinharia para você e faria tudo diariamente deixando mais organizado.
- Pra mim está ótimo e se melhorar estraga.
- Você fala isso agora. Amanhã mesmo vou ver na agência, uma empregada perfeita pra você.
- Mãe, eu já disse que eu não gosto, de ninguém fixo na minha casa. Não quero empregada nenhuma zanzando por aqui e principalmente sabendo da minha vida. Tá bom pra senhora?
- Tá bom Rocco, esquece empregada. Não vou discutir com você.
Rocco sabia que a chegada de sua mãe, traria aborrecimentos para sua vida. Já que ela era bastante controladora e possessiva.
Um telefonema, uma conversa estranha, faz com que Tiziano levante e siga até o fim do corredor que leva a sala.
- Como assim mais dinheiro?
- Eu lembro bem, já te dei dinheiro no mês passado.
- Eu preciso de mais.
- Para quê você quer mais dinheiro?
- Preciso comprar umas coisas e também meus remédios que acabaram.
- Está bem. Amanhã, passarei aí, mas não me ligue mais.
Salvatore desliga e Tiziano surge em sua frente assustando-o.
- Você me deu um susto Tiziano.
- Está com problemas de novo com agiotas?
- Mais ou menos. Quer dizer, não, não. Claro que não!
- Então me explique, que telefonema estranho foi esse, tarde da noite?
- Você andou escutando a minha conversa? Acho que já sou bem grandinho, para você ficar fiscalizando a minha vida.
- Só não quero que você se meta em roubadas outra vez. Lembra que você quase foi preso?
- Se eu soubesse que terminaria a minha noite, com você me relembrando o passado, eu não teria aceitado passar a noite aqui. Quer saber? Ainda está em tempo de ir embora.
- Não espere. Me desculpe irmão. Não vou me meter mais na sua vida. É que tenho medo, que algo de m*l te aconteça.
Salvatore põe a mão no ombro de Tiziano.
- Nada de m*l vai me acontecer te garanto. Foi só um amigo que me ligou, pedindo dinheiro emprestado.
- Falando assim, você me tranquiliza.
- Vai dorme em paz.
- Obrigado, você também.
Tiziano volta para o quarto e Salvatore sente um de seus olhos tremer preocupado, devido ao telefonema que Rosário, a mulher que fez a troca dos bebês, acabou de lhe fazer.
Stefano e Asli dormiam aconchegado, durante uma noite fria de inverno italiano, até que o pequeno Baki se infiltrasse no meio do casal, sem que eles percebessem.
Após tentar buscar para os seus braços sua esposa, Stefano percebe a presença de seu filho dormindo entre eles.
- Baki o que você está fazendo aqui?
- Eu senti frio no meu quarto, papai.
- Mas ontem antes de deitar, você estava cheio de calor meu filho.
- Eu sei papai, mas depois mudei de ideia.
- Você não deixou o papai ligar o aquecedor, por isso sentiu frio, Baki.
- Agora não estou mais sentindo frio. Estou até bem quentinho.
Stefano sorri e beija a testa de Baki.
- Então dorme para não acordar sua mãe. Tá bom?
- Tá bom. Boa noite.
Babi sorri e dorme outra vez e Stefano olha seus dois amores dormindo ao seu lado e adormece também.
Era muito bom ter sua esposa amada e seu filho adorado sempre juntinho de si.
Em pensar que quase não autorizou, a contração de Asli como sua secretária.
Estava Stefano com um curriculum em sua mesa e uma moça aguardado a entrevista de emprego na sala ao lado, quando a secretária da diretoria lhe interrompe.
- Então Sr. Stefano? Falta essa moça, posso mandar entrar?
- Não dispense, ela não fala Espanhol.
- Sim senhor.
- Srta. Silvana. Amanhã selecione outras candidatas, por favor.
- Sim senhor. Com licença. Desculpe mas seu currículo não serviu.
- Mas como não serviu? Posso saber o por que? Todas as meninas na minha frente já foram entrevistadas, menos eu. Estou o dia inteiro aqui com fome, cansada, aguardando para ser atendida e a senhora volta e me diz que meu currículo não serviu.
- Sim não serviu. Sr. Stefano quer alguém que fale Espanhol.
- Eu sei falar alguma coisa, só esqueci de colocar aí no currículo.
- Sinto muito.
- Não, não sente.
- Hein espere, aonde você vai?
Asli abre a porta da sala de Stefano que conversava ao telefone, ficando paralisado ao vê-la.
- Com licença senhor, mas preciso que me dê um momento do seu tempo.
Stefano levanta e olha para aquela bela mulher, que invadiu sua sala sem entender.
- Quem é você? E o que faz aqui?
- Desculpe Sr. Stefano. Eu disse a ela que seu currículo não havia servido, mas ela acabou invadindo. Por favor senhorita saia, senão vou ter que chamar os seguranças.
- Me perdoe senhor, mas eu preciso muito desse emprego.
Stefano faz com a mão para Silvana, deixar que ele resolve e ela sai da sala.
- Senhorita?
- Asli. Eu me chamo Asli.
- Então Srta. Asli, eu preciso de alguém que fale Espanhol.
- Yo hablo español. Me olvidé de ponerlo en mi currículum (Eu falo Espanhol. Só esqueci de pôr no currículo)
Stefano sorri surpreso para Asli, que lhe diz com os olhos cheios d'água.
- Pôr favor, me uma chance. Estou com o aluguel atrasado e senão pagá-lo até o fim do mês, serei despejada e eu não tenho pra onde ir.
- Está bem Asli. O emprego é seu.
Asli sorri e respira aliviada.
Senão fosse a ousadia de Asli, em ter invadido sua sala aquele dia, jamais Stefano saberia o que era ser feliz de verdade.