Padre Miguel, Rio de Janeiro Cheguei bem tarde na quinta-feira. Na entrada da favela, RD me esperava sobre a moto, mas não estava sozinho. Um garoto, pardo e alto, estava atrás da moto — confesso que nunca tinha nem visto aquele garoto. Respirei fundo ao descer do carro. Nem precisei fingir muito para fazer cara de cansada. — E aí, princesa! — Ricardo sorriu largo, descendo da moto. — ‘Tá tarde ‘pra caralhö… teve problemas? — Não… só foi um dia bem puxado, amanhã tirarei uma folga ‘pra levar a mãe e Matheus no médico… então… precisei adiantar bastante serviço! — expliquei. Ele veio até mim para envolver minha cintura e me beijar. Não fugi do beijo, mas também não retribuí tão bem. Ele me abraçou e olhei na direção do rapaz da moto, tentando identificá-lo. Sem sucesso; estava sem b

