Para Cíntia, perder Márcio não era apenas um término.
Era o fim do mundo.
Ela atravessou a cidade como quem foge de um incêndio, dirigindo sem perceber os sinais, com o coração tomado por uma fúria que não conhecia limites. Na sua cabeça, aquela história ainda não tinha acabado.
Márcio era dela.
Sempre tinha sido.
Quando estacionou perto da praça, seu olhar varreu o lugar até encontrá-lo.
E então viu.
Márcio estava sentado em um banco, inclinado na direção de uma mulher simples, de roupa discreta, cabelos presos de qualquer jeito. Eles não se tocavam. Não riam alto. Mas havia algo entre eles que Cíntia reconheceu na mesma hora.
Conexão.
O ódio subiu como veneno.
— Quem é essa? — murmurou, apertando o volante.
Ela observou cada detalhe. O jeito como Márcio falava baixo. Como escutava. Como não parecia cansado. Aquilo era inaceitável.
Cíntia nunca tinha dividido nada.
E não seria agora.
Quando viu Isadora se levantar e caminhar ao lado dele, o coração de Cíntia explodiu. Aquela mulher — que ela nem conhecia — já tinha feito o impensável.
Tirado algo dela.
— Você não tem o direito — sussurrou, com os olhos ardendo. — Ele é meu.
A mente de Cíntia começou a trabalhar rápido, fria e calculista, como sempre fazia quando se sentia ameaçada.
Não era amor o que sentia.
Era posse.
Ela desceu do carro e caminhou alguns passos, mas parou ao ver Márcio se despedindo daquela mulher com respeito. Nada de beijos. Nada de abraços. Aquilo a enfureceu ainda mais.
Porque significava que não era só desejo.
Era pior.
Era interesse verdadeiro.
— Isso não vai ficar assim — disse, cerrando os dentes.
Cíntia voltou para o carro com a certeza de que precisava agir. Ela não estava acostumada a perder. Nunca perdeu. E não perderia agora para uma desconhecida sem sobrenome, sem status, sem nada do que ela achava que importava.
Isadora virou um alvo no instante em que entrou no campo de visão de Cíntia.
Não por quem era.
Mas por estar no lugar que Cíntia julgava ser seu.
Enquanto dirigia, um sorriso duro se formou em seu rosto.
— Se ele não volta por amor… vai voltar por culpa.
O jogo tinha começado.
E Cíntia não tinha limites quando se tratava de vencer.