Ponto de Vista: Verena O cheiro característico de antisséptico e couro do consultório particular de Gideon continuava impregnado nos meus sentidos, mesmo depois de todas as luzes da clínica terem sido apagadas. A única iluminação vinha da lâmpada amarelada sobre a mesa de exames de aço escovado. Eu estava parada no centro da sala isolada, com a respiração descompassada e a pele das coxas ainda queimando pelos golpes do diagnóstico que ele aplicara horas antes. Gideon tirou o jaleco branco, dobrando-o com a precisão cirúrgica de sempre, e soltou a gravata escura. Seu olhar frio e analítico percorria cada milímetro do meu corpo, como se estivesse mapeando cada nervo, cada hematoma e cada gota de suor que brotava da minha pele. — A sua mente racional tenta desesperadamente encontrar uma

