Ponto de Vista: Ariadne A penumbra da biblioteca central da faculdade de Direito era interrompida apenas pelas luminárias de cúpula verde alinhadas sobre as longas mesas de carvalho. O cheiro de papel antigo, couro e cera impregnava o ar, criando uma ilusão de ordem e solenidade acadêmica. Contudo, sob o tampo da mesa da última fileira — o setor de Obras Raras —, a realidade era brutalmente distinta. Eu estava sentada sobre a cadeira de madeira entalhada, com as pernas abertas no limite permitido pelas correntes de ouro nobre. As marcas do pódio do auditório ainda queimavam no meu quadril, mas o tremor nas minhas coxas não vinha do cansaço muscular. Vinha da presença de Thorne, que permanecia de pé ao meu lado, folheando um exemplar encadernado de doutrina oitocentista com a mão esquer

