Ponto de Vista: Soraia O cheiro de papel vegetal, tinta de plotagem e café passado tomava conta do estúdio de arquitetura onde eu trabalhava. A luz natural do meio-dia entrava pelas imensas janelas de vidro do mezanino, iluminando as maquetes e as pranchas de projeto espalhadas pela minha mesa. Por fora, eu tentava manter a postura da profissional compenetrada, desenhando traços precisos no software de modelagem tridimensional. No entanto, a cada movimento que eu fazia para alcançar o mouse ou me ajustar na cadeira ergonômica, a realidade sob a minha roupa cobrava o seu preço. A corrente de aço trancada na minha cintura continuava lá. O metal, já aquecido pelo calor do meu corpo, lembrava-me da presença constante de Kaelen. Além disso, a esfera de metal gelado que ele inserira na min

