Ponto de Vista: Ariadne A luz matutina que atravessava as imponentes janelas de vidro da nossa residência oficial não trazia apenas o brilho de um novo dia, mas a confirmação absoluta de uma era em que a nossa autoridade se tornara inabalável. O julgamento do subsolo e a varredura definitiva das rivais deixaram um rastro de poeira que o vento da metrópole já se encarregava de varrer. Deitada no topo do colchão de seda, sentei-me devagar, sentindo a rigidez sutil no interior das minhas coxas — a marca física, profunda e deliciosa da noite em que Thorne expurgou qualquer vestígio de peçonha na minha carne. Caminhei até o toucador de jacarandá, vestindo um ropão de cetim preto com detalhes em renda dourada. Ao lado do espelho, repousava uma pasta de couro com o selo dourado do nosso escri

