“Carlos”
Acordei sentindo o cheiro dela em mim, será que não foi um sonho, ela realmente esteve aqui comigo?
Abri meus olhos, tentei mexer e dói tudo, mas não estou com tanto frio, tem um pano macio me cobrindo, peguei na mão é um roupão, então realmente ela esteve aqui, preciso esconder os homens não devem ver. Levantei bem devagar, ergui o colchão e coloquei o roupão embaixo, sentei de novo e esperei, não vou conseguir ir embora, essa mulher aí da vai me matar.
Júlio chegou com uma troca de roupa e jogou em mim.
_ Vista se logo a senhora virá aqui e você tem que estar apresentável.
Só balancei a cabeça e fui vestindo as peças de roupa, quando tinha acabado de me trocar fui na porta avisar que estou pronto e vi que estava aberta, saí e vi Júlio logo na frente avaliando os meninos que estão curvados ficando em pé na marra, alguns escorados nos que tem mais força.
Estiquei meu corpo e vim até onde eles estão, parei do lado do último menino, que me olhou com adoração, esticou o corpo me imitando, logo todos eles estavam esticados e esperando a senhora chegar.
Vi Júlio olhando a reação dos meninos e sorrindo ou sei lá o que aquela cara feia fez?
Nineta chegou e junto com Júlio foi passando na frente de todos os meninos, parou por um momento na minha frente e abriu um pequeno sorriso.
_ Vocês se saíram muito bem, são corajosos e são meus homens fortes e confiáveis.
Nineta parou na frente de um menino que acho não deve ter 14 anos.
_ Como você se chama?
_ Matias, senhora.
_ Matias a noite passada eu estive aqui na suíte, você me viu?
_ Não senhora.
Vi o menino começar a chorar.
_ Você não tinha como me ver estava dormindo, isso não pode acontecer e se fosse alguém invadindo a casa? Teria passado por você sem problemas.
_ Senhora eu estava cansado.
_ Não me dê desculpas, não vai resolver, eu vou deixar passar porque o dia tinha sido exaustivo para vocês, mas quero que você se prepare para lutar comigo assim que se recuperar da surra de ontem.
_ Sim senhora.
_ Júlio a partir de amanhã você coloque dois de vigia, assim um acorda o outro, e se os dois dormirem que. vai puni Los serei eu.
_ Certo, como a senhora quiser.
_ Estão dispensados, podem ir tomar o café, Matias espera todos tomarem o café e depois você se senta.
Carlos resolveu falar.
_ Senhora eu também posso tomar café da manhã.
Eu fui bem perto dele quase tocando e falei.
_ Você vai ficar? Porque ontem a noite você me disse que ia embora, que nada te seguraria aqui.
_ Eu mudei de idéia, vou ficar.
_ Muito bom, pode ir tomar café com os meninos e depois Júlio vai te dar um remédio, porque hoje tem o segundo teste.
Ele me olhou e vi irritação no olhar dele mas não me contestou.
_ A senhora é quem sabe.
Sei que ele não se dobrou, só está me dando um tempo, vamos ver hoje durante o teste como ele vai reagir.
_ Qual teste vamos fazer com ele?
_ Testa as habilidades dele com uma arma, e os reflexos.
_ Sim senhora.
_ Eu vou na igreja ver como Ana está se saindo, não deixe ele sozinho e faça amizade com ele Júlio de o remédio para que ele consiga andar sem gemer.
_ Pode deixar senhora, os meninos já estão bem amigos dele, acho que vai ser um bom líder.
_ Veremos, só começamos Júlio.
Saí e fui para a igreja, quando cheguei lá padre Ícaro veio todo sorridente, me agradecer.
_ Ana é uma moça muito esforçada, as crianças adoram ela.
_ Então está dando certo?
_ Se a senhora não tiver nada contra quero que ela fique aqui.
_ Vamos falar com a Ana, se ela quiser ficar eu vou dar o maior apoio.