Júlio apareceu na porta do escritório, vi que queria me perguntar alguma coisa.
_ Júlio, já passamos desta fase, pergunta logo o que você quer perguntar.
_ A senhora está bem, vi Carlos passar no galpão e parece meio contrariado.
_ Ele quer uma coisa de mim que eu não posso fazer, então deixa que ele vai se acalmar.
_ Senhora, eu já vi pessoas de fora da Máfia conseguirem assumir um compromisso com alguém de dentro, eu verei como é feito e volto com notícias.
_ Por favor, Júlio, mas não pode ameaçar meu cargo de jeito nenhum, é só isso que você queria?
_ O que vamos fazer com nossos hóspedes?
_ Mantenha eles escondidos, ainda temos aquela casa no território de Don Antônio e Lara?
_Sim temos, faz anos que não usamos.
_ Ótimo, assim ninguém vai descobrir, espere anoitecer e leve eles lá, de dinheiro para que se mantenham e novos documentos.
_ Pode deixar será feito, nosso outro negócio já está em andamento, ainda vamos fazer?
_ Sim Júlio, vamos continuar como combinado, são homens de confiança?
_ Escolhidos a dedo, cinco homens que nosso amigo não vai desconfiar.
_ Júlio eu preciso de um homem bonito bem apessoado e de total confiança, para por na boate.
_ Põe o Carlos lá, se ele conseguir tocar já vai ser um ponto a favor de vocês.
_ Você é o segundo a me dizer isso, mas e se eu perder ele para algumas das mulheres que trabalham na boate.
_ Se for desse jeito você pode perder ele para a cozinheira da casa ou para outra qualquer, se for para dar certo você vai ter que aprender a acreditar em vosso sentimento.
_ Vou pensar nisso Júlio, você já é meu Consiglieri mesmo eu precisando que você case com minha filha para assumir o lugar.
_ Obrigado senhora, eu me considero seu amigo, por isso tento fazer o meu melhor.
_ Então vamos trabalhar, quando vai acontecer?
_ É melhor a senhora não saber, assim vai parecer mais real.
_ Tem razão, eu confio em você.
“Carlos”
Sai do escritório com vontade de matar alguém, Nineta está me usando de escravo s****l e eu estou me deixando usar, como ela acha que vou aguentar essa situação, sai da casa e fui no orelhão dar satisfação para meu superior, faz dias que não consigo uma brecha para falar com eles.
Passei pelo carro preto que sei a quem pertence e fui em direção ao telefone público, coloquei a fixa e disquei o número da floricultura, olhei para traz e vi um dos meninos do Júlio me seguindo. Vi meu contato entrar no telefone ao lado.
_ Como vão as coisas?
_ Tudo bem, eu já estou quase dentro, passando pelos testes e não são nada fáceis.
_ Vi sua cara bonita inchada e roxa.
_ É melhor você nem imaginar o que passei, não sei quando vou conseguir dar notícias mas está tudo funcionando.
_ Vi você saindo com ela, a confiança em você já aumentou?
_ Quase nada, tem um homem me seguindo, o braço direito dela não abaixa a guarda.
_ Você vai conseguir, não esquece de pedir as flores.
_ Vou pedir.
Ele saiu eu acabei minha ligação pedi um buquê de margaridas e fui no portão esperar chegar, quero ser eu mesmo a entregar para ela.
Não demorou 15 mim o entregador chegou com as flores, eu peguei o buquê e fui para dentro entregar para Nineta.
“Júlio”
Vi o menino que mandei seguir Carlos entrando, fui de encontro, quero saber o que o policialzinho está aprontando.
_ Senhor, eu segui o Carlos como o senhor ordenou.
_ O que ele fez?
_ Foi até o orelhão, fez uma ligação e voltou ficou no portão esperando, veio um entregador entregou um buquê de flores e foi embora.
_ E depois disso?
_ Ele foi em direção a casa.
_ Entendi, muito obrigado.
_ Será que ele é louco de achar que dona Nineta vai aceitar um soldado como parceiro?
_ Não devemos nos meter na vida particular da senhora, volte ao seu trabalho.
_ Sim senhor, desculpa senhor.