Tentando salvar Nineta

1350 Words
A semana passou, eu cheguei a cogitar a possibilidade de termos nos enganado e só ser coisa de nossa cabeça. Toda noite, Carlos entra pela minha janela, namoramos e trocamos informações que até agora não são importantes. Tentei falar com padre Ícaro sobre as visitas de Mirian, mas não consegui tirar nada dele, não posso ser agressiva com o padre porque se tiver alguma coisa acontecendo e ele for nosso elo, não podemos assustá-lo, há alguns dias enquanto eu conversava com ele mandei Ana colocar um dispositivo de escuta na mesa do escritório, mas até agora só ouvi pessoas vindo fazer doações, mas acabarei pegando. Troquei e desci para tomar meu café. Matheus estava me esperando, o que será que ele quer tão cedo? _ Bom dia, Matheus, o que te traz aqui tão cedo? _ Senhora, chegou um carregamento de armas no porto e nosso homem disse que só libera se a senhora for falar com ele pessoalmente. _ Chame o Júlio, ele lida melhor com esse i****a do porto. _ Ele disse que só falará com o Don e mais ninguém. Tem alguma coisa acontecendo, será que Matheus é o traidor, está me entregando de bandeja para os policiais? _ Tudo bem, Matheus, vou tomar meu café e já iremos lá no porto resolver esse problema, você sabe do Carlos? _ Já foi para a boate, como a senhora mandou, meus homens continuam seguindo ele todo dia. _ E já descobriram alguma coisa? _ Não, senhora, ele vai de casa para a boate e vice-versa. _ Continue vigiando ele, uma hora ele cometerá um erro. _. Sim, senhora. “Matheus” Ela acha que eu não sei o que ela faz, mas hoje isso acaba. Se nosso plano der certo, ela estará na prisão ainda hoje e meu chefe assumirá a família, e voltaremos a ser temidos como sempre fomos. “Nineta” Tomei meu café, saí da mesa e fui ao quarto com o protesto de me arrumar, tentei falar com Júlio, que não me atende, e Carlos também não. O que será que está acontecendo com eles? “Carlos” Sai do quarto da Nineta e fui para o meu como toda noite, mas não sei explicar, tem um clima diferente, o guarda não estava no posto dele. Cheguei em meu quarto. Matheus estava lá me esperando. _ Onde você estava? _ Fui ao banheiro, por quê? Não posso? _ Pode, mas demorar três horas no banheiro é muito estranho. _ Você veio aqui só para ver quanto tempo demoro no banheiro? _ Não! Vim te dizer que seu reinado acaba hoje. _ Não estou te entendendo? Do que você está falando? _ Meninos, levem Carlos para os homens que estão fora da casa esperando, e vê se vai numa boa, senão subo no quarto e mato Nineta e ela nem vai saber o que a atingiu. Fui com os meninos e vi meu ex-chefe e mais três seguranças me esperando. Quando cheguei perto deles, os três puxaram as armas e apontaram para mim, pude ver o medo deles. _ Não tente nenhuma gracinha, não quero te matar aqui. _ Para onde vão me levar? _ Vamos te prender até amanhã, depois que nosso plano acontecer e Nineta estiver presa, te soltamos e todos vão achar que foi você quem delatou ela. _ Do que vocês estão falando? Eu nunca faria isso? _ Sabemos, mas será que a família, depois que achar as provas que plantamos, vai acreditar em você? E até Nineta conseguir falar com alguém, você já estará morto e ela estará em nossas mãos. Me deixei levar, terei que arrumar um jeito de fugir e chamar Júlio, é o único que conseguirá salvá-la. Fui levado a um galpão afastado da cidade e fechado em um quarto. Depois de alguns minutos, ouvi gemer, tem mais alguém aqui, fui apalpando no escuro até que achei um corpo no chão, percebi ser de um homem. _ Quem está aqui? Consegue me ouvir? Subi apalpando a perna para ver se consigo chegar ao pescoço para sentir a pulsação e ouço-me responder. _ Se você está achando que vou t*****r com você, está enganado. _Julio? Você está muito ferido? _ Só um pouco, dei trabalho para eles me trazerem para cá, e só parei de bater porque me acertaram na cabeça, já apalpei e o único ferimento que tenho é um g**o, pode parar com a inspeção. _ Eu tinha fé que você pudesse salvar a Nineta. _ E eu esperava isso de você, mas agora estamos ambos aqui e não sei se ainda é de noite ou se já amanheceu. _ Já amanheceu, me pegaram na madrugada, mas pelo jeito essa sala não entra claridade. _. Sim, porque eles sabem que se conseguirmos sair daqui, morrerá muita gente e o escuro é um grande empecilho. _ Quando entrei, vi que a trança parece de um contêiner, apalparei as paredes e vejo se acho a entrada. Sentei-me no chão e tenho que me concentrar. Há muito tempo fiz um treinamento para, em caso de perder os olhos, saber me locomover e ter uma chance de escapar. Me concentrei nos outros sons e fui andando até que achei a parede, fui apalpando e achei a porta, mas estava trancada por fora. _ Júlio, achei a porta, estamos em um contêiner, está trancada por fora. _ Então não temos como sair, como ajudaremos Nineta. _ Não sei, mas ela precisa de nós, vão armar uma armadilha para conseguir provas e levá-la presa. Ouvi um barulho do lado de fora, arranquei meu sapato e com o salto de madeira comecei a bater na lata, se for quem nos prendeu aqui, coisa que duvido muito, porque eles acham que não escaparemos. Não dará atenção para o barulho, mas se for um estranho, virá ver o que é. _ Quem está aí? Esta é uma área particular, saia agora ou chamarei a polícia. Comecei a gritar dentro do contêiner. _ Senhor, estamos presos, nos ajude, meu amigo precisa de um médico. _ Quem prendeu vocês aí? Desculpa, senhor, terei que mentir. _ Eu não sei, alguns homens encapuzados nos pegaram e jogaram aqui. _ Soltarei vocês, esperem um pouco. Rezei para ele não chamar a polícia, porque temos pouco tempo para livrar Nineta do flagrante. Ouvi pancadas do lado de fora e logo ele abriu a porta, sai com as mãos nos olhos devido à claridade e logo atrás de mim um Júlio muito nervoso. Passou pelo homem que nos soltou e nem lhe dirigiu uma palavra. Agradeci ao senhor e perguntei o nome. _ João, senhor, mas como ficaram presos no prédio do FBI? _ Se você já acabou a social, temos que ir, depois meu amigo bonzinho volta te explicar, vamos, Carlos? _ Vocês estão no porto, sabem como sair daqui? _Sei que tem mafiosos aqui. O senhor sabe onde os mafiosos guardam as armas? _ Hoje tem um movimento na ala cinco, acho que tem uma entrega grande acontecendo lá, vocês conhecem a mulher? Eu e Júlio trocamos um olhar e eu disse. _ Um pouco, ela está aqui? _ Estão esperando por ela, mas acho que não é boa coisa, tem muitas polícias, se você conhecem ela deveriam ajudá-la. _ O senhor quer que ajudemos ela? _. Sim, ela é boa para mim, foi ela quem me arrumou esse serviço, mas eu não posso fazer nada por ela, eles me ameaçaram, agora vocês já estão mortos mesmo. Se ajudarem ela, posso garantir que ela será grata e ajudará vocês com seus problemas com a polícia. _ Vamos ajudá-la, o senhor tem armas? _ Eu não, mas posso levar vocês onde têm, mas depois disso vocês ficam por conta. Júlio, como sempre, sem paciência. _ Nos leva logo e pode ir se esconder que resolveremos o resto. _ Seu amigo está bem nervoso. Nos Levou até uma sala cheia de armas de apreensão e, do mesmo jeito que apareceu, sumiu. Eu e Júlio nos armamos com tudo o que deu e fomos em direção ao galpão, hoje mataremos alguns traidores.
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