Batem na porta de novo e agora é Maurício, que entrou na minha sala segurando uma menina pelo braço.
_ Me solta! Cadê meu pai? Você não manda em mim, eu quero ver meu pai.
_ Senhora, esta é a filha do senhor Mário.
_ Me solta, você é um bruto, sem educação.
_ Solte a menina, Maurício!
_ Tem certeza, senhora? Ela tentou fugir de mim várias vezes.
_ Ele me amarrou no banco como se eu fosse um bicho, meu pai me mandou não confiar em ninguém.
_ Sou amiga do seu pai e prometi a ele te proteger, para isso preciso que você pare de fugir e me escute. Maurício só cumpriu minhas ordens te buscando, ele poderia ter sido mais gentil, mas isso resolvemos depois.
_ Se a senhora é amiga dele, me deixe falar com papai, é só isso que eu quero.
_ Tudo bem, já mandei soltar a menina Maurício.
Peguei o celular e liguei para seu Mário.
_ Pronto, senhora, está tudo bem com minha filha?
_ Está, mas preciso que o senhor fale para ela confiar em mim e que não fuja. Depois que eu tiver tudo resolvido, aviso o senhor onde ela está e o senhor vai visitá-la.
Passei o celular para a menina e a vi chorar, falando com o pai e se acalmando, me passou o celular, seu Mário me agradeceu e desligou.
_ Sente-se que resolveremos sua vida.
_ O que a senhora fará comigo?
_ Vou te levar para um lugar com uma amiga minha, lá você ficará até completar 18 anos, depois nós conversamos.
_ O seu capanga me disse que sou noiva?
_ Esse assunto só será discutido quando você fizer 18 anos, até lá estude e cresça, toda vez que você precisar de alguma coisa, meu capanga estará disponível para te ajudar.
_ Não pode ser outro?
_ Por quê? Maurício é de minha total confiança.
_ Ele me deixa nervosa, fica me olhando e não fala nada.
_ Você vai se acostumar com ele e esta sensação vai melhorar, considere ele como um amigo.
_ Tentarei, o que faço agora?
_ Vá com Maurício, ele vai te levar para tomar café da manhã. Enquanto isso, eu acabarei de resolver um problema e já iremos para seu novo endereço.
Vi a menina sair com Maurício ainda ressabiada, mas mais tranquila, ele conseguiu me trazer ela sem contar que ele é o noivo, ótimo.
Liguei para Francisco, que logo me atendeu.
_ Pronto! O que aconteceu para minha Don, me ligar?
_ Preciso de uma reunião com você, pode ser hoje depois do almoço.
_. Sim, estarei esperando, ou a senhora prefere no galpão?
_ Terei que ir até a cidade e te encontro em seu escritório, às 13:00, acho que consigo resolver meu outro problema em tempo.
_ Estarei esperando.
Mandei uma mensagem para Ana no orfanato pedindo para que me esperasse, porque sei que ela tem aula de manhã.
Me mandou um jóia, levemos a menina ao orfanato e depois levarei Maurício ver Siciliano de perto. Quero-o com ódio e querendo muito proteger a menina, sei que Siciliano fará isso acontecer.
Cheguei na cozinha e vi Maurício olhando com carinho para Lilian e ela comendo um pedaço enorme de bolo de chocolate. Quando me viu, parou.
_ Pode acabar de comer, eu espero vocês na sala.
Lilian relaxou e Maurício voltou a sua pose de soldado.
Sentei-me na sala e esperei, logo eles vieram Lilian, mais tranquila, na presença imponente de meu soldado, ele tem 18 anos. Dos meninos traidores, ele é o mais velho, moreno, alto, com uma barba bem cuidada e de terno preto. Eu, se não tivesse meu homem, pegaria para criar.
_ Vamos, onde está sua mala?
_ Ele não me deixou trazer nada, só a foto do meu pai.
_ Maurício, como assim, você não deixou ela trazer as coisas dela?
_ Ela não tinha nada que prestasse, um monte de trapos velhos só ia servir de pano de chão.
_. Mas eram meus panos de chão.
_ Já chega! Darei dinheiro para Maurício comprar algumas roupas para você, e alguns itens que você precisará.
Maurício falou:
_ Não precisa, senhora, eu tenho dinheiro e posso me encarregar disso.
_ Senhora, eu não quero depender do dinheiro dele, a senhora me empresta e eu pagarei com meu trabalho assim que puder trabalhar.
_ Vamos, já estou ficando atrasada, e você paga para Maurício assim que você conseguir, e não tem mais discussão.
Saímos e levamos Liliam ao orfanato que agora funciona como uma escola, deixei-a com Ana, expliquei a situação e Maurício ficou de vir buscá-la para levá-la para comprar as roupas. Enquanto isso, Ana emprestará algumas peças para ela.
Saímos e fomos falar com o Siciliano, esse, sim, será um encontro tenso.
Marquei com ele na sede da máfia porque é meu território, ele é insuportável, arrogante e se acha o poderoso.