Conversando com o conselho

1259 Words
_ Júlio, teremos que convocar o conselho e contar o que aconteceu, por favor cuide disso. _Sim, senhora, assim que marcar a reunião aviso. Chegamos à casa, peguei a mão de Carlos e fui entrando no galpão, todos ficaram olhando, mas não falaram nada. _ Eu não devo satisfação da minha vida para ninguém, mas como vocês se mostraram fiéis a mim, falarei. Eu e Carlos estamos juntos e vamos nos casar. Vocês sabem que ele não poderá assumir como Don mesmo casado comigo, mas espero a mesma lealdade que vocês têm por mim com ele. Vi os meninos se olharem e começarem a sorrir. Vieram nos parabenizar, depois dos cumprimentos e eu ver que todos gostam bastante do meu futuro marido, conversamos com os quatro que auxiliaram a me trair. São jovens e foram bastante espancados pelos outros. Carlos falou com voz de autoridade com eles. _ Fiquem retos, não se encolham, na hora de trair seu Don, estavam bem retos, não estavam? Eu me aproximei e disse: _ Vocês têm alguma coisa a dizer em suas defesas? Ou preferem morrer como heróis que não são? O mais velho deles, que não deve ter atingido 16 anos, falou: _ Matheus nos disse que os tempos bons voltariam e que viveríamos em paz. _ Como você se chama? _ Henrique, senhora. _ De que tempos bons Matheus estava se referindo? Somos da máfia, não temos tempos bons, temos temporadas mais sossegadas. _ Ele me disse que a senhora ia destruir a família porque está ficando de coração mole, que mulher não pode ser uma líder porque pensa com o coração. _ E você consegue pensar por você ou só o que ele te falou vale? _ Cometi um erro, senhora, espero que possa ser perdoado. _ E vocês três, não falarei nada? Um deles se ajoelhou no chão pedindo perdão, logo os outros dois também estavam. Henrique se manteve firme e em pé. Estiquei minha mão esperando Júlio pôr a arma, senti a mão de Carlos segurando meu braço. Dei uma olhada onde estava a mão dele e falei: _ Confie em mim. Ele tirou a mão e se afastou. Apontei a arma para a cabeça de Henrique, que se urinou todo esperando a morte, engatilhei a arma e o vi fechar os olhos, mas não sair da posição. Corajoso e forte, trarei ele para meu lado, será um soldado excelente. Peguei uma arma que estava na minha cintura e atirei para cima, e esperei ele perceber que não morreu. Abriu os olhos e me encarou com orgulho. _ Henrique, darei a você e seus amigos mais uma chance. Vi o alívio nos olhos dele, mas não mudou a pose. _ Não será fácil, como você traiu seu Don, terá que passar pela iniciação e pelo batismo. Vi os meninos começarem a chorar. _Se não quiserem, tudo bem, é só dizer que morrerão sem sofrimento, mas se aceitarem, vão passar por todos os testes até o fim. Esperei eles se resolverem, levantaram e ficaram ao lado de Henrique, e assim aceitaram passar pelo treinamento. _ Bom, se já se decidiram, meninos podem pôr os quatro na suíte três e começar o treinamento. Virei e vi Carlos me olhando com orgulho, dei um sorriso contido para ele, que passou a mão em minha cintura e fomos para casa, descansar e tomar um banho, que nossa manhã foi tumultuada e esperar Júlio marcar a reunião com os líderes. Subimos para nosso quarto e Carlos resolveu se manifestar. _ Quer dizer que casará comigo, mas você não me perguntou se quero me casar com você. _ Agora é tarde, o lobo solitário já te anunciei como meu parceiro e terá que casar, sabe que minha palavra é lei. _ Quem sou eu para não aceitar a ordem de meu Don. Mas quero um jantar e quero te pedir em casamento para sua filha. _ Tudo bem, deixa a reunião do conselho acontecer, depois marcamos esse jantar. Agora preciso de uma massagem que só você sabe fazer. _ Tomaremos um banho, minha rainha e juro sair dessa cama só na hora que você não conseguir nem andar mais. _ Quero só ver, se você dará conta ou serei eu que deixarei você sem energia. Namoramos até anoitecer, liguei na cozinha e pedi para nos trazer uma refeição no quarto, porque não tenho intenção alguma de ver mais ninguém hoje. Quando voltei para a cama, Carlos estava olhando uma mensagem e estava bem sério. _ O que foi? Mais problemas? _ O segundo em comando no FBI está me ameaçando, querendo saber se sei notícias do Marcos Antônio. _ Mande ele procurar, mas com vontade, porque será difícil se achar. _ E se ele achar alguma coisa e nos acusar? _Nós somos a Cosa Nostra, deixa ele tentar, não conseguirá. _ Se ele conseguir, você vai me jurar que não vai se meter, deixa que me prendam, cuide da sua vida. _ Não existe essa possibilidade, você é filho da máfia, ninguém além de mim, encosta em você. Nineta veio e me beijou e fizemos amor de novo. Ela buscou a bandeja que a cozinheira largou na porta do quarto, comemos e dormimos. Amanheceu e Nineta já não está na cama. Olho no quarto procurando por ela e ela já está vestida, sentada em uma cadeira, olhando alguns papéis. _ Bom dia, minha rainha. _ Bom dia, meu lobo. _ Você levantou cedo, temos algum compromisso? _ Júlio marcou a reunião do conselho para daqui a pouco, você vai comigo? _ Se você quiser, claro que vou. _ Então, troca, eu te espero lá embaixo para tomarmos um café e depois saímos. “Carlos” Me troquei e desci. Nineta já está sentada, eu vim até ela e beijei minha mulher, falei em seu ouvido. _Não me deixe sozinho, que fico sem saber o que fazer. _ Não beije o Don sem autorização, que ele terá que te castigar. _ Se for igual ao castigo da noite passada, quererei ser castigado sempre. Acabamos nosso café e saímos porque agora temos que enfrentar as cobras da máfia. Júlio foi guiando porque ainda temos que resolver em quem confiar. Chegamos ao local marcado, esperei Carlos descer e abrir a porta para mim, mas vi que a porta abriu muito rápido, olhei a mão e reconheci. Ia falar que agora não posso mais aceitar a mão dele, mas Carlos já fez. _ Senhor Francisco, sei que o senhor gosta de pegar a mão da minha mulher, mas acho melhor que não aconteça mais, eu posso me ofender e te separar de sua mão. Francisco deu um sorriso e se afastou da porta, dando acesso a Carlos, que me ajudou a sair. _ Nineta você assumiu o soldadinho, não acha isso perigoso para sua saúde? _ Francisco, conversaremos lá dentro e o senhor vai ver que há coisas bem mais perigosas para minha saúde acontecendo. Vi Francisco ficar curioso e entrar conosco, os outros membros já estavam na sala, ficaram me olhando, chegar de mãos dadas com Carlos, mas não disseram nada. Quem se manifestou primeiro foi Siciliano. _ Bom, pelo jeito agora nossa máfia faz reuniões para fofocar assuntos de mulher. Rebati o sarcasmo dele e veremos se alguém aqui está envolvido no golpe que quase foi dado. _ Eu não sei se traição é assunto de mulheres, mas acho que vocês devem me respeitar e não quero ouvir piadinhas sem graça. Vi que ficaram assustados com a palavra, nenhum deles parece envolvido na tentativa de golpe.
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