capítulo 05 - Fantasma

1016 Words
Fantasma narrando O primeiro burburinho chegou pra mim ainda no começo da tarde. Eu tava de olho nas câmeras quando vi a aglomeração em uma das vielas , me chamou atenção eu ativei o som e foi aí que eu escutei tudo , os morador tudo revoltado. Quando Roger deu o papo eu já tava sabendo . — Chefe… Foi uma criança. Eu já tava no puro ódio. A mão apertou o copo de café sem nem perceber.— Maus-tratos pesado. Não lembro nem de levantar da cadeira. Só lembro da raiva subindo tão rápido que meu peito queimou.— A mãe e o padrasto. A menina chegou cheia de hematoma no postinho , desacordada. E tu já deve até tá pensando no que fizeram além de bater na menorzinha . Eu so queria que a noite caisse logo pra eu po a mão nos filhos da p**a . Com criança não se mexe. Essa sempre foi uma das regras que eu nunca precisei repetir duas vezes dentro dessa comunidade. Mulher. Idoso. Criança. Mexeu? A conta chega. Simples assim. Joguei o copo longe vendo o vidro estourar na parede. O Roger ficou quieto ele me conhece .Sabe exatamente o que significa quando eu fico em silêncio. A raiva já tava instalada dentro do peito igual veneno. — Onde eles tão? — Tentaram fugir depois que os morador ouviu os gritos. Mas os cria já tão na casa com eles . Dei um sorriso sem humor nenhum.— Tu vai descer pessoalmente? Olhei pra touca preta , abri um pouco a cortina vendo a claridade lá fora que fez meus olhos arde na merma hora e fechei de volta. — Hoje eu vou ! Pode avisa pros cria que se alguém falha na missão de manter os dois vivo até eu chegar vai morrer pior . A casa inteira parecia pequena demais pra raiva que tava dentro de mim, as horas não passava não consigo lembrar quantas vezes eu abri a cortina pra conferi se ja tinha caido a noite . E quando finalmente tudo escureceu , puxei a touca preta cobrindo o rosto e depois subi o capuz do moletom por cima. O motor roncou alto quebrando o silêncio da rua vazia. E eu acelerei. As vielas tavam quietas era o dia e horário perfeito pra matar alguém e não ser visto . A comunidade sabia que ia acontecer alguma coisa pesada essa noite. Cortei os caminhos mais vazios da favela em alta velocidade, desviando dos becos estreitos até avistar a movimentação mais abaixo. Roger já me esperava parado em frente ao barraco. Dois cria armados faziam a contenção do lado de fora , abaixaram a cabeça antes de eu me aproximar. Parei a moto desligando o motor. O silêncio ficou pesado na mesma hora.Desci sem pressa. — Cadê eles? Roger olhou pra porta do barraco antes de responder. — Lá dentro. Meu maxilar travou por baixo do tecido que cobria meu rosto . Ele empurrou a porta de madeira velha dando passagem pra mim. Assim que entrei o ambiente inteiro ficou mudo. Os cria abaixaram a cabeça automaticamente. Ninguém ousava me encarar quando eu brotava pra resolver . A única que levantou os olhos foi ela. A maldita . Porque mãe… isso não merecia ser chamada. Tava sentada no chão chorando, tremendo, o rosto marcado . O homem do lado dela m*l conseguia ficar acordado do salve que levou . Olhei pros dois sem sentir absolutamente nada. So ódio , nojo . Roger fechou a porta atrás de mim. — O verme abriu a boca rapidinho. falou baixo. — Confessou tudo que fazia junto com ela pra menina. Fechei os pulsos. Eu sentia meu sangue fervendo. Os olhos escuros . Uma sensação r**m subindo queimando tudo por dentro. Passei o olhar o barraco imundo.Brinquedo quebrado no canto. Coberta suja jogada no sofá. Desenho infantil rabiscado na parede, lixo, cheiro de mijo , uma corrente presa no pé de uma cama . E no meio disso tudo… dois monstros. A v***a começou a chorar mais alto. — Pelo amor de Deus… a gente tava nervoso… foi sem querer… eu amo a minha filhinha. por favor não me mata ... Eu grudei no pescoço dela , apertei com toda a minha força, os olhos dela esbugalhados pra fora a cara vermelha , sem voz , quase sem fôlego, eu sentia a jugular dela pulsando rápido na minha mão, a boca podre dela já tava perdendo a cor quando soltei com força que ela bateu o coco na parede , a cacetada fez ela gemer. Puxou o ar tossindo pra c*****o , eu não esperei ela recuperar, meti a bicuda , Vagabunda assim que nem ela tem que morrer da pior forma. Isso não deveria nem ter sido mãe papo reto , tô cheio de ódio. Quebrei ela na pancada , foi tanto soco na cara que eu senti o osso da face dela na minha mão . Quando ela tentou gritar enfiei uma sacola na boca dela , a maldita engasgou com o próprio sangue , eu tava virado só via ela na minha frente naquele momento, comecei bater a cabeça dela contra o chão com força, até ve o sangue escorrer da nuca dela , a poça foi se formando e eu não conseguia para. Minhas mãos já tava tudo suja , o cheiro do sangue dava nojo. Só parei quando me dei conta que ela realmente tinha morrido. Passei a mão na minha blusa limpando o sangue da desgraça, mas o cheiro só ficou pior . Fui na torneira e lavei as mãos, tirei meu moletom em joguei ali mermo naquele lugar imundo. Ajeitei a touca ninja encarando meu reflexo no espelho quebrado e voltei pro comodo que o outro verme tava . — Acorda esse filho da p**a tá achando que aqui é SPA p***a. Roger se aproximou e acertou um tapa de mão aberta na cara do arrombado. — Acorda seu maldito. ele falou segurando ele pelos cabelos que tentava manter o olho aberto. Adicionem meus amores ajuda a autora de vcs ...
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