Os encontros entre os dois começaram por acaso.
Depois deixaram de ser acaso.
Lucas aparecia onde sabia que Lara estaria.
Ela reclamava.
Ele provocava.
E, pouco a pouco, o medo começou a dar espaço à curiosidade.
— Você sempre foi assim? — Lara perguntou certa noite.
— Assim como?
— Mulherengo.
Lucas riu.
— Quem te contou?
— Todo mundo.
— O povo aumenta.
— Então é mentira?
Ele ficou quieto.
— Tá. Talvez não seja.
Lara riu.
Lucas ficou olhando para ela.
— Que foi?
— Nada.
— Você tá olhando estranho.
— Tô tentando entender você.
— Boa sorte.
Ela sorriu.
Foi a primeira vez que ele viu Lara sorrir daquele jeito para ele.
E percebeu que estava ficando envolvido.
O problema era que Lucas não sabia amar sem querer proteger.
E p******o, no mundo dele, muitas vezes significava controle.
— Você não vai mais naquele baile — ele disse certo dia.
Lara fechou a cara.
— Você não manda em mim.
— Eu sei.
— Então não fala como se mandasse.
Lucas respirou fundo.
— Só tô tentando evitar que aconteça alguma coisa contigo.
— Eu não sou sua.
Ele ficou em silêncio.
— Eu sei — respondeu finalmente.
Aquela resposta mudou tudo.
Lucas poderia ter insistido.
Não insistiu.
Lara percebeu.
Naquela noite, quando chegou em casa, ficou pensando nele.
Talvez o homem que todos temiam tivesse uma parte que ninguém conhecia.
Mas também sabia que não podia esquecer quem ele era.
Ele continuava sendo o Caveira.
E aquela realidade cobraria um preço.